Forças Especias Brasileiras: “Qualquer missão, em qualquer lugar, a qualquer hora, de qualquer maneira….”

O lema no título é do 1º Batalhão de Forças Especiais do Exército Brasileiro, mas representa os operadores especiais de todo o país.

Por: Marcos Ommati

A missão de apresentar as forças especiais do Brasil não é tão difícil quanto a destes destemidos profissionais, membros das unidades de elite das Forças Armadas e da Polícia Federal brasileiras, mas não deixa de ser complicada.

Por mais que alguém se esforce em descrever de maneira fidedigna o treinamento, capacitação e trabalho extraordinários – na verdadeira acepção da palavra – dos chamados operadores especiais, as palavras ficarão aquém do que eles merecem.

O Exército Brasileiro (EB) foi o pioneiro em implementar atividades de operações especiais no Brasil. O primeiro Curso de Operações Especiais foi realizado no Rio de Janeiro, em 1957.

No entanto, foi só em 1968 que foi criado o Destacamento de Operações Especiais, primeira unidade deste gênero da força terrestre. Em uma segunda fase, já em 1983, cria-se o 1º Batalhão de Forças Especiais, com sede no Forte Camboatá, no Rio de Janeiro.

Vinte anos depois, estabelece-se a Brigada de Operações Especiais em Goiânia, Goiás, que em 2013 se converte no Comando de Operações Especiais (COpEsp) do EB.

“Somos um conjunto harmônico de especialistas de variadas ordens: paraquedistas, não paraquedistas, de emprego e apoioao combate, cuja integração, interoperabilidade e complementariedade traduzem a flexibilidade, a proficiência e a capacidade de dissuasão das Forças de Operações Especiais do Exército Brasileiro”, fala General de Brigada do EB Mario Fernandes, comandante do COpEsp.

Fome, frio e fadiga

Para fazer o Curso de Forças Especiais, o oficial ou sargento voluntário deve ter feito, obrigatoriamente, o Curso de Ações de Comandos, quando os alunos são submetidos às mais variadas situações de combate, em diferentes ambientes operacionais, durante 12 semanas.

“O curso pode resumir-se aos três fs: fome, frio e fadiga”, brincou o Tenente-Coronel do EB Ivan Hans, chefe do setor de Comunicação Social do COpEsp, e está subordinada ao Comando Militar do Planalto, estando vinculado, para fins de preparo e emprego, ao Comando de Operações Terrestres (Coter).

Suas organizações militares integram a Força de Ação Rápida Estratégica e apoiam as operações de todos os comandos militares de área do EB. E a demanda por operadores especiais no Brasil tem aumentado substancialmente nos últimos anos.

Isso se dá porque “a sociedade brasileira quer ver cada vez mais as Forças Armadas empregadas na resolução dos problemas que o país tem hoje, que não são pequenos”, disse o Gen Bda Mario.

“Por isso o Exército mantém a flexibilidade e tem se adaptado, tendo mudado o seu plano de instrução e adestramento, desde a instrução básica à qualificação. ”

Para tanto, foi preciso haver uma ampliação dos módulos de instrução dos operadores especiais, levando o COpEsp a ter a estrutura atual, com as unidades subordinadas apresentadas a seguir, mais a Base Administrativa do

Comando de Operações Especiais e o 6º Pelotão de Polícia do Exército, todos localizados em Goiânia, Goiás e, ainda, a 3ª Companhia de Forças Especiais (FORÇA 3), localizada em Manaus, e o Centro de Instrução de Operações Especiais (CIOpEsp), localizado no Forte Imbuí, Rio de Janeiro.

No CIOpEsp funcionam os cursos de Comandos, Forças Especiais, Caçador de Operações Especiais, Estágio de Mergulho de Ar Comprimido e Resgate e Estágio de Mergulho de Combate. A maioria dos que ali se formam dá continuidade às suas carreiras em Goiânia. As demais unidades subordinadas ao COpEsp são:

1º Batalhão de Forças Especiais (1º BFEsp)

É a unidade de elite do EB capacitada ao planejamento, condução e execução de operações de guerra irregular, contraterrorismo, fuga e evasão, inteligência de combate, contraguerrilha, guerra de resistência, ações psicológicas, reconhecimento estratégico e busca, localização e ataques a alvos estratégicos.

É considerada entre os próprios militares como a principal unidade de elite do EB. “Aqui, todo elemento operacional é possuidor dos cursos de comandos, do básico paraquedista e de forças especiais, no mínimo”, contou o Major do EB Juliano Trindade Martins de Campos, chefe da Seção de Operações do 1º BFEsp. “Em resumo, o batalhão tem condições de planejar, conduzir e realizar operações especiais”, completou.

1º Batalhão de Ações de Comandos (1º BAC)

É uma unidade de elite do EB com mobilidade estratégica e capacitada ao planejamento, condução e execução de ações de comandos, que são operações militares normalmente caracterizadas como incursões de longo alcance contra alvos inimigos de elevado valor e desenvolvidas em áreas hostis ou sob o controle do inimigo.

“O batalhão é composto por três companhias, sendo duas para o emprego e uma para a formação; nossas operações são caracterizadas pelo sigilo, pelo poder de choque e pelo alto grau de risco”, revela o Capitão do EB Jonas Nascimento Serpa, chefe da Seção de Operações do 1º BAC.

1º Batalhão de Operações Psicológicas (1º BOpPsico)

Chamada de arma não-letal, é a tropa operacional que possui o maior número de missões reais, desde a criação da Brigada de Operações Especiais, em 2003.

“A formação do operador que atuará neste sistema realiza-se no Curso de Operações Psicológicas, destinado a oficiais e sargentos, e que tem a duração de 17 semanas. Nele, o aluno entra em contato com assuntos relacionados à doutrina básica, fundamentos de sociologia, antropologia, psicologia, comunicação e estatística, técnicas, táticas e procedimentos operacionais, organização e emprego de turmas táticas e destacamentos, estudo e análise de operações psicológicas, além de assessoramento de Estado-Maior. Para os sargentos, que atuarão como técnicos, são ministrados conhecimentos em programas de edição (gráfico, áudio e vídeo) e mídias sociais”, explicou o Tenente-Coronel do EB Sérgio Murilo Pereira da Silva, comandante do 1º BOpPsico.

Os militares que integram o 1º BOpPsico estão em constante adestramento e missões no Brasil e no exterior. Dentre as operações já realizadas por esta unidade, destaca-se a participação na Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti (MINUSTAH 2004-2016) e os grandes eventos (Copa do Mundo 2014 e Olimpíadas e Paralimpíadas 2016).

Batalhão de Apoio às Operações Especiais (BapOpEsp)

“É a unidade responsável pelo apoio logístico especializado, como prover e manter materiais de atividades aquáticas e aero terrestres”, disse o Coronel do EB Marcelo Gonçalves de Jesus, comandante do BapOpEsp. “Tem, ainda, a missão de instalar, operar e manter o sistema de comando e controle do COpEsp em operações. ”

Além disso, faz parte do batalhão a Seção de Cães de Guerra, que prepara os cachorros para participar especificamente em ações de operações especiais.

“Os cães que participam destas missões têm que ser especiais, por isso estamos buscando uma linhagem nova, onde a seleção é pautada primordialmente pela funcionalidade, ou seja, queremos reunir um grupo de animais que contenha as características necessárias num contexto de operações desta natureza”, explica o Capitão do EB Leonardo Pullice de Almeida, chefe da Seção de Cães de Guerra.

Companhia de Defesa Química, Biológica, Radiológica e Nuclear (Cia DQBRN)

A Cia DQBRN é uma extensão do 1º Batalhão de Defesa Química, Biológica e Nuclear, localizado no Rio de Janeiro. Ambas as unidades são as únicas do gênero no EB, e seus integrantes são treinados principalmente para o controle e a descontaminação de armas, locais e de pessoal.

No COpEsp se encontra, também, um dos maiores simuladores de salto da América Latina. Militares de vários países amigos, incluindo os Estados Unidos, usam o popularmente chamado túnel de vento como preparação para suas ações de combate ao terrorismo.

O Capitão do EB Antônio Carlos Pereira, coordenador da Seção de Queda Livre, explicou que o equipamento, de fabricação americana, chegou em 2007 e começou a operar em 2008.

“Aqui, além do simulador de queda livre, há também um simulador de navegação, ou seja, é uma estrutura completa para os saltadores livres de unidades de operações especiais das Forças Armadas e polícias brasileiras e de nações amigas que venham treinar conosco”, contou o Cap Pereira.

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