Geopolítica, Estrategistas, Coronavírus e reunião de líderes do planeta para #covid19 – José Ananias Duarte Frota- Cel QOBM RR

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                   José Ananias Duarte Frota – Cel BM RR –(ESG-CAEPE)

A abordagem geopolítica permitiu a compreensão da influência de fatores geográficos nas decisões políticas dos Estados do Sistema Internacional. As duas escolas de geopolítica, a teoria do Estado Orgânico e a de Geoestratégia desenvolveram um arcabouço teórico que explica como a geografia seria fundamental para definir a prática política dos Estados.

A teoria Organicista desenvolveu importantes conceitos como o ‘espaço vital’ e a ‘lei de crescimento dos espaços’, no entanto, a influência das ciências naturais e do darwinismo em seu arcabouço teórico, tornou a geopolítica em uma espécie de teoria do ‘determinismo geográfico’.

A Geoestratégia, por seu lado, conseguiu desenvolver uma teoria sistêmica que fornecia recomendações políticas e estratégicas para serem aplicadas pelos governantes dos Estados. Dentre os autores que mais se destacaram nesta escola estava o geógrafo inglês Halford John Mackinder, e na Real Sociedade Geográfica de Londres, em uma conferência que leva por nome The Geografic Pivot of History, sua teoria geopolítica e estratégica do poder terrestre.

Mackinder que desenvolveu a teoria do ‘coração continental’, região central da Eurásia que não poderia ser atacada por uma potência marítima e que teria o potencial de dominar todo o mundo através de sua fortaleza continental.

Mackinder então, começou a identificar quais as características físicas que foram, na história mundial, mais coercitivas nas ações dos homens, procurando “alguns aspectos da causalidade geográfica na história universal”.  Segundo este conceito de Mackinder, os processos históricos seriam condicionados pela realidade geográfica, tais como, o relevo, o espaço, a posição, os recursos naturais e o clima. A geografia física era um dado da realidade que dificilmente seria modificado, mesmo com as inovações tecnológicas. Para Mackinder, a geografia continuaria sendo o fator mais constante na história universal.

Mackinder expressou na sua famosa hipótese:

“Quem domina a Europa oriental controla o coração continental; quem domina o coração continental controla a ilha mundial; quem domina a ilha mundial controla o mundo”.

Como a Itália na Europa trouxe o primeiro contágio do Coronavírus parece que Mackinder tinha razão, naquele conceito, “os processos históricos seriam condicionados pela realidade geográfica, tais como, o relevo, o espaço, a posição, os recursos naturais e o clima”. Mas na sua época não havia uma perspectiva ou cenário futuro de uma disseminação contínua do coronavírus, oficialmente batizado como COVID-19. Assim nesta conexão com a Geopolítica acrescentaríamos “os processos históricos seriam condicionados pela realidade geográfica, tais como, o relevo, o espaço, a posição, os recursos naturais, o clima e o Virus”.

Segundo Wirtz (In: BAYLIZ et al.eds.,2002), se durante a Guerra Fria a chamada “alta política” (high politics) dominava a agenda de segurança internacional, com questões como guerra e paz, dissuasão nuclear e controle de armamentos no centro das preocupações securitárias, no cenário que se delineia após o fim deste período ganha espaço a chamada “baixa política” (low politics), trazendo para o centro das discussões problemas relacionados ao meio ambiente e à escassez de recursos, por exemplo e agora uma política Internacional contra o Coronavírus. Avalio que hoje a “alta política” (high politics) na agenda de segurança internacional, é o COVID-19.

O General Meira Mattos diz que “em termos genéricos entendemos geopolítica como ‘a política aplicada aos espaços geográficos’”. Para ele, “este conceito, por sua amplitude, cobre todos os demais, com o mérito de evitar a polêmica retórica sobre o assunto” (1984:3).

Segundo o referido general, “o mais sintético e abrangente conceito de Geopolítica é de Ratzel: ‘espaço é poder’” (MEIRA MATTOS, 1975, p. 5). Portanto o Coronavírus amplia seu espaço internacionalmente e expande seu poder de vítimas em nível global.

Se ‘espaço é poder’” onde a Geopolítica pode ser considerada como um estudo dos precedentes históricos em função dos ambientes geográficos estamos segundo virologista australiano Ian M Mackay, PhD (EIC), com cenário critico de COVID-19; “Provavelmente será pandemia e todos devemos nos preparar agora”.

A agenda do período anterior ao Coronavírus demandava dos Estudos Estratégicos, segundo Lawrence Freedman: Uma compreensão da política internacional, o conhecimento do pensamento político nos escalões mais altos das capitais-chaves do mundo, sensibilidade em relação a alianças estratégicas e conhecimento técnico das propriedades dos sistemas de armas e como os mesmos podem ser empregados.

Hannah Arendt, prossegue sua definição do espaço público utilizando a metáfora da “mesa”, evidenciando, com isso, o caráter único desse espaço ao permitir a reunião dos homens em um lugar comum de debate: Conviver no mundo significa essencialmente ter um mundo de coisas interposto entre os que nele habitam em comum, como uma mesa se interpõe entre os que se assentam ao seu redor; pois, como todo intermediário, o mundo ao mesmo tempo separa e estabelece uma relação entre os homens.

Max Weber ensina que a política é como a perfuração lenta de tábuas duras. Exige tanto paixão como perspectiva. Certamente, toda experiência histórica confirma a verdade – que o homem não teria alcançado o possível, se repetidas vezes não tivesse tentado o impossível.

Segundo J.E Lastres Cassiolato: ”Na perspectiva do Sistema de Inovação, o desempenho inovador depende não apenas das empresas e do desempenho das organizações de P&D, mas também de como eles interagem, entre eles e outros agentes. Por esta razão, a capacidade de inovação deriva da confluência de fatores específicos sociais, políticos, institucionais e culturais e do ambiente em que operam os agentes econômicos. Diferentes trajetórias de desenvolvimento contribuem para moldar sistemas de inovação com características bastante diversas que possibilitam a validação e a força da abordagem de sistemas de inovação”.

Temos que agregar líderes de todo o planeta, e em sinergia direcionar um produto contra o Coronavírus, através de um Sistema de Arma (vacina) em uma mesa e na integração para perfuração lenta de tábuas duras objetivando moldar sistemas de inovação contra este inimigo.

Em grande parte dos países do globo terrestre, os conceitos de segurança e defesa nacional continham e continuam contendo um grau de amplitude muito significativo, mesmo nos tempos atuais, sendo caracterizados por uma tendência de expansão do conceito de defesa. Nesta conjuntura do Coronavírus, sob a ótica do conceito de segurança nacional, a defesa nacional e a segurança interna importante confundirem-se e a expandirem- -se para incluírem, virtualmente, todas as políticas dos respectivos países contra este criminoso nº 1 conforma a Organização Mundial de Saúde.

José Ananias Duarte Frota- Cel QOBM RR
Membro do Conselho Nacional  de Proteção e Defesa Civil-CONPDEC-SEDEC/MI
Assessor de Pesquisa e Estudos Técnicos do Conselho Nacional de Gestores Estaduais de Proteção e Defesa Civil-CONGEPDEC
 
Não importa a direção do vento, o importante é ajustar as velas!(parafraseado)