GEOPOLÍTICA, GEOESTRATÉGIA, GEOLOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO NACIONAL NO ATAQUE AO CORONAVIRUS – José Ananias Duarte Frota- Cel BM RR (ESG-CAEPE)

 

GEOPOLÍTICA, GEOESTRATÉGIA, GEOLOGÍSTICA E MOBILIZAÇÃO NACIONAL

                                  José Ananias Duarte Frota- Cel BM RR (ESG-CAEPE)

 

“Planejamento é um sistema de escolhas sucessivas e hierarquizadas entre alternativas que se prefiguram dentro de um universo de conhecimentos em expansão dirigida, com o propósito de racionalizar e orientar a ação com vistas à consecução de determinados fins – dadas, de um lado, certa disponibilidade estimada de recursos e, de outro, uma série, também estimada, de obstáculos.”

                                            (Couto e Silva)

 

A Soberania e a Defesa de um país são garantidas, em último argumento, pela existência e emprego de Forças Armadas (FA) com boa formação, adestradas e dotadas de material bélico, capazes de sustentarem e imporem a sua vontade a um oponente.

A Sociedade, por meio do Estado, é a responsável pela previsão e provisão de pessoal e material para a Defesa de seu território, povo e riquezas. Além do elemento humano, fundamental para o sucesso nas operações militares, os materiais empregados devem ser adequados e suficientes para proporcionar a vitória sobre o inimigo, objetivo fundamental de uma força armada

Somam-se a isso a complexidade de um mercado globalizado, a constante evolução tecnológica, a acentuada concorrência entre as redes de negócios, o que imprime um ritmo dinâmico a todo o processo de produção e distribuição. Os papéis dos atores estão bem definidos. Aos gestores cabe entender onde começa e finaliza a cadeia de negócios de suas organizações, desde o suprimento à distribuição, passando pela cadeia reversa, responsável pela gestão dos materiais, produtos e informações que, em um processo de feedback, retornam para a cadeia de negócios.

Para entender esse intrincado sistema de logística é preciso que esses profissionais tenham uma visão sistêmica – e não pontual – do empreendimento. Às organizações compete, entre outras ações, interagir com o ambiente interno dando prioridade à integração interdepartamental, de tal forma que missão, estratégias, objetivos, processos e resultados sejam preservados.

E interagir igualmente com o ambiente externo, junto a fornecedores, transportadores, distribuidores, governo e outros. Ao poder público cumpre compreender as variáveis – intrínsecas e extrínsecas – da competição global, com o propósito de proporcionar meios efetivos para a construção de infraestrutura logística capaz de permitir, de forma competitiva, a produção e mobilidade das riquezas geradas pelo processo produtivo nacional. Rodovias, ferrovias, aerovias, transporte aquaviário, dutovias e infovias devem ser geridas de forma social e ambientalmente adequada.

Poder Nacional

Estudando a Cratologia (Estudo do Poder), na Escola Superior de Guerra, define-se que o Poder Nacional é a capacidade que tem o conjunto de Homens e Meios que constituem a Nação para alcançar e manter os Objetivos Nacionais, em conformidade com a Vontade Nacional.

Segundo a Escola Superior de Guerra, “racionalizar essa ação política é, pois, em última análise, aproveitar, no limite das condições o uso de meios para atingir determinados fins. O que se quer racionalizar é a destinação e o emprego do Poder Nacional para a conquista e a manutenção dos Objetivos Nacionais, buscando, além disso, aliar o máximo de eficácia ao mais alto nível ético, tanto na identificação e no estabelecimento dos objetivos quanto na sua conquista e manutenção”.

Assim, a Nação atribui ao Estado um poder, a ser exercido pelo Governo, mandatário daquela. Este poder do Estado, ou poder estatal, corresponde, destarte, ao segmento politicamente institucionalizado do Poder Nacional. Por seu turno, e em nível mais abrangente, o conceito de Poder Nacional destaca o papel do homem em sua composição, para que ele não figure apenas como mais um daqueles meios de que o poder dispõe, valorizando, assim, sua tríplice condição de origem do Poder Nacional, de agente principal de seu emprego e de destinatário final dos resultados assim obtidos.

Poder Nacional é a capacidade que tem o conjunto dos homens e dos meios que constituem a Nação, atuando em conformidade com a vontade nacional, para alcançar e manter os objetivos nacionais. Manifesta-se em cinco expressões: a política, a econômica, a psicossocial, a militar e a científica e tecnológica. (ESG).

Potencial e Poder

Em face da característica dinâmica do Poder Nacional, meios disponíveis para serem empregados em dado momento poderão perder essa condição. Por outro lado, meios não disponíveis poderão, mediante adequado preparo, tornar-se suscetíveis de emprego futuro.

Assim, é fundamental conhecer o estado em que se encontra o Poder Nacional no momento de sua avaliação e prever aquele em que se encontrará, quando de sua aplicação.

Destas considerações decorrem vários entendimentos.

Assim sendo, o Poder Nacional Atual encerra a noção de elementos existentes, prontos e disponíveis para a aplicação imediata, visando alcançar determinado fim.

Da mesma forma, o Potencial Nacional é o conjunto de Homens e Meios de que dispõe a Nação, em estado latente, passível de ser transformado em Poder; e Potencial Nacional Utilizável é a parcela do Potencial Nacional passível de ser transformada em Poder em um prazo determinado. Essa transformação é obtida por meio de medidas de mobilização.

O Poder Nacional Atual pode sofrer desgaste, vindo a ser reduzido no futuro; mas pode vir a ser maior à medida que os resultados da transformação do Potencial Nacional em Poder superem os efeitos decorrentes daquele desgaste.

Apesar de possuir o poder decisório, a Expressão Política não é independente e onipotente. Necessita de condições econômicas e da capacidade militar para garantir a segurança soberana de suas ações.  Pode-se concluir que, o valor e a convergência da Expressão Política, da Expressão Econômica e da Expressão Militar são os pilares dinâmicos do Poder Nacional no contexto mundial.

Também é oportuno lembrar que estudamos a Expressão Política quando analisamos seus fundamentos, fatores e órgãos/sistema dos fundamentos destacamos o povo, o território e as instituições políticas. A potência e a capacidade destas Expressões do Poder Nacional dependem diretamente da população em função de sua formação histórica e cultural, interesse e aspirações, tradições, além da sua estruturação social, assim como de sua capacidade tecnológica. Ou seja, abaixo das três expressões mais dinâmicas para o exercício do Poder Nacional, existe uma plataforma de suporte que vem a ser a Expressão Psicossocial e a Expressão Científico-tecnológica.

Já a Projeção do Poder Nacional pode decorrer naturalmente ou como resultado desejado de uma afirmação pacífica de presença no contexto internacional, sendo resultante de manifestações de todas as Expressões do Poder Nacional, tais como projeção cultural, política, econômica, científica-tecnológica, militar e outras.

Na prática da projeção do poder, não necessariamente estão embutidas as noções e práticas de império, domínio ou imposição de vontades que contrariam a índole do povo brasileiro e, ainda, os ditames de sua Carta Magna, a Constituição Federal. Assim, uma logística eficiente, fortalece o Poder Nacional na comunidade internacional, tonifica a Geopolítica, a logística humanitária, e a segurança hemisférica da América do Sul.

Logística humanitária

O conceito de logística humanitária foi desenvolvido a partir dos objetivos da logística de vencer tempo e distância na movimentação de materiais e serviços de forma eficiente e eficaz. De acordo com Almeida Ribeiro (ESG,2011), esse conceito que vem sendo desenvolvido e aplicado principalmente em países da Europa e nos Estados Unidos, mas que ainda é muito recente no Brasil. A logística humanitária é a função logística exercida para assegurar, com eficiência e eficácia, o fluxo de suprimentos e pessoas com o propósito de salvar vidas e aliviar o sofrimento de pessoas afligidas por desastres (adaptado de Thomas, 2004). Tal conceito destaca não somente a eficiência, mas também a eficácia, ou seja, o auxilio deve chegar ao seu destino na medida certa, no tempo certo, na qualidade exigida e com o menor custo possível.

Segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha (apud Meirim,2007):

“Logística humanitária são processos e sistemas envolvidos na mobilização de pessoas, recursos e conhecimento para ajudar comunidades vulneráveis, afetadas por desastres naturais ou emergências complexas. Ela busca à pronta resposta, visando atender o maior número de pessoas, evitar falta e desperdício, organizar as diversas doações que são recebidas nestes casos e, principalmente, atuar dentro de um orçamento limitado.”

Apesar de a logística humanitária ter semelhanças com a cadeia de abastecimento comercial, em termos de estrutura e atividades logísticas, a logística humanitária difere em vários aspectos. O caráter imprevisível, dinâmico e caótico do ambiente no qual a cadeia de assistência humanitária está inserida é único e tem características próprias.

A logística visa, essencialmente, ao atendimento das necessidades. O atendimento básico a uma comunidade em situação de emergência é o consumo de água potável. O objetivo da Logística é de ornar disponíveis produtos e serviços no tempo, no lugar, na forma e nas condições desejadas, do modo mais lucrativo ou menos dispendioso para as cadeias de suprimentos.

A logística Humanitária com premissa de socorro à população pode ser vista como um triângulo, que recebe o nome de Triângulo de Planejamento Logístico, tendo no centro o nível de serviços e nos vértices as três grandezas da logística – o estoque, o transporte e a localização. Portanto, a Logística Humanitária é fundamental para as atividades de Defesa Civil.

A importância da Logística Humanitária, em desastres.

Importante criar diretrizes para socorro às vítimas em caso de catástrofes na América Latina, principalmente neste caso do Coronavírus, agregando valor ao Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil e com aderência ao Marco de Sendai.

A defesa civil ou proteção civil é o conjunto de ações, públicas e privadas, de planejamento, preventivas, de socorro, assistenciais e reconstrutivas destinadas a evitar ou minimizar os desastres naturais e os incidentes tecnológicos ou mistos, preservando o bem estar da população, a dignidade da pessoa humana e restabelecendo a normalidade social, em especial através da capacitação da população e de agentes públicos em lidar com as situações de emergências. Dependendo do país e da época, a defesa civil recebe a designação de “defesa passiva”, “segurança civil” ou “gestão de emergências”.

Atualmente existe a campanha do Escritório das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres (UNISDR), com base nos marcos de Hyogo (2005-2015) e Sendai (2015-2030). O Marco de Sendai para a Redução do Risco de Desastres 2015 – 2030, foi aprovado na Terceira Conferência Mundial das Nações Unidas para a Redução do Risco de Desastres realizada na cidade de Sendai, Japão de 14 – 18 de março de 2015, representando um grande avanço sobre o Marco anterior (o Marco de Ação de Hyogo). O novo Marco tem como meta alcançar nos próximos 15 anos: a redução substancial dos riscos de desastres e perdas de vida, meios de subsistência e saúde e dos ativos econômicos, físicos, sociais, culturais e ambientais das pessoas, empresas, comunidades e países.

O Marco de Sendai abrange riscos de pequena e grande escala, de frequência intensa ou eventual, desastres súbitos e de caminhamento lento, causados pelos riscos naturais e os de ação antrópica bem como os riscos e perigos ambientais, tecnológicos e biológicos relacionados. Tem por objetivo guiar o gerenciamento dos desastres a partir de um enfoque multirrisco e multissetorial. O novo Marco tem um foco maior na prevenção do risco, estabelece diretrizes principais, propõe sete metas, estabelece uma articulação clara entre as ações à nível nacional, local e regional, e global, destaca as ações de reconstrução e saúde, e define as responsabilidades de todas as partes interessadas.

Geografia Militar e a Geopolítica

Segundo Filipe Giuseppe Dal Bo Ribeiro, o conhecimento do território é uma das matérias fundamentais que todo o comandante e seus encarregados devem estudar, é importante desde o comando das menores unidades de combate até nos mais altos escalões, onde se discute a estratégia e se desenvolve o conhecimento da geografia. Não podemos considerar apenas as condições do terreno, mas do território com todas as suas complexidades, este último sempre foi de extrema importância na análise, estruturação e execução de qualquer problema bélico que se apresente. Toda solução a uma situação tática ou estratégica requerem o conhecimento prévio do cenário de onde vai se atuar.

A geografia militar surgiu como um ramo da geografia geral que estuda os fatores geográficos humanos, físicos, econômicos, políticos e militar e suas relações espaciais correspondente ao cenário de guerra, e interpretá-los para deduzir a influência que exercem na condição militar. Mas esta disciplina é tão antiga quanto à própria guerra e, certamente, mais antiga que a ciência geográfica universitária que é datada do século XIX, portanto, surgiu para apoiar ainda mais os impérios europeus em sua expansão, a partir de então, com o caráter mais cientificista. A geografia militar se orienta, sobretudo, para aproveitar as vantagens e avaliar os inconvenientes, que os fatores geográficos representam no cerne social da guerra, contribuindo como base fundamental para organização das forças armadas.

Considerado o primeiro tratado sobre a guerra a Arte da Guerra de Sun Tzu, descreve e analisa o período da Primavera e Outono (722-481 a.c). Nele, o estrategista, expõe de maneira brilhante questões sobre tática, estratégia, geografia (os sete tipos de terreno), e sobre as questões militares (organização, logística, disciplina). É verdade que os teóricos colocam em questão a existência de Sun Tzu, dizendo que ele talvez represente uma escola teórica marcial, assim como Sócrates entre os gregos, e sim o conteúdo referente a geografia aplicada ao exercício marcial em sua época e a evolução do uso aplicado da geografia em diferentes momentos e referentes aos teórico mais eminentes de cada momento. “Alguém que não está familiarizado com as montanhas e florestas, gargantas e desfiladeiros, com a forma dos charcos e pantanais, não pode fazer avançar o exército. Quem não lança mão de guias locais não pode obter vantagens do terreno” (SUN TZU, 2006:91)

No clássico Da Guerra (Vom Krieg) de Carl von Clausewitz temos uma discussão sobre a teoria da guerra e sobre o que para ele significava o conceito de estratégia. Podemos extrair que a estratégia está relacionada com os planos, objetivos, ações; que não necessariamente serão concretizados, mas irão balizar o confronto de maneira geral. Clausewitz reconheceu cinco elementos da estratégia, expressos como: elementos psicológicos, incluindo a questão da moral; a força militar, incluindo seu tamanho, composição e organização; a geometria da situação, incluindo as posições relativas ao movimento das forças, os obstáculos, canais de ação, objetivos e etc; terreno, incluindo montanha, rios, florestas e estradas, que pode influenciar as atividades militares; apoio, incluindo o meio e as fontes. A estratégia ao encontrar dificuldades no campo de batalha deve recorrer ao apoio tático da Geografia Militar que através das condições momentâneas pode fazer valer os planos idealizados pela estratégia.

A estratégia (…) tem uma finalidade para o conjunto do ato de guerra que corresponda ao objetivo da guerra. Quer dizer: estabelece o plano de guerra determina em função do objetivo em questão uma série de ações que a ele conduzem; elabora, portanto, os planos das diferentes campanhas e organiza os diferentes recontros destas ações. Dado que todas essas decisões em grande parte só poderão assentar em suposições que nem sempre se realizam, e que um grande número de outras disposições mais detalhadas não podem ser tomadas antecipadamente, resulta que a estratégia tem de acompanhar o exército no campo de batalha para que, no próprio local, se tomem as disposições de detalhe necessária e se proceda às modificações gerais que se impõem incessantemente. (CLAUSEWITZ, 2003:171)

Geopolítica e Geoestratégia

Conforme, Uraci Castro Bonfim, no curso de política, estratégia e alta administração do Exército, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército-ECEME, nos orienta que, “a Geopolítica é um estudo dos Estados em sua relação no contexto mundial, é também recomendável rever-se o conceito de centros de poder, como: Países, grupos de países, organizações internacionais, multinacionais ou transnacionais, que atuam no cenário internacional como elementos de pressão em relação ao atendimento de seus interesses, influenciando ou participando de decisões significativas quanto a políticas e estratégias de nações ou das demais nações”.

“É oportuno, nestas considerações, relembrar o entendimento de Geoestratégia, para um melhor entendimento da importância da Geopolítica e sua relação com as estratégias adotadas pelos Estados, além de dirimir dúvidas expostas pelas várias interpretações, muitas vezes incorretas sobre o que realmente vem a ser. Vimos que Política é a arte de fixar os objetivos pretendidos, preparar e aplicar o poder, para sua conquista e a manutenção, e que Estratégia é a arte de preparar e aplicar o poder, para a conquista e manutenção dos objetivos fixados pela Política. Quando a Política recebe influências geográficas na fixação dos seus objetivos, segundo Beckheuser e outros estudiosos do assunto, está-se tratando de geopolítica. Da mesma forma, quando a Estratégia no preparo e aplicação do poder, para conquistar e manter os objetivos fixados pela Política, recebe influência das condições geográficas, está-se tratando de Geoestratégia”.

Nosso antigo professor da Escola Superior de Guerra, coronel reformado do Exército, Roberto Machado de Oliveira Mafra, que em 2004 deixou a ESG após 21 anos de serviço nos ensina em “Doutrina de Ação Política”, assim se exprime: Estratégia é a arte de preparar e aplicar o poder, para a conquista e manutenção dos objetivos fixado pela Política.

“Geoestratégia é a arte de preparar e aplicar o poder para a conquista e a manutenção dos objetivos fixados pela Política, quando em decorrência das condições geográficas”.

Geopolítica, Geoestratégia e Geologístíca

O grande objetivo com Logística na Geopolítica da Américas, além de buscar desenvolver conhecimentos, confiança mútua e compartilhar experiências, avalio estabelecer um centro de coordenação logística multinacional onde possa se concentrar dados e informações que favoreça a rápida mobilização das forças militares para atender as populações em calamidades. A existência de um centro como este, um depositório de conhecimento, facilitaria qualquer tipo de operação que nós precisemos realizar.

De outra maneira, se pode definir parceria como um processo pelo qual diferentes atores acordam um meio de alcançar um objetivo específico, o qual representa a soma do esforço e da vontade das duas partes. Por isso, tal relação implica em os atores envolvidos terem um princípio de responsabilidade mútua, pois o resultado de sua parceria chega através da sua articulação e integração no determinado projeto.

As parcerias em geral se diferem através dos seus valores individuais, a percepção de risco, interesses, objetivos e experiências históricas. Nesse cenário destacam-se a importância das potências globais e regionais nas parcerias, essas podem ser potenciais parceiros estratégicos para qualquer Estado. A estratégia estabelece os meios que serão utilizados para alcançar os objetivos de longo prazo.

O General Meira Mattos diz que “em termos genéricos entendemos geopolítica como ‘a política aplicada aos espaços geográficos’”. Para ele, “este conceito, por sua amplitude, cobre todos os demais, com o mérito de evitar a polêmica retórica sobre o assunto” (1984:3).

O nosso mestre General Meira Mattos da Escola Superior de Guerra diz que “em termos genéricos entendemos geopolítica como ‘a política aplicada aos espaços geográficos’”. Para ele, “este conceito, por sua amplitude, cobre todos os demais, com o mérito de evitar a polêmica retórica sobre o assunto” (1984:3).Segundo o referido general, “o mais sintético e abrangente conceito de Geopolítica é de Ratzel: ‘espaço é poder’” (MEIRA MATTOS, 1975, p. 5).

Se a “geopolítica é ‘a política aplicada aos espaços geográficos’”, a Logística aplicada em função dos ambientes geográficos pode ser denominada em “Geologística”. Lembremos que a “Geoestratégia é a arte de preparar e aplicar o poder para a conquista e a manutenção dos objetivos fixados pela Política, quando em decorrência das condições geográficas”. Ouso definir a “Geologística”:

Geologística é o conjunto de pessoal, instalações, equipamentos, doutrinas, procedimentos e informações, apoiado por uma infraestrutura de tecnologia da informação e comunicações (TIC), atuando como agente catalisador de disponibilização de informações gerenciais proporcionando um apoio logístico adequado e contínuo na Geoestratégia.

Esta pretensão de definição buscamos na Doutrina de Logística Militar -MD42-M-02(3ªEdição/2016), com fundamentos da Logística Militar, no Conceitos 2.1.1:

 O Sistema de Logística de Defesa (SISLOGD) é o conjunto de pessoal, instalações, equipamentos,  doutrinas,  procedimentos  e  informações,  apoiado  por  uma  infraestrutura de tecnologia da informação e comunicações (TIC), atuando como agente catalisador de disponibilização  de  informações  gerenciais  de  interesse  da  Logística  de  Defesa,  seja  no âmbito dos órgãos da Administração Central do MD, seja no âmbito das Forças Armadas (FA). O SISLOGD irá proporcionar um apoio logístico adequado e contínuo à Expressão Militar do Poder Nacional, em situação de paz ou de guerra.

General Carlos de Meira Mattos adverte que:

“O inglês Arnold Toynbee, na sua extraordinária obra “A Study of History”, como que cria uma escola geopolítica – do desafio e da resposta. Funde as escolas Possibilistas e Determinista com a teoria de que não há  geografia insuficiente nem homem geneticamente superior e diz: na luta imemorial do homem para dominar a geografia, foram vitoriosas as sociedades humanas capazes de responder ao desafio do meio físico e das suas próprias contradições psicossociais, e  fracassadas aquelas que não tiverem capacidade de responder a este desafio.”

Mobilização Nacional

No dia 21 de outubro de 2019, o estimado amigo Coronel Antônio Celente Videira, chefe da Divisão de Assuntos de Logística e Mobilização da Escola Superior de Guerra – ESG lançou o livro “Da Industrialização Militar à Mobilização Nacional”.  Segundo o Assistente Militar do Exército na ESG, General de Brigada Martin, “o livro é atual e relevante para o tema de defesa nacional que deve ser encarado como um trabalho conjunto entre Forças Armadas e sociedade”.

O Comandante da ESG, Almirante de Esquadra Alipio Jorge Rodrigues da Silva, ressaltou no seu discurso a importância da obra para a Escola: “o livro mostra a alta qualidade dos nossos projetos que muitas vezes contam com a colaboração de vários profissionais, inclusive de fora da Escola”.

Estamos em Guerra e devemos estar preparados para esta ameaça que foi definida pela Organização Mundial da Saúde – OMS como “inimigo público mundial nº 1”.

Sobre a “Capacidade de Mobilização Militar” a Escola Superior de Guerra, estabelece:

Entende-se por Capacidade de Mobilização Militar o conjunto de atividades planejadas, orientadas e empreendidas pelo Estado, desde a situação de normalidade, com o propósito de preparar a Expressão Militar para a passagem da estrutura de paz para a estrutura de guerra, para fazer frente a uma situação de emergência, decorrente da iminência de concretização ou efetivação de uma Hipótese de Emprego (HE).É de elevada importância o planejamento da Mobilização Nacional, desde os tempos de paz, para que seja assegurada eficácia em sua execução, quando em situação de emergência. Afinal, a capacidade de mobilização retrata, em síntese, a maior ou menor possibilidade de durar na luta, condição geralmente indispensável para se alcançar a vitória.

Estes são fatos portadores de futuro traduz, que se o SINAMOB estivesse atuando outras ações estratégicas seriam concretizadas conforme anteriormente escrevemos e divulgamos.

A Ambev anunciou nesta terça-feira, 17, que vai produzir 500 mil unidades de álcool gel para distribuir a hospitais da rede pública nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro e no Distrito Federal, onde há maior número de casos confirmados do novo coronavírus. Cada unidade de saúde receberá 5 mil frascos. A companhia vai utilizar a linha da cervejaria em Piraí, no Rio de Janeiro, para produzir etanol e 500 mil embalagens.

No dia 18, o governo britânico pediu a várias empresas, incluindo fabricantes de carros, que passem a produzir respiradores para infectados pelo coronavírus. Até agora, as inglesas Jaguar Land Rover e Rolls-Royce, além da Vauxhall, que faz parte do grupo francês PSA, já aderiram à iniciativa. A informação é do jornal britânico The Guardian.

 Poder, Potencial e Mobilização Nacional

Segundo a Escola Superior de Guerra: “Em face da característica dinâmica do Poder Nacional, meios disponíveis para serem empregados em dado momento poderão perder essa condição. Por outro lado, meios não disponíveis poderão, mediante adequado preparo, tornar-se suscetíveis de emprego futuro.

Assim, é fundamental conhecer o estado em que se encontra o Poder Nacional no momento de sua avaliação e prever aquele em que se encontrará, quando de sua aplicação.

Destas considerações decorrem vários entendimentos.

Assim sendo, o Poder Nacional Atual encerra a noção de elementos existentes, prontos e disponíveis para a aplicação imediata, visando alcançar determinado fim.

Anteriormente explicamos que   o Potencial Nacional é o conjunto de Homens e Meios de que dispõe a Nação, em estado latente, passível de ser transformado em Poder; e Potencial Nacional Utilizável é a parcela do Potencial Nacional passível de ser transformada em Poder em um prazo determinado. Essa transformação é obtida por meio de medidas de mobilização.

Lembremos que o Poder Nacional Atual pode sofrer desgaste, vindo a ser reduzido no futuro; mas pode vir a ser maior à medida que os resultados da transformação do Potencial Nacional em Poder superem os efeitos decorrentes daquele desgaste.

Poder Nacional Futuro é o conjunto dos Homens e Meios de que irá dispor a Nação, ao fim de um prazo determinado, para alcançar e preservar os Objetivos Nacionais.

Conhecido o estado atual e potencial do Poder Nacional, é fundamental que sua aplicação se efetue com eficiência e eficácia, evitando-se perdas que possam comprometer seu estado futuro. Para isso, as ações a empreender deverão estar ajustadas com a conjuntura e envolver a sociedade nacional, como agente beneficiária direta dos resultados. Essas condições exigem planejamento e condução adequados por parte dos representantes da própria sociedade nacional – o Governo – que, por delegação, aplicará a parcela do Poder Nacional que lhe é disponibilizada, para alcançar e preservar os Objetivos de Estado e de Governo, induzindo a participação da sociedade como um todo no processo. A essa parcela do Poder Nacional, disponibilizada aos representantes da sociedade para em seu nome atuar, denomina-se Poder Estatal.

Poder Estatal é a parcela do Poder Nacional disponibilizada ao Governo pela sociedade nacional para que sejam alcançados e preservados os Objetivos de Estado e de Governo (ESCOLA SUPERIOR DE GUERRA (Brasil), 2014, p.47)”.

Escrevemos em fevereiro com apoio do guerreiro Richard Guedes no site, https://www.defesa.tv.br/, um cenário sobre esta crise com aplicação de SINAMOB,

https://www.defesa.tv.br/sinamob-objetivando-integracao-de-esforcos-da-uniao-no-coronavirus-jose-ananias-duarte-frota-cel-bm-esg-caepe/ e depois, neste site o artigo: “GEOPOLÍTICA E GEOESTRATÉGIA NO ATAQUE AO CORONAVIRUS” avaliando inclusive no item VII- Expressões do Poder Nacional afetados inicialmente na China pelo Coronavírus e com repercussão mundial com ênfase no Brasil.

https://www.defesa.tv.br/geopolitica-e-geoestrategia-no-ataque-ao-coronavirus-jose-ananias-duarte-frota-cel-bm-esg-caepe/

 

                                                      “Onde não há visão, o povo perece”    

 

José Ananias Duarte Frota- Cel QOBM RR
Membro do Conselho Nacional  de Proteção e Defesa Civil-CONPDEC-SEDEC/MI
Assessor de Pesquisa e Estudos Técnicos do Conselho Nacional de Gestores Estaduais de Proteção e Defesa Civil-CONGEPDEC
Não importa a direção do vento, o importante é ajustar as velas!(parafraseado)

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