Exército sírio retoma cidade estratégica da região de Idlib

O exército sírio expulsou jihadistas e rebeldes no sábado (08) da principal cidade de Saraqib, na província de Idlib, obtendo assim mais uma vitória do regime, imersa em uma ofensiva para reconquistar o noroeste da Síria.

Damasco continua avançando em um eixo estratégico, apesar das advertências da Turquia, que apoia grupos rebeldes sírios e que neste sábado ameaçou com represálias caso seus postos avançados na região sejam atacados.

Apoiado pela força aérea russa, o regime de Bashar Al Asad lançou uma nova ofensiva em dezembro contra o último grande bastião de jihadistas e rebeldes, matando mais de 300 civis, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), que levou mais de meio milhão de civis a deixar suas casas, segundo a ONU.

“As unidades do exército agora controlam toda a cidade de Saraqib”, localizada no cruzamento de duas rodovias estratégicas na província de Idlib, disse a rede de televisão estatal, que transmitia imagens ao vivo de bairros desertos da cidade.

A agência de imprensa oficial Sana anunciou o fim das operações de “limpeza” da cidade. Saraqib fica na junção de duas rodovias estratégicas, a M5 e a M4, que o regime deseja reconquistar para favorecer a economia, destruída após nove anos de guerra.

A M5 une Aleppo, a segunda maior cidade do país e antigo centro econômico da Síria, com Damasco, a capital, enquanto a M4 conecta Aleppo à cidade de Latakia, o reduto do regime.

Segundo o OSDH, o regime já controla cerca de metade da província de Idlib e praticamente todo a M5, exceto por um trecho de cerca de 30 km localizado no sudoeste de Aleppo.

No final de janeiro, as forças do regime, com a ajuda da Rússia, reconquistaram a principal cidade de Maaret al Numan (a segunda maior da província de Idlib), que também passa pela M5, a estrada mais longa do país.

Neste sábado, a força aérea russa bombardeou vários setores da região, segundo o OSDH, especialmente no oeste da província de Aleppo, palco de grandes ataques há semanas.

Mesmo assim, mais da metade da província de Idlib e setores próximos às províncias vizinhas de Aleppo, Hama e Latakia permanecem nas mãos dos jihadistas do Hayat Tahrir al Sham (HTS, ex-al-Qaeda da Síria).

Na região, de três milhões de pessoas, outros grupos jihadistas e grupos rebeldes enfraquecidos também estão presentes. Diante do avanço das forças pró-governo, a Turquia, que apoia alguns grupos rebeldes, reiterou suas advertências, tendo enviado reforços militares para suas posições em Idlib.

Desde a sexta-feira, 350 veículos cruzaram a fronteira sírio-turca para Idlib, segundo a agência estatal turca Anadolu. Por um acordo com a Rússia, a Turquia tem 12 postos de observação em Idlib, três dos quais cercados pelas tropas de Bashar al-Assad, no sudeste de Idlib.

Um correspondente da AFP no local viu soldados turcos se dirigirem ao aeroporto militar na região de Taftanaz, 16 km ao norte de Saraqeb. Outros se deslocam para a base militar ao sul da cidade de Idlib.

O ministério turco da Defesa afirmou que “em caso de novo ataque, uma resposta apropriada será aplicada de maneira mais forte, baseada no direito à autodefesa”.

  • Com agências internacionais