Exército Brasileiro se prepara para voltar a ter asas fixas

Após 76 anos, o Exército Brasileiro voltará a possuir a capacidade de operar aeronaves de asa fixa. A reativação da aviação de asa fixa, por meio das aeronaves C-23 SHERPA, trará diversas vantagens para a Força Terrestre. Atualmente, no que tange ao modal de transporte aéreo, os planejamentos anuais dos Comandos de Operações Terrestre (COTER), Logístico (COLOG), do Militar da Amazônia (CMA) e do Militar do Norte (CMN) contemplam a realização de apoio logístico às Organizações Militares do Exército.

Estes planejamentos se dão em apoio maior aos Pelotões Especiais de Fronteira (PEF), e ao transporte de civis e militares em toda a Região Amazônica, fazendo uso prioritário da utilização de aeronaves de asa fixa da Força Aérea Brasileira (FAB) ou pela contratação de Empresas Civis de transporte aéreo, e por fim das aeronaves de Asa Rotativa do próprio Exército. Anualmente, a 12.ª Região Militar, com sede em Manaus (AM), gasta elevados recursos com a contratação de empresas aéreas regionais civis, para o transporte de cargas e de passageiros na região. Porém, constitui-se em uma solução com grandes restrições, tais como:

  • Limitada capacidade logística das aeronaves;
  • Altos custos de contratação (restritos por limitações orçamentárias vigentes); pouca disponibilidade de rotas e horários de voo que atendam às necessidades logísticas dos Comandos de Área;
  • Restrições ao transporte de munição e líquidos inflamáveis; além do aumento da vulnerabilidade da Força com relação ao transporte de Material de Emprego Militar em aeronaves civis.

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Diversas missões de âmbito logístico e administrativo têm sido realizada por helicópteros da Aviação do Exército, mas geram um custo consideravelmente alto, pois cerca de 30% do total das horas de voo destinadas à AvEx são empregadas em missões de Apoio Logístico e Apoio ao Combate na Amazônia. A visualização da incorporação de aeronaves de Asa Fixa ao Exército, visa ampliar a eficiência do modal aéreo na Logística Militar na região Amazônica e deu-se da oportunidade, a partir de um estudo realizado pelo Exército baseados nas aeronaves disponibilizadas pelos EUA. Considerando o potencial de solução do problema, a partir da disponibilidade estadunidense, o Comandante Logístico determinou a realização de um estudo técnico e operacional dessas aeronaves, Assim em novembro de 2016, cujo o resultado foi descrito no Relatório Técnico Preliminar, de 10 de fevereiro de 2017.

Vantagens do emprego da Aeronave C–23 SHERPA

Por suas características técnicas, esta aeronave cumpre missões com vantagens operativas e com custo consideravelmente inferior ao da atual frota de helicópteros da Av Ex. O custo da Hora/Voo (HV) é muito baixo, cerca de 1/4 do valor médio da HV dos atuais helicópteros da Aviação, o que perfaz uma economia de HV gastas com apoio logístico prestado pelo 4º Batalhão de Aviação do Exército. Existe uma Superioridade na relação custo–benefício, quando comparada com outras aeronaves existindo uma considerável economia de recursos, com melhor atendimento das demandas operativas da Força Terrestre na Amazônia, além de menor dependência e restrições de carga impostas pelas empresas aéreas civis.

O aumento da disponibilidade de HV da frota de helicópteros da AvEx para missões de preparo e de emprego e à ampliação da capacidade operacional do CMA, do CMN e do CMO, em suas diversas missões, principalmente no emprego eventual em apoio às Agências Federais, Estaduais e Municipais, no atendimento às regiões afetadas por calamidades naturais, seria uma das grandes vertentes. Economia também, nas despesas anuais em transporte aéreo pela 12.ª RM (contratação de empresas aéreas civis), que sera na ordem de 81 a 92% no valor Kg transportado, em relação ao transportado pelos helicópteros Jaguar e BlackHawk da AvEx.

Condições impostas pelo Projeto

A manutenção das aeronaves e a modernização do Cockpit serão todas realizadas nos EUA, antes de sua entrega definitiva. Sendo que seis aeronaves para as operações de Apoio Logístico e duas aeronaves destinadas ao suprimento (itens reparáveis), inseridas no Contrato de Suporte Logístico (CLS), dando um total de oito aeronaves. O treinamento dos pilotos, dos oficiais de manutenção e dos mecânicos serão realizados a cargo do Exército Norte-Americano, que também irá fornecer uma linha de suprimento por 15 anos, o qual será montado nas instalações do 4º BAvEx, em Manaus, e de toda a documentação técnica e ferramental da aeronave. O fornecimento de cinco Tanques de Translado, entre outros equipamentos específicos, por dez anos. A chegada das duas primeiras aeronaves em 2021.

A Aeronave C-23 SHERPA

Para uma aeronave de apoio logístico a ser operada na Região Amazônica, sua configuração de “Asa Alta”, isto é, montada acima da fuselagem, lhe permite um pouso mais facilitado em pistas não preparadas ou com preparação deficiente, característica dessa região do País. O SHERPA possui dois motores PT6A-65AR, o qual é fabricado pela empresa canadense Pratt & Whitney, e considerado o motor turboélice mais fabricado em toda a história. A família de turbinas PT6A-65AR é considerada de alta confiabilidade, com o Tempo entre Revisões (Time Between Overhauls – TBO) de 6.000 horas.

Um operador americano dessas aeronaves apresentou o custo de US$ 932,00, para um esforço aéreo de 400 HV / ano, cerca de 1/4 do valor médio da HV dos Helicópteros da Aviação do Exército. Considerando as HV empregadas pela Aviação do Exército anualmente, em logística na região, o seu emprego equivaleria à apenas 20% do que é gasto com os atuais helicópteros. Os C-23 SHERPA foram fabricados entre os anos de 1983 e 1984 e enviados de 1997 a 1998, para a cidade de Bridgeport, no West Virginia Air Center (WVAC), onde cada aeronave foi militarizada (Converted to C-23B+ Sherpa) para sua utilização pelo Exército Americano.

Assim, sua capacidade foi ampliada para o lançamento de cargas aéreas (airdropping), lançamento de paraquedistas e operações de evacuação aeromédica para até 18 macas. O West Virginia Air Center era operado pela Bombardier Defense Services e forneceu, na oportunidade, um Contrato de Suporte Logístico (CLS) para as aeronaves que foram operadas pela Guarda Nacional do Exército dos Estados Unidos (USARNG) e pela Força Aérea (USAF). O modelo ainda está em uso no Serviço Florestal Americano, com 15 aeronaves. Sua capacidade STOL (pousos e decolagens curtos) fez com que a aeronave fosse usada em diversas missões de Forças Especiais.

Com capacidade para passageiros (ou tropas), tem o seu Peso Máximo de Decolagem de 12 mil kg e a carga útil máxima é de 3,5 mil kg. Equipado com dois turboélices Pratt & Whitney Canada PT6A-65AR, de 1.062 kw cada, tem velocidade máxima de 468 km/h e de cruzeiro de 422 km/h, com alcance de 1.907km. Para as missões logísticas na Amazônia, o SHERPA é excepcional em sua capacidade de pouso e decolagem em pistas curtas, pois pode decolar com Peso Máximo de Decolagem (PMD) numa distância de apenas 564m, sem obstáculos e superando um obstáculo vertical de 15 m, em 802m, enquanto a distância de pouso (passando sobre um obstáculo vertical de 15m) é de 586 m.

Consequências Diretas do Projeto

O Projeto resultará em ações e providências decorrentes de sua implantação, relacionadas às áreas de Doutrina, Organização, Adestramento, Material, Educação, Pessoal e Infraestrutura (DOAMEPI). Será implantada uma Subunidade de Asa Fixa no 4º BAvEx, em Manaus (AM), responsável pela operação das aeronaves. O emprego dos C-23 SHERPA, orgânicos da Aviação do Exército, permitirá um melhor atendimento das necessidades operacionais do EB pelo aproveitamento das características técnicas do avião em relação aos helicópteros: maior velocidade, maior capacidade de transporte, maior autonomia, menor custo de manutenção, menor custo da HV, entre outras.

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O Projeto ampliará a capacidade de transporte aéreo na área amazônica e está sendo planejado com base nas Normas para Elaboração, Gerenciamento e Acompanhamento de Projetos do EB – NEGAPEB, e nos fundamentos do DOAMEPI. As grandes distâncias entre as OM do CMA e do CMN justificam a utilização de meios aéreos de asa fixa pelo EB, em especial os C-23 SHERPA, que possuem alcance operacional de 1.907km, podendo apoiar, de Manaus, todos os Pelotões Especiais de Fronteira (PEF) em uma única pernada de voo. A aeronave C-23 SHERPA apresenta características de operabilidade capaz de se adequar à Amazônia e à logística humanitária. O Exército passará a contar com uma nova capacidade logística, a partir de 2021, cujos beneficiários diretos serão os militares e suas famílias que vivem nos PEF.

Fonte: Revista Verde-Oliva
Publicado em: Abril 2018/Nº 240
Adaptação DefesaTV: Anderson Gabino

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