Grupo terrorista nacionalista da Córsega ameaça o Estado francês com a retomada da luta armada

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Imagem ilustrativa, via redes sociais.

O grupo clandestino independente da Frente de Libertação Nacional da Córsega (FLNC), que é considerado como um grupo terrorista de extrema direita na França, ameaçou o retorno à luta armada na ilha se o Estado francês continuar o que eles chamam de ” política de desprezo”, de acordo com um comunicado enviado ao jornal Córsega-Matin. E esse não é o primeiro aviso…

Diversas agências de notícias tiveram acesso ao documento em 2 de setembro, em um comunicado de imprensa sem data, do grupo clandestino de independência Corsica National Liberation Front (FLNC) , enviado a Corse-Matin . As mensagens também estão sendo divulgadas por meio das redes sociais apesar do controle de publicações apagar as mesmas assim que são divulgadas.

O documento vinha acompanhado de um vídeo no qual cerca de cinquenta homens, encapuzados, vestidos de preto e fortemente armados rodeavam um ativista que lia – à noite – este texto assinado pela FLNC União de Combatentes (FLNC-UC) e pela FLNC “De 22 de outubro ”.

Esses dois movimentos, que reivindicaram a responsabilidade por vários ataques à isntalações do governo francês na ilha no passado, permaneceram muito discretos durante anos devido aos acordos com governos anteriores à chegada dos socialistas no poder com o ex-presidente Fançois Hollande e o atual Emmanuel Macron.

Oficialmente, o FLNC-UC depôs as armas em 2014. E o FLNC “de 22 de outubro” anunciou uma desmilitarização em 2016. O FLNC não pretende desistir da luta, mesmo que nenhum dos objetivos para os quais foi criado tenha sido alcançado.

Apesar do comunicado não ser direto nas exigências, outras declarações via redes sociais especificam que uma eventual mobilização para efetuar protestos violêntos ou até mesmo ataques contra alvos do governo francês envolvem questões como; maior autonomia da comunidade da ilha, impedimento da chegada de imigrantes africanos e de países arabes, os excessos das restrições da pandemia, a obrigatoriedade do passe sanitário (passaporte vacinal) e um eventual 4° confinamento na Ilha da Córsega e França metropolitana.

Mesmo com o forte apelo para ações violêntas, até agora não foi registrado nenhum ataque na Ilha da Córsega ou na França Metropolitana. Outro temor do Estado Francês é que o grupo possui uma grande quantidade de simpatizantes entre as Forças Armadas e Policiais, o que torna complicado qualquer ação de inteligência contra o grupo, mesmo esse sendo visado a anos pelo governo.

O FLNC ficou muito conhecido nos anos 70/80 quando em seu auge chegou a ser tão ativo quanto ao IRA da Irlanda do Norte e ETA do País Basco (Espanha/França).

“Ao Estado francês dizemos claramente que se a sua política de desprezo continuar, iremos retomar definitivamente, provavelmente com ainda mais determinação do que no passado, os caminhos da noite de luta que tão bem conhecemos”, lê o activista armado. “O FLNC não pretende desistir da luta mesmo que nenhum dos objetivos para os quais foi criado tenha sido alcançado”, indica um trecho destacado em negrito no texto do comunicado de cinco páginas.

O que se segue é um apelo à mobilização das tropas: “Aos veteranos da luta, que praticam a crítica fácil à clandestinidade, dizemos que são bem-vindos para retomar a luta. Em seu lugar. Como antes.” Dizemos que esta terra não é sua. E mais particularmente para os franceses que pensam que estão em casa na Córsega

Abaixo, alguns dos primeiros vídeos divumgado em 2019 quando o grupo anunciou seu “retorno oficial”:

  • Com informações France Inter, AFP, Córsega Matin e redes sociais via redação Orbis Defense Europe/Paris.