Governo francês ameaça abandonar projeto do caça de 6ª geração caso Alemanha não mude política de exportação

Concepção artística do que pode vir a ser o Future Combat Air Systems (FCAS)

Segundo a revista alemã Der Spiegel, em uma publicação feita nesta sexta-feira dia 27, o governo francês ameaçou cancelar o projeto franco-alemão de desenvolvimento do caça de 6ª geração, conhecido como Future Combat Air Systems (FCAS), a menos que o governo Alemão concorde em permitir a exportação ilimitada das futuras aeronaves, mesmo para países envolvidos em conflitos. A publicação, cita como uma das fontes, um telegrama confidencial enviado pelo embaixador alemão na França ao MD alemão, relatando o posicionamento das autoridades francesas, durante reunião em Paris no último dia 21 de setembro.

O embaixador não pôde ser encontrado para comentar o fato, pois o mesmo é quem está supervisionando o projeto, por estar viajando. O projeto foi anunciado pela chanceler alemã, Angela Merkel, e pelo presidente francês, Emmanuel Macron , em julho de 2017, juntamente com planos para desenvolver um novo Carro de Combate. Durante a reunião de setembro, Claire Landais, secretária-geral da França para defesa e segurança nacional, disse que as exportações ilimitadas são “uma parte central do financiamento do projeto” e que a França considera “essenciais as garantias de longo prazo para futuras exportações do equipamento”, pontuou a Der Spiegel.

“Somente quando tais garantias forem feitas, a luz verde política pode ser oferecida para que bilhões de euros em investimentos possam de fato ser feito”, disseram as fontes citadas por Landais. Na semana passada, o chefe de defesa da Airbus, Dirk Hoke, alertou ao governo Frances, sobre a exigência de uma parte muito grande do programa, dizendo que isso poderia acabar com suas chances de aprovação pelo Parlamento alemão. A Airbus concordou em deixar seu concorrente, a francesa Dassault Aviation, assumir a liderança no desenvolvimento de uma nova aeronave de combate, mas isso não significava que a França administraria o projeto geral, que também incluirá aeronaves não tripuladas e outras armas, comentou Hoke ao site francês La Tribune.

A Dassault Aviation e Airbus, que são os respectivos parceiros industriais da França e da Alemanha no projeto, não comentaram o assunto. O relatório da Der Spiegel e os comentários de Hoke revelaram a continuação das tensões sobre o ambicioso empreendimento de dois países com pontos de vista muito diferentes sobre as exportações de armas. O governo Alemão interrompeu as entregas de armas à Arábia Saudita em protesto pelo assassinato do jornalista saudita Jamal Khashoggi dentro do consulado saudita em Istambul no último dia 2 de outubro. A reação da França ao caso fora de silêncio, já que Paris tenta manter sua influência em Riad e proteger as relações comerciais que abrangem energia, finanças e armamentos.

Macron disse nesta sexta-feira que, pedidos de vários países da União Europeia (UE), incluindo a própria Alemanha, de suspendem as vendas de armas para a Arábia Saudita desde que o assassinato de Khashoggi cheirava a “demagogia” populista. O presidente-executivo da Airbus, Tom Enders, criticou a posição da Alemanha em declarações ao Der Spiegel. “Berlim não pode exigir constantemente a cooperação europeia, mas depois recua quando chega a ser concreta”, comentou. O governo Alemão, acrescentou, de estarem sinalizando a Paris,  e que não consideravam a política externa e de segurança francesa responsável.

*Com informações de agências de notícias internacionais

You may also like

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Enter the text from the image below