Legionários ficaram 72 dias na floresta amazônica por falta de helicópteros para recuperá-los

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Imagem ilustrativa com foto do 3°REI e arte redação OD Europe.

Tropas da Legião estrangeira que ficam baseadas na Guiana Francesa participam ativamente de diversas atividades correlatas a defesa territorial da região de floresta amazônica guianesa, mas também no combate à crimes ambientais e contra outros delitos, como o tráfico de drogas e garimpos ilegais nas regiões de fronteira com o Brasil.

A extensão territorial da Guiana Francesa é relativamente desproporcional ao contingente militar empregado para proteger a região, e com isso, os deslocamentos de tropas floresta adentro é sempre uma operação complicada para todos os envolvidos, que dependem principalmente de meios fluviais e meios aéreos quando a situação exige maior agilidade, independente do carácter da operação.

Em todo caso, para os militares franceses da metrópole destacados para servir na Guiana Francesa, tudo é complicado pelo clima, desde a dificuldade de estabelecer as comunicações e pela  distâncias a serem percorridas, e, em relação às tropas engajadas e pouco habituadas ao meio.

É nessa situação que as tropas da Legião Estrangeira sabem fazer a diferença. Porém, o que para muitos pode ser considerado uma verdadeira prova de sobrevivência, para os Legionários é apenas a situação de rotina que acontece a décadas…

Apesar da situação não ser motivo para alarde entre os bons conhecedores da rotina da Legião Estrangeira, o fato deixou a opinião pública francesa um tanto chocada.  A quantidade de militares que permaneceram na floresta aguardando rendição e transporte não foi informada pela comissão governamental que tomou conhecimento dos fatos.

Uma das grandes dificuldades da região de floresta amazônica da região norte nos territórios da Guiana, Suriname e Guiana Francesa é a falta de rios de  leito regular profundo, que permitem a navegação de embarcações de médio e grande porte como as empregadas pela Marinha do Brasil em grande parte do território da Amazônia Brasileira.

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Missão governamental na Guiana Francesa toma conhecimento da situação somente em 2019

Com efeito, de acordo com os dados fornecidos pelo deputado François Cornut-Gentille no seu relatório para parecer sobre as dotações da missão “Defesa”, a taxa média de disponibilidade técnica dos helicópteros Puma / Super Puma da Armée de Terre (Exército) era de 32,6% em 2019!

“Evacuações médicas ou outras consideradas secretas são uma prioridade, lembro que não há serviço de cardiologia, serviço de neurologia ou serviço neonatal na Guiana Francesa, em casos graves com complicações, os envolvidos devem ser evacuados para as Antilhas, Bahamas ou para a França, e portanto, os soldados de operações vêm atrás disso na prioridade se necessário ”, disse o senador Cédric Perrin.

Seja como for, a insuficiência dos recursos aéreos tem obviamente consequências para as operações militares da França na região. “O abastecimento de soldados na floresta também sofre”, observou o senador. E isso também diz respeito ao mantenimento das tropas …

“Encontramos soldados da 3ª REI da Legião Estrangeira, que voltavam de patrulhas/treinamentos na floresta equatorial e que estavam na floresta há 72 dias em total autonomia porque não puderam ser evacuados para a sua rotação de pessoal por falta de disponibilidade de helicópteros”, afirmou o Senador Perrin.

A base aérea Cayenne-Rochambeau (BA-367) tem apenas nove helicópteros, sendo cinco Puma e quatro Fennec, e, três aviões de transporte Casa CN235. No entanto, essas aeronaves obviamente não são empregadas em tempo integral à Operação Harpie e seu apoio aos militares que se embrenham floresta adrentro.

“E para esclarecer:“

Mas voar no Pumas na Guiana exige muita mecânica devido aos desgastes provocados pelo calor e umidade da região. De acordo com o pessoal de manutenção das forças armadas na Guiana Francesa, a operação dos helicópteros na Guiana Francesa varia em média “18 horas de manutenção para uma hora de vôo.

Dissecamos as causas com o comandante da base aérea e sempre encontramos as mesmas causas: disponibilidade de peças de reposição, obsolescência de equipamentos. Você não pode fazer milagres com aeronaves que já tem de 44 anos! “

Mas o problema está na disponibilidade operacional dessas aeronaves … Porém, a do Puma, com uma taxa de disponibilidade de 38% à 47% em 2020. Já para o CASA CN-235, sua taxa de disponibilidade oscila entre 50 e 70%, o que é considerado ainda assim baixa…

Normalmente, o Puma deve ser substituído pelo H225M Caracal entre 2023 e 2025 … No entanto, esses novos helicópteros não terão o dom da onipresença …

Apesar de tudo, o Ministério da Defesa da França gasta anualmente em torno de 55 milhões de Euros somente para manter a Operação Harpia (controle de ilícitos e proteção de fronteiras) na região de fronteira com o Brasil e Suriname, não incluso nisso os custos para a segurança de instalações como a Base de lançamento de foguetes de Kourou e outras…

Link para o relatório do Senado francês onde é mencionada a situação:

https://www.assemblee-nationale.fr/dyn/15/rapports/cion_fin/l15b3399-tiii-a13_rapport-fond.pdf

Abaixo, alguns vídeos com a rotina do 3°REI na Guiana:

  • Com informações Ministére des Armées, Assemblée Nationale e Opex360 via redação Orbis Defense Europe.