Iron Dome, O “Guarda-Chuva” Israelense No Exército Americano

Míssil sendo lançado do sistema israelense Iron Dome. Raytheon

Os Estados Unidos da América possuem um dos sistemas de defesa aérea mais eficientes, operantes e tecnológicos do planeta, o Sistema Patriot. Em sua mais íntima funcionalidade, é um acordão de processos complexos que opera contra mísseis de longo alcance, em todas as altitudes e em todas as condições climáticas, para combater mísseis balísticos táticos, mísseis de cruzeiro e aeronaves avançadas, sendo fabricado pela Raytheon em Massachusetts e Lockheed Martin na Flórida.

Apesar de ser um organismo tático e estratégico americano, também está disponível para nações amigas como Alemanha, Israel, Japão, Coreia do Sul e entre outras.

Em 2003, entrincheirados no intenso conflito no Iraque, os EUA precisavam de uma solução rápida e eficaz contra vários mísseis superfície-superfície lançados pela força hostil iraquiana, e a implantação do sistema Patriot com o então moderno e novo míssil PAC-3 foi a saída.

Desde o início do desenvolvimento do Patriot, tanto a Lockheed quanto a Raytheon não limitaram seus investimentos na melhoria dos mísseis do sistema, surgindo assim diversas variantes importantes como o Míssil de Orientação Aprimorada (GEM-T), Míssil de Capacidade Avançada Patriot (PAC-3) e o Míssil De Segmento PAC-3 Aprimorado (MSE), todos com características individuais, mas com o mesmo objetivo, aniquilar dispositivos no ar.

Apesar da implantação do revolucionário Patriot na linha de artilharia do Exército Americano, há uma perigosa lacuna a ser preenchida, a dificuldade em interceptar mísseis de cruzeiro. Para entender melhor é preciso explanar alguns projetos do Pentágono.

O Departamento de Defesa vem desenvolvendo o Sistema de Comando de Batalha Integrado do Exército (IBCS), um elemento de comando e controle da futura arquitetura Integrada de Defesa Aérea e Mísseis do Exército, aliás, não somente desta Força, mas de todas.

O sistema se pauta na integração de todos os dispositivos terrestres, aéreos, marítimos e do espectro espacial para desenvolver um cenário situacional de batalha integral aos soldados no beligerante, tais finalidades solucionarão lacunas que impediam aos americanos cobrir 100% do conflito. O sistema IBCS deve chegar a uma decisão de implantação neste ano e passará por mais testes operacionais em 2021, e a principal empreiteira responsável pelo sistema revolucionário é a Northrop Grumman.

Diante deste exposto, integrar mais uma linha de defesa aérea é primordial na construção de um guarda-chuva de artilharia, neste sentido que o sistema Iron Dome, produzido pela empresa israelense Rafael Advanced Defense Systems, terá duas baterias integrais em Fort Bliss, no Texas, que avaliarão a possível integração na arquitetura de defesa aérea e antimísseis do Exército dentro do programa IBCS, a intensão do projeto é conectar todos os interceptores de defesa aérea a sensores em um determinado espaço de batalha para detectar, rastrear e destruir uma ameaça.

O Iron Dome detecta, avalia e intercepta uma variedade de alvos de curto alcance, como foguetes, artilharia e morteiros, como mísseis de cruzeiro em sua fase final de no máximo 70 Km de distância do alvo final, ou seja, a proteção é na camada mais baixa.

É eficaz de dia ou de noite e em todas as condições meteorológicas, incluindo nuvens baixas, chuva, tempestades de poeira e nevoeiro. A mudança e integração do sistema foram ordenadas pelo Congresso, enquanto o Exército determina uma solução de longo prazo para combater essas ameaças.

Devido ao interesse dos EUA e de várias outras nações nas capacidades exclusivas do Iron Dome, a Raytheon em conjunto com a Rafael vem desenvolvendo o sistema SkyHunter com base no Iron Dome, assim poderá ser produzido em solo yankees para expandir a disponibilidade e capacidade dos EUA e aliados, fortalecendo o sistema IBCS.

O Exército Americano já está operando com o dispositivo em sua base de Israel desde outubro deste ano, agora, as unidades baseadas em Fort Bliss devem receber um sistema Iron Dome ainda em dezembro, seguido pelo segundo em janeiro, para assim iniciar o treinamento, teste e trabalho visando à operacionalização no final de 2021.

Entretanto, operar sistemas complexos como estes requer investimento e recursos, um dos motivos do Exército Americano realocar investimentos do projeto de Modernização coordenado pela Escola de Artilharia de Defesa Aérea do Exército, além de estar convertendo os dispositivos como radares, lançadores e outros recursos de uma bateria do sistema Terminal de Defesa Aérea de Alta Altitude (THAAD) para incluí-los no Iron Dome.

Um dos motivos da escolha do Exército por Fort Bliss está na proximidade com White Sands Missile Range, no Novo México, local que os mísseis e sistemas serão testados e avaliados.

O compromisso de compra, teste e avaliação do Iron Dome já era reconhecido desde 2019 através do Ato de Autorização da Defesa Nacional de 2019 elaborado pelo Congresso que exigia ao Pentágono a compra do Iron Dome para este ano.

Sem dúvida que a integração do dispositivo de cobertura de curto alcance capaz de interceptar mísseis de cruzeiro será substancial na contínua proteção integral da artilharia do Exército Americano em cumprir sua grande meta para o ano de 2021, a consolidação do Sistema de Comando de Batalha Integrado.

Mesmo que provisoriamente, o Iron Dome é reconhecido e confiável, e segundo a própria Rafael é o sistema mais implantado do mundo, com mais de 2.000 interceptações e uma taxa de sucesso superior a 90%.

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