Irã Jurou Vingança Absoluta: Aniversário da Morte de Qassem Soleimani

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3 de janeiro, marca o primeiro aniversário da morte do ex-líder iraniano da Força Quds, Qassem Soleimani, após um ataque orquestral de MQ-9 Reaper americano que disparou hellfires sobre o comboio militar nos arredores do aeroporto de Bagdá, no Iraque. Após esse evento, Ali Khamenei, líder religioso do Irã, afirmou vingança absoluta, a partir de então houve uma série de ataques com foguetes de vários tipos, incluindo os antigos katyusha, contra bases americanas, especificamente na Zona Verde, um distrito de alta segurança em Bagdá que abriga o governo iraquiano e embaixadas estrangeiras.

O ano mudou, 2021 está a pleno vapor, isso se deve ao comunicado recente do aiatolá Ali Khamenei que repetiu o desejo de vingança de seu país, naquela amarga lembrança da aniquilação de Qassem. Donald Trump havia ordenado a retirada maciça de suas tropas do Iraque e Afeganistão no ano passando, cumprindo sua promessa de campanha, parte delas foram deslocadas ao Golfo Pérsico, um plano elaborado pelo Pentágono para coibir o avanço iraniano por toda a região.

Atualmente, restam 3.000 soldados americanos no Iraque, e a Administração Trump anunciou, em novembro de 2020, planos de reduzir esse número para 2.500 até 15 de janeiro deste ano.

A Embaixada dos EUA segue operando, mesmo diante das chuvas de foguetes de origem iraniana sobre o perímetro de Bagdá, e segundo relatórios de correspondentes ocidentais, funcionários não essenciais já deixaram a região como prevenção de um conflito muito próximo.

Para elevar ainda mais a crise, autoridades do Pentágono afirmaram à CNN que o Irã está mobilizando mísseis de curto alcance rumo ao Iraque, tais ações não se comparam a quaisquer outras manobras do passado, e as intenções não estão muito claras, mas o alerta permanece em toda a região pela ocasião do aniversário da morte de Qassem. Trump havia twittado que a morte de um cidadão americano seria uma linha vermelha rompida contra qualquer desventura de Khamenei.

A data de luto persa revela uma assustadora sensação de medo e incerteza não somente aos cidadãos e tropas americanas presentes no Iraque, mas aos próprios iraquianos.

Acontece que a única base mais vulnerável neste momento segue sendo a de Bagdá, diferente das bases do Kuwait, Emirados e entre outras no Golfo Pérsico, e o temor de um conflito sem precedente coloca em xeque as vidas dos cidadãos iraquianos inocentes. Segundo um funcionário da província de Anbar, “estamos preocupados com a retaliação do Irã, a reação dos Estados Unidos e então voltaremos à estaca zero, como em 2006, quando houve tensões sectárias e muitos foram mortos.”

Nas entrelinhas, Trump não quer conflito, isso já foi provado em seus quatro anos de governo, inclusive buscou negociações abertas com o aiatolá persa e nações consideradas perturbadoras e conflituosas, como a Coreia do Norte.

Ao ponto de vista causa-efeito, a situação no início de 2020 era muito pior e mais sensível que o momento atual, pelo fato da morte de Soleimani desencadear dezenas de ataques de foguetes, e Donald Trump poderia assumir retaliação confortante por ar e mar através do Comando de Operações Especiais, entretanto, absteve-se de qualquer ataque nos últimos minutos.

Pelo fato de Khamenei abrir conversações com os americanos na espera do próximo presidente assumir, faz da região do Oriente-Médio uma arena consistente de tensões e mobilizações bélicas agudas.

As milícias locais iraquianas se sustentam de armamentos e investimento cada vez mais exacerbado no que tange treinamento de soldados e dinheiro, um dos responsáveis é a Força Quds.

O Comandante do Comando Central Americano, General Kenneth F. McKenzie, responsável por todas as operações no oriente-médio, disse a público que embora houvesse um “risco elevado de conflito”, não considera uma guerra o desejo pleno do Irã. O perigo real, ao que parece, vem de dentro do Iraque, de grupos de milícias ligados ao Irã cada vez mais assíduos e perigosos.

O Pentágono ordenou o envio de dois bombardeiros B-52 Stratofortress no espaço aéreo do Golfo Pérsico após as estranhas manobras persas de ativação e prontidão dos sistemas de defesa aérea e marítima, bem como o deslocamento de comboios de mísseis ao Iraque que elevou as tensões, e nenhum lado assumiu qualquer ação hostil.

O chefe da Guarda Revolucionária do Irã, Hossein Salami, prometeu no sábado, 2 de janeiro, responder a qualquer “ação que o inimigo tome”, não mencionando qual seria, mas pelo agrupamento bélico atual muito provavelmente se origina por mísseis balísticos como aos recentes desenvolvidos e ativos nomeados em homenagem a Soleimani, e pelo mar com fragatas Alvand e Corvetas Moudge, que podem lançar os novos mísseis de cruzeiro de curto alcance Abu Mahdi de 620 milhas.

Um conflito real parece não ser o desejo do Irã, mas estão prontificando suas bases para contra-atacar qualquer agressão alheia.

As intensificações da presença persa no Iraque mostra a tentativa de controle dos grupos locais para dominar o ambiente após a retirada completa das tropas americanas ou a tentativa de forçar negociações em assumir brechas das sanções econômicas imposta pela comunidade ocidental.

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