Marinha do Brasil encerra sua participação no exercício multinacional “Obangame Express 2019”

Militares fazem a abordagem a um navio durante a segunda fase do Obangame, na qual são desenvolvidas atividades que buscam treinar ações de combate a ilícitos praticados no mar. (Foto: Marinha do Brasil).

A Marinha do Brasil (MB) encerrou sua participação pela sexta vez no exercício multinacional “Obangame Express 2019”, na costa africana. Há nove anos, o treinamento reúne as forças navais de dezenas de países desse continente, além da Europa e das Américas, com o propósito de impulsionar a cooperação regional e promover a conscientização do domínio marítimo.

A costa africana é palco de problemas como o tráfico de drogas, armas e pessoas, a pesca ilegal e a pirataria. Em duas semanas de exercícios, o Obangame desenvolve também práticas de compartilhamento de informações e de especialização em interdição de embarcações, visando o combate das atividades ilícitas praticadas no mar.

“A maioria das atividades econômicas da região dependem do uso seguro e legal das águas costeiras da África Ocidental e é por isso que o Obangame Express é um exercício tão importante (…) Esta participação de especialistas reforça o fato de que a segurança marítima é um esforço coletivo.”, disse o Capitão de Mar e Guerra da Marinha dos EUA Eric Conzen, comandante do Comando Militar de Transporte Marítimo dos EUA para a Europa e a África e diretor do Obangame 2019.

A programação do Obangame está dividida em duas fases. A primeira, chamada de Exercício de Posto de Comando, acontece em terra, com os navios atracados no porto. Aqui, o objetivo é preparar os militares para a etapa seguinte, chamada de Exercício de Treinamento no Terreno, que ocorre no mar.

Neste ano, todas as atividades foram desenvolvidas entre Senegal e Angola. Para fins do treinamento, toda essa região é dividida em sete zonas. Nesta edição, assim como em 2018 e 2017, a MB assumiu o papel de liderança das atividades executadas na zona A, área operacional compreendendo a República Democrática do Congo, a República do Congo e Angola.

Na zona A, as atividades em terra aconteceram na cidade de Luanda, capital de Angola. “Nosso foco foi, especificamente, preparar os militares da Marinha de Guerra de Angola para os exercícios realizados posteriormente na fase de mar”, contou o Capitão de Corveta Eduardo Fagundes Costa, encarregado da seção de meios de superfície e submarinos da MB.

“Para isso, foi cumprido um cronograma de atividades, cuja programação ficou a cargo de um oficial americano”, detalhou o CC Eduardo.

Entre essas atividades, o oficial destaca a revisão de procedimentos operacionais padronizados, os estudos de caso e os debates sobre os cenários criados como pano de fundo para as missões da fase de mar.

Houve ainda palestra sobre direito internacional, a cargo de um militar da MB, e treinamento conduzido por um técnico norte-americano acerca de consciência do domínio marítimo.

Os militares também participaram de demonstrações práticas e aulas a bordo do Navio-Patrulha Oceânico (NPaOc) Araguari, embarcação brasileira mobilizada para o Obangame 2019.

Esse conhecimento foi aplicado em tarefas práticas na segunda fase do exercício multinacional. Quando partiram para o mar, os militares estavam empenhados em resolver as situações-problema apresentadas pelos oficiais da MB dentro de sua área de operação, a zona A.

Com isso, foram realizadas diferentes atividades nas quais os participantes tinham que planejar e executar ações para solucionar questões como armazenamento ilegal de combustível, sequestro de pessoas, vazamento de óleo, pirataria, roubo armado, proteção de plataformas de petróleo, contrabando e pesca ilegal.

Ao final de cada dia, os oficiais brasileiros se reuniam para avaliar as atividades executadas pelos participantes, identificando os pontos fortes e os pontos fracos a serem melhorados na atuação dos militares em treinamento.

“Esses relatórios eram passados para o comando geral do exercício, de responsabilidade da Marinha dos EUA, que neste ano ficou localizado em Lagos, na Nigéria”, afirmou o CC Eduardo.

União de forças

O exercício Obangame Express foi realizado pela primeira vez em 2010 como uma iniciativa das Forças Navais Europa-África, componente naval da Marinha dos EUA, com atuação na Europa e na África.

De lá para cá, o treinamento vem sendo executado anualmente. Em 2019, o Obangame contou com a participação de 33 nações, que colocaram à disposição do exercício 95 embarcações e 12 aeronaves, entre os dias 10 e 22 de março.

Na edição de 2018, o Obangame abarcou pela primeira vez o Simpósio de Lideranças Sênior. A novidade foi repetida neste ano, reunindo oficiais mais experientes das marinhas participantes.

O simpósio ocorreu durante três dias, em paralelo com as demais atividades do Obangame, e tratou dos principais tópicos que preocupam as forças navais atuantes no Golfo da Guiné.

Além disso, promoveu debates sobre como lidar com esses desafios de forma unificada, visando o aperfeiçoamento do tempo de resposta a determinadas situações que ocorrem no mar.

Para o CC Eduardo, a participação da Marinha do Brasil nas atividades do Obangame é uma oportunidade tanto para aprender como para compartilhar experiências.

“Ao receber a função de comando do Grupo de Controle do Exercício na Zona A, a MB contribui para o aprendizado de liderança em operações combinadas. Além disso, temos aí a oportunidade de fortalecer a amizade e o respeito com os demais países participantes”, concluiu.

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  • Com informações do site Diálogo Américas, Por: Andréa Barreto

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