Guerra Irã-Iraque teve início após incidentes com petroleiros na região do golfo

A captura dos dois navios britânicos nessa sexta-feira (19) realça as questões de segurança envolvendo um dos principais gargalos do fornecimento de petróleo no mundo. Segundo estimativas, cerca de 30% de todos os barris exportados passam por ali, sem mencionar o tráfego regular de outros produtos.

Um movimento tão estratégico que acabou fazendo parte de um dos conflitos mais violentos do final do século passado: a Guerra Irã-Iraque. Desde o início do conflito, em 1980, as embarcações eram alvos preferenciais no Golfo, especialmente os petroleiros.

A maior parte dos ataques foi realizada pelo Iraque, usando aviões e helicópteros armados com mísseis. Além das embarcações iranianas, alguns navios de outras bandeiras, como o turco Atlas 1 , em 1982, foram atacados.

Até então, os ataques eram uma parte do conflito; não uma guerra por si só. O cenário mudou em 1984, quando o Iraque declarou que todos os navios se aproximando de portos iranianos seriam considerados inimigos. Em 1985, o petroleiro Neptunia, de bandeira liberiana, se tornou a primeira embarcação a ser afundada pelos iraquianos.

Em resposta, o Irã passou a atacar embarcações iraquianas e de outros países árabes do Golfo, especialmente do Kuwait, que chegou a mudar as bandeiras de seus navios para tentar reduzir os riscos. Teerã ameaçava, de forma frequente, fechar o Estreito de Ormuz , o que era visto com extrema preocupação pelos EUA na época aliados de Saddam Hussein .

Preocupação que, em 1987, levou à chamada “ Operação Earnest Will ”, na prática uma intervenção naval americana no Golfo para proteger os navios que passavam por Ormuz. Antes do início da operação, porém, um incidente mostrou que ela seria bem mais complicada do que o Pentágono previa.

Em maio, o navio USS Stark foi atingido por um míssil Exocet, disparado acidentalmente pelo Iraque, matando 37 pessoas que estavam a bordo. Nos EUA, porém, o ataque acidental serviu de justificativa para intensificar a presença militar.

A operação foi iniciada em setembro daquele ano, incluindo combates diretos entre forças navais de EUA e Irã, com embarcações dos dois lados sendo destruídas. Estima-se que 400 civis tenham morrido, além de bilhões de dólares em prejuízos a dezenas de países.

Durante a chamada Guerra dos Petroleiros ocorreu um dos incidentes mais marcantes da Guerra Irã-Iraque: no dia 3 de julho de 1988, o voo 655 da Iran Air decolou do aeroporto de Bandar Abbas com destino a Dubai com 290 pessoas.

A aeronave ainda estava em espaço aéreo iraniano quando foi atingida por um míssil lançado pelo navio americano USS Vincennes , matando todos a bordo. Entre os passageiros estava uma família de 16 pessoas que seguia para um casamento nos Emirados Árabes. Quando os corpos foram resgatados, eles estavam vestindo as roupas para a cerimônia.

Os tripulantes do navio disseram que o radar informava que um caça F-14, não um Airbus A-300 , estava indo em direção ao Vincennes, por isso lançaram o míssil. Eles disseram ter tentado entrar em contato com o comandante. Mas as investigações mostraram que o navio estava usando uma frequência militar , diferente da usada pelos aviões comerciais.

Os EUA emitiram notas lamentando a perda de vidas, mas nunca se desculparam pelo incidente. Em 1990, o capitão do USS Vincennes,William C. Rogers , recebeu a Legião do Mérito, uma das maiores condecorações dadas pelas Forças Armadas dos EUA.

Em 1996, oito anos após derrubar o avião da Iran Air, o governo americano aceitou pagar uma indenização de US$ 131 milhões ao Irã.

  • Com informações do O Globo, por: Filipe Barini


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