Força Aérea Brasileira irá receber três cargueiros KC-390 em 2019, revelou presidente da Embraer

Falta pouco para que o primeiro cargueiro militar KC-390 da Embraer esteja em operação, já que que as aeronaves agora entraram na fase de finalização de sua linha de montagem na unidade de Gavião Peixoto (SP), onde espera-se pelo menos que três aeronaves sejam entregues, ano que vem à Força Aérea Brasileira (FAB). Um dos projetos prioritários da área de defesa em parceria com a Embraer, ao lado dos caças Gripen, o novo cargueiro de uso militar e civil deve ser apresentado pela FAB em uma solenidade organizada para o Dia do Aviador, em outubro.

Até lá, aguarda-se com expectativa que, o avião receba o certificado da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Na última segunda-feira, na unidade fabril de Gavião Peixoto, fora feita uma demonstração da aeronave ao ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna. Há dois aviões já na fase de finalização, outros dois na etapa de estruturação (um com a fuselagem quase completa, outro com uma das asas prontas), e o quinto já tem as peças encomendadas, o que tem de ser feito com meses de antecedência.

Jackson Schneider, presidente e CEO da Embraer Defesa & Segurança.

O presidente da Embraer Defesa, Jackson Schneider, confirmou que o certificado da Anac será emitido ainda neste ano, e as primeiras unidades entregues à FAB em 2019, quando completam-se dez anos do início do projeto. O contrato de aquisição dos aviões, entretanto, remonta a 2014. O comandante da FAB, tenente brigadeiro Nivaldo Rossato, disse que o órgão conta com o avião operando já no ano que vem. A FAB encomendou 28 aeronaves à Embraer: o orçamento da Força para 2019 reservou R$ 750 milhões para a aquisição dos aviões.

As negociações de vendas também estão avançadas com Portugal, que deve encomendar cinco unidades. Argentina, Chile, Colômbia e República Tcheca já assinaram cartas de intenção de compra do modelo, o maior avião militar produzido no Brasil, que encabeça o consórcio formado por Portugal, Argentina e República Tcheca. De acordo com os engenheiros da linha de montagem, assim que a empresa atingir a “fase de aprendizado”, será possível acelerar a produção e fabricar 1,5 ou duas unidades por mês, a fim de atender a expectativa de crescimento da demanda internacional.

Conforme acordo celebrado em 2013, na França, caberá à Boeing a promoção internacional do KC-390 e o impulso das vendas em mercados onde a gigante da aviação tem atuação estratégica. Essa parceria foi celebrada cinco anos antes da joint venture anunciada em julho, evidenciando a vocação das duas empresas para atuarem juntas. O cargueiro da Embraer atinge um nicho de mercado onde a Boeing atua com modelos muito maiores, e enfrentava a concorrência da Lockheed, fabricante do Hércules C-130, também de transporte militar, mas desenvolvido há cerca de 60 anos.

É justamente o avião de cargas utilizado pela FAB, que já completou 53 anos. “O nosso está antigo, o KC- 390 é mais rápido, carrega mais carga com o custo de hora de voo mais barato, vai fazer a diferença no transporte e na logística”, afirma o brigadeiro Rossato. Desde que encomendou à Embraer o desenvolvimento de um avião de transporte tático em 2009, a FAB investiu R$ 5 bilhões no projeto. Na fase de testes, o protótipo sofreu dois incidentes: em 2017, durante um voo, e em maio, quando deslizou na pista.

Além do documento da Anac, o avião precisa concluir o ciclo de certificação, com a obtenção da Final Operational Capability (FOC), emitida pelo Instituto de Fomento Industrial (IFI), o que só deve ocorrer no ano que vem. Em dezembro de 2017, a aeronave obteve a Capacidade Inicial de Operação (IOC), que assegurou as condições necessárias para o início da operação, bem como um certificado provisório da Anac, atestando a adequação do projeto aos requisitos de certificação da categoria transporte. Segundo a Embraer, o avião está em campanha de ensaios, progredindo de forma “extremamente satisfatória”, atingindo os objetivos de desempenho e capacidade estabelecidos, e já tem acumuladas mais de 1.800 horas de voo. Para concluir a campanha de certificação, é preciso atingir 2.000 horas de voo.

*Com informações do Jornal Valor Econômico

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