Governo envia nesta quarta dois aviões para resgatar brasileiros na China

Após a reunião interministerial nesta terça-feira (4), o governo decidiu enviar nesta quarta-feira (5) para a cidade de Wuhan, na China, duas aeronaves “VC 2” – Embraer 190 para o resgate dos brasileiros que desejam voltar ao Brasil.

O embarque ocorre ao meio-dia, com previsão de chegada na cidade chinesa na madrugada de sexta-feira (7). A expectativa é de que os voos retornem ao país na manhã de sábado (8), com desembarque direto em Anápolis.

As aeronaves são parte da reserva da presidência da República e foram cedidas pelo chefe do Executivo. A região é o epicentro do coronavírus. O número inicial de resgatados é de 29 pessoas, sendo sete crianças. Há ainda quatro familiares chineses entre os repatriados.

A base aérea de Anápolis foi o local definido para a quarentena dos resgatados. Eles poderão ser divididos em até três grupos: branco, amarelo e vermelho. O período de quarentena será de 14 dias, com margem de segurança de 18 dias.

“Fizemos o reconhecimento hoje com o ministério da Saúde, Defesa e Relações Exteriores a dois locais e ficou decidido que a quarentena será feita na base aérea de Anápolis, que tem boas condições e até chegarem os brasileiros, ficará melhor ainda dentro das condições sanitárias e de saúde que os protocolos estipulam. A base é uma área grande que as Forças Armadas possuem e tem condição daqueles brasileiros que chegarem, entrarem numa quarentena. Numa área branca, aqueles que não tem sintomas. Qualquer problema temos ainda condição de passar para a área amarela, todos com apartamentos individuais e, caso necessário, para uma área vermelha, que será uma evacuação aeromédica para o hospital das Forças Armadas em Brasília”, destacou o ministro da Defesa, emendando que aqueles que apresentarem sintomas ainda na China não embarcarão.  A coletiva ocorreu na noite desta terça-feira (4) no Palácio do Planalto.

“O presidente concordou em ceder suas duas aeronaves reservas VC 2 com capacidade para 30 passageiros cada um. Foi um gesto do presidente abrir mão da aeronave tendo em vista a precariedade dos meios que a Força Aérea atualmente tem e da burocracia e também da questão do custo”, disse Azevedo e Silva.

As aeronaves partirão da Ala 1, na Base Aérea de Brasília e realizarão paradas em Fortaleza; Las Palmas, na Espanha; Varsóvia na Polônia; Ürümqi, na China e, em seguida, Wuhan.

Ao todo, são 36 lugares na parte traseira do avião que contemplam mais seis de apoio médico, composta por uma equipe de profissionais de saúde do Instituto de Medicina Aeroespacial da Força Aérea.

Questionado sobre o uso de dois aviões diante do número de resgatados, Azevedo e Silva destacou que “quanto mais espaçado deixar os passageiros brasileiros é melhor porque diminui a possibilidade de contato. Então, se tivermos 30, 15 em uma e 15 na outra, é o ideal”, destacou.

O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, ressaltou que os brasileiros que retornarão deverão estar conscientes de que terão que cumprir quarentena para que não haja risco de contaminação no território nacional. Ele apontou ainda ser “essencial” que os brasileiros que desejam retornar mantenham contato com a embaixada brasileira em Pequim.

“Tem alguns brasileiros que não querem retornar, mas é importante saber que haverá um prazo de 24 horas antes do embarque para decidir a lista de brasileiros que querem embarcar no avião comuniquem a sua decisão”, disse.

O chanceler ainda prometeu encontrar uma solução para estudantes brasileiros bolsistas que voltarem. “Eles (estudantes) perguntaram sobre as bolsas a estudantes chineses, se podemos estender bolsas de estudos. Vamos ver como podemos fazer isso para ajudar, para que não percam pelo fato de voltar ao Brasil.

Tudo isso vamos tratar na medida das nossas possibilidades”, concluiu, dizendo que dois diplomatas da Embaixada em Pequim serão enviados para auxílio aos brasileiros no embarque de volta para o Brasil.

  • Por: Ingrid Soares / Correio Braziliense

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