Iceberg gigante na Antártica prestes a derivar

A plataforma de gelo de Brunt faz fronteira com a costa de Coats Land no setor do Mar de Weddell na Antártica. A imagem usa dados de concentração de gelo marinho do Advanced Microwave Scanning Radiometer 2 (AMSR2) a bordo do satélite GCOM-W da JAXA processado pela Universidade de Bremen. Imagem via ESA.

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A dois anos que os olhos dos cientistas e pesquisadores estão mais atentos à plataforma de gelo Brunt, na Antártida, onde um enorme iceberg, maior que a região metropolitana de São Paulo ou do tamanho da Grande Londres, está prestes a surgir. Imagens de satélite e outros dados atuais indicam a iminência do rompimento da enorme massa de gelo estimada em 8 mil quilômetros quadrados.

Nova rachadura indica breve rompimento do gelo

O satélite Copernicus Sentinel da Agência Espacial Europeia (ESA), capturou imagens de satélite da região que revelam uma nova e grande rachadura na plataforma de gelo Brunt no mar de Weddell, no continente antártico.

A grande rachadura, Chasm 1, que se estende do norte ao sul de Brunt, apareceu há mais de 25 anos, enquanto a rachadura denominada Halloween, foi detectada pela primeira vez no dia 31 de outubro de 2016.

Mais recentemente, no final de 2019, uma terceira rachadura que 20 quilômetros de comprimento foi descoberta pela missão Copernicus Sentinel-1. O surpreendente é que novos dados indicam que a placa de gelo flutuante ao norte da nova rachadura é bastante instável com movimento aproximado de 5 metros por dia.

É possível ver a velocidade com que a rachadura vem aumentando entre 9 de setembro de 2020 e 27 de janeiro de 2021 no complexo das plataformas de gelo Brunt e Stancomb-Wills.

O monitoramento por satélites é primordial nas observações de fenômenos naturais em regiões remotas e neste caso, mostra como as plataformas de gelo estão se comportando em relação às alterações da temperatura do ar, do oceano e outros fatores dinâmicos.

O cientista Mark Drinkwater da ESA ressalta que com a missão Copernicus estamos muito melhor equipados não apenas para observar eventos em lugares remotos, mas para transformar dados científicos em compreensão teórica de processos complexos de fratura de gelo.

O último grande evento que ocorreu na plataforma de gelo Brunt foi em 1971, quando uma porção de gelo se rompeu do norte da área conhecida como McDonald Ice Rumples.

Uma nova rachadura foi vista na porção da plataforma de gelo flutuante ao norte de McDonald Ice Rumples, que pode causar o nascimento de vários icebergs. A extensão dessa nova rachadura pode ser vista no topo da imagem. Os locais de mudança temporal da nova fissura vêm da interpretação visual das imagens do Copernicus Sentinel-1 e do Sentinel-2. O alongamento das outras duas fissuras principais na plataforma de gelo, separadas apenas por alguns quilômetros, foi monitorado de perto por imagens de satélite. Chasm 1, a grande rachadura que corre para o norte foi criada há mais de 25 anos, enquanto a rachadura de Halloween foi detectada pela primeira vez em 31 de outubro de 2016. Imagem via ESA.

A68 foi o maior iceberg a se formar até agora

Em julho de 2017, um enorme iceberg se rompeu da plataforma de gelo Larsen C, na Península Antártida. Com cerca de 6 mil quilômetros quadrados a imensa massa de gelo se partiu em três pedaços, mas ainda muito grande fez uma jornada única.

O iceberg A68-A passou pela ponta da Península Antártida, atravessou o mar de Weddell e seguiu em direção à ilha Geórgia do Sul, no Atlântico Sul, onde só no início de 2021 começou a quebrar em mais pedaços. Imagens de satélites mais recentes mostram que já são 16 pedaços partidos do original e monstruoso iceberg A68-A.

Se as projeções se confirmarem e um novo iceberg nascer em breve da plataforma de gelo Brunt, este poderá superar o tamanho do A68-A, até então considerado o maior do mundo até onde se tem registro.

Dados de satélite foram usados ​​para medir o movimento da superfície da plataforma de gelo. O mapa mostra a velocidade da superfície do gelo na plataforma de gelo de Brunt, derivada da comparação de duas aquisições do Copernicus Sentinel-1 capturadas em 5 de janeiro e 17 de janeiro de 2021.
Os dados de velocidade de superfície sugerem que a área vermelha superior, a noroeste da nova fissura, é a mais instável, com um movimento aproximado de quase 5 m por dia. A porção central tem uma velocidade média variando de 2 a 2,5 m por dia, enquanto a área inferior (visível em azul) sugere uma zona mais estável da plataforma de gelo nas proximidades do gelo terrestre costeiro. Imagem via ESA.
  • Com informações European Space Agency via redação Orbis Defense Europe.



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