Marechal José Pessôa – o Pioneiro

Nascido em 12 de setembro de 1885, era sobrinho de Epitácio Pessoa, presidente da República de 1919 a 1922,

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Hoje, publicamos o segundo texto alusivo ao centenário da adoção do blindado pelo Exército Brasileiro, tendo como comandante o Capitão José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque.

Nascido em 12 de setembro de 1885, em Cabaceiras-PB, filho de Cândido Clementino Cavalcanti de Albuquerque e de Maria Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, era sobrinho de Epitácio Pessoa, presidente da República de 1919 a 1922, e irmão de João Pessoa, cujo assassinato foi um dos estopins para o Movimento de 1930, que pôs fim à República Velha.

Início da vida militar (1903-1917)

Assentou praça em 1903, no 2º Batalhão de Infantaria em Recife, seguindo depois para a Escola Preparatória e de Tática em Realengo (Rio de Janeiro). Transferiu-se em 1909 para a Escola de Guerra em Porto Alegre, de onde saiu aspirante-a-oficial.

Esteve à disposição do Ministério da Justiça, comandando a Brigada Policial do Distrito Federal do Brasil, atual Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, por duas ocasiões: entre 1910 e 1914; e entre 1919 e 1924, período em que dá início a reformas que redundaram na criação da Escola Profissional, hoje Academia de Polícia Militar Dom João VI.

Primeira Guerra Mundial e Europa

Com a entrada do Brasil na Primeira Guerra Mundial, em outubro de 1917, foi enviado, no ano seguinte, à França como um dos membros da Missão Militar preparatória que o Exército Brasileiro enviou à Frente ocidental.

Como oficial de cavalaria, em rápido estágio na Escola Militar de Saint-Cyr, aprendeu os fundamentos sobre a adaptação dessa Arma de Exército à então recente invenção, o tanque de guerra e das táticas, até então desenvolvidas, concernentes a sua utilização em campo de batalha.

Em 7 de maio de 1918, o jovem militar iniciou o curso de aperfeiçoamento na Escola de Cavalaria de Saint-Cyr, na França. Ao término do curso, apresentou-se ao chefe da Comissão Militar Brasileira em Paris, como voluntário, para acompanhar os combates da Primeira Guerra Mundial.

Em 4 de agosto de 1918, foi enviado para o front como observador, no 4º Regimento de Dragões, da 2ª Divisão de Cavalaria do Exército Francês. Durante as missões dessa unidade, combateu adido ao Exército Francês, como oficial, no posto de 1º Tenente. Comandou um pelotão do 4º Regimento de Dragões.

Recebeu condecorações de franceses e belgas por bravura à frente de seus comandados, tendo sido promovido ao posto de capitão, por bravura, e comandante de esquadrão.

Um ano após o término da guerra, o oficial serviu como estagiário no 503º Regimento de Artilharia de Carros de Assalto e na Escola de Artilharia de Assalto, ambos em Versalhes, onde aprendeu os fundamentos e táticas do blindado Renault FT-17, que viria a ser o primeiro blindado adotado pelo Exército Brasileiro.

Reformador e ideólogo

Ao retornar ao Brasil, influenciou os seus superiores a adotarem os blindados para o Exército e escreveu um tratado sobre o emprego de blindados durante a Primeira Guerra Mundial.

Pela sua experiência com carros de combate na Guerra Mundial participou da organização da primeira unidade de tanques do Exército Brasileiro, permanecendo no comando deste esquadrão até 1923, quando então foi promovido a major.

Ainda em 1930, foi nomeado como novo diretor da Escola Militar do Realengo, o então órgão responsável pela formação dos oficiais de carreira do Exército Brasileiro. Exerceu esse cargo de 19 de novembro desse ano até 7 de agosto de 1934.

Nesse período, foi o idealizador, patrono e fundador do órgão que viria a substituir a Escola situada no Realengo, a Academia Militar das Agulhas Negras, fundada em 1944, bem como dos novos símbolos do Exército: uniformes históricos, brasão, espadim e da criação do culto à figura de Duque de Caxias.

Foi promovido em 1933 a General-de-Brigada, sendo nomeado em seguida inspetor e comandante do Distrito de Artilharia de Costa da 1ª Região Militar no Distrito Federal. Também foi o fundador do Centro de Instrução de Artilharia de Costa.

 Questões Nacionais

Com o fim do Estado Novo, foi nomeado adido militar em Londres, de 1946 a 1947. Entre 23 de julho de 1948 e 16 de setembro de 1949, comandou a Zona Militar Sul, em Porto Alegre.

Após passar à Reserva em setembro de 1949, no posto de General-de-Exército (sua promoção a marechal ocorreria apenas em janeiro de 1953), continuou participando ativamente da mobilização da opinião pública em favor de uma solução nacionalista para a questão do petróleo.

A Campanha do Petróleo como ficou conhecida, desembocaria no estabelecimento do monopólio estatal em 1953 e na consequente criação da Petrobras, em 1954.

Em outubro 1954, José Pessoa é chamado novamente pelo dever. Os 69 anos de idade não o impediram de aceitar o convite do presidente Café Filho, para presidir a Comissão de Localização da Nova Capital Federal, tema do qual era um permanente estudioso.

O Marechal José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, além de sua ampla obra como militar e cidadão, possui um longo histórico e pioneirismo frente à tropa blindada do Brasil. Tornando-se, portanto, justo o reconhecimento como patrono e pioneiro dessa tropa no Brasil.



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