Governo russo resolve unificar corporações aéreas Sukhoi e MiG

Holding resultante da fusão já promete ter primeiro avião elétrico do país em julho de 2021 e intensificar cooperação com América Latina e Ásia.

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Su-57. MOD Russia/Global Look Press

O governo russo anunciou a fusão de suas duas maiores e mais conhecidas empresas de aviação, a Sukhoi e a MiG, em uma grande holding chamada: “Divisão de Aviação de Batalha”, parte da United Aircraft Corporation (UAC). Os rumores sobre a possível fusão já rondavam a imprensa russa há meses.

A competição comercial entre as duas empresas durou décadas e resultou na demissão do diretor-geral da Sukhoi, Ígor Ozar. Seu homólogo da MiG, Iliá Tarássenko, ficou com o cargo na nova holding.

“A Sukhoi foi comercialmente mais eficaz que a MiG. Mas, surpreendentemente, foi o diretor da Sukhoi quem acabou demitido. Este é o resultado da rivalidade interna da elite russa”, afirma o editor-chefe da revista militar “Nezavíssimoie Voénnoe Obozrénie” (em português, “Observatório Militar Independente”), Dmítri Litôvkin.

Durante a presidência de Ozar, a Sukhoi assinou grandes contratos de exportação de bombardeiros Su-34 e caças Su-35 de múltiplas funções, concluiu o desenvolvimento do caça de quinta geração Su-57 e preparou-se para sua produção em série.

Além disso, entre 2011 e 2017, quando Ozar foi diretor da empresa, a Sukhoi se tornou a mais lucrativa fábrica de aviões da Rússia.

Em 2018, as receitas da Sukhoi ultrapassaram o US$ 1,5 bilhão, gerando um lucro líquido de US$ 550 milhões. Para efeitos de comparação, as receitas da MiG, no mesmo ano, foram de US$ 1,2 bilhão, com lucro líquido de cerca de US$ 500 milhões.

“A consolidação das principais capacidades de pesquisa e produção da indústria aeronáutica militar permitirá implementar os programas existentes e desenvolver projetos promissores de uma forma mais eficaz”, declarou o porta-voz da UAC.

“A Rússia moderna simplesmente não precisa de tantos aviões de combate como na época soviética. Assim, uma das principais razões para a fusão é a necessidade de diminuir os gastos do país com a aviação militar e tornar os projetos existentes mais comercialmente atraentes para os clientes estrangeiros”, diz Litôvkin.

Segundo analistas militares russos, a fusão não terá um impacto significativo sobre a indústria de aviação militar russa.

“A nova empresa continuará a trabalhar nos projetos existentes, entre eles o drone ‘Hunter’, caças Su-57 e MiG-35, o bombardeiro estratégico PAK DA, e desenvolverá um novo interceptor para substituir o MiG-31″, diz o editor-chefe da revista militar russa “Arsenal Otétchestva”, Víktor Murakhôvski.

“O principal objetivo é aumentar os lucros e oferecer aos clientes estrangeiros contratos mais atraentes. A nova empresa intensificará o trabalho no sudeste asiático e nos mercados de aviação da América Latina”, diz.

Segundo ele, o público poderá avaliar os primeiros resultados da holding em julho de 2021, durante a exposição militar MAKS-2021. “A empresa já prometeu apresentar o primeiro avião elétrico russo nesse show aéreo”, completou.

Fonte: Russia Beyond