Marinha do Brasil na contagem regressiva da chegada de uma nova geração de submarinos brasileiros

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A Marinha do Brasil, dentro de exatos 7 dias, irá dar um salto na era tecnológica de submarinos. Depois de dez anos de desenvolvimento e alguns atrasos, vai ao mar, no próximo dia 14 de dezembro, na futura nova base de submarinos no Complexo Naval de Itaguaí, construída especialmente para abrigar estes, o submarino SBR-1 Riachuelo (S-40), o qual é uma variante do modelo francês Scorpène, sendo ele totalmente construído aqui no Brasil, com a mais avançada tecnologia disponível no mundo. No último dia 5 de dezembro, o Submarino “Riachuelo” foi movimentado do Estaleiro de Construção para o shiplift, elevador de navios que será responsável pelo lançamento da embarcação ao mar.

O começo

Almirante Alexandrino
 

Há 104 anos, em 17 de julho de 1914, quando o então Ministro da Marinha, Exmo. Srº Almirante de Esquadra Alexandrino Faria de Alencar, criou a Flotilha de Submersíveis, em cumprimento ao Programa de Construção Naval de 1904, plano este elaborado, pelo também Ministro da Marinha, Srº Júlio César de Noronha, que previa a aquisição de três submersíveis, o mesmo elevou a Marinha do Brasil a um novo patamar, com a aquisição de três submarinos italianos da classe Foca, os quais ficaram conhecidos como os “F”, onde eles tiveram seu papel limitados ao treinamento e a capacitação da engenharia em construção e manutenção dos mesmos. 

Em 1928, a Flotilha de Submersíveis passou a se chamar Flotilha de Submarinos, quando a Marinha recebeu o primeiro submarino brasileiro oceânico: o Humaytá. Construído ainda na Itália, semelhante ao Balilla italiano que já se encontrava em serviço na Marinha, tendo ele obtido o recorde em mergulho e sendo o primeiro a descer até 100 m. Quase no final dos anos 30, chegam os submarinos: Tupy, Timbira e Tamoio, todos ainda de origem italiana. Esses submarinos da classe T/Perla foram encomendados pela Itália, mas a mesma pelo estourar da guerra na Europa, tinha acabado de extinguir com a sua Flotilha de Submersíveis.

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Uma nova era

Submarino Humaitá (S-14) realizando faina de transferência de carga leve
 

Os modelos então já fabricados, foram absorvidos pela Marinha do Brasil e participaram ativamente durante a Segunda Guerra Mundial, na patrulha da costa brasileira. Em 1957, houve uma renovação da flotilha brasileira com a aquisição de submarinos oriundos da Marinha do EUA, classe Gato: o Humaitá (S-14) e Riachuelo (S-15). Em 1963, a Flotilha de Submarinos recebe a atual denominação de “Força de Submarinos”, com o recebimento dos submarinos: Rio Grande do Sul (S-11) e Bahia (S-12), ambas as embarcações eram do tipo Fleet, classe Balao e foram construídos nos EUA durante a Segunda Guerra Mundial.

O avanço tecnológico observado no desenrolar da Guerra, propiciou uma profunda transformação nesta arma. O submarino não mais se confinava ao papel defensivo, afirmara-se como arma dissuasória por excelência. As Ações de Submarinos exploram a capacidade de detecção passiva e poder de destruição deste meio naval e concorrem para a consecução das Tarefas Básicas do Poder Naval, sendo a negação do uso do mar a que hoje organiza, antes de atendidos quaisquer outros objetivos, a estratégia de defesa marítima do Brasil.

Tecnologia Alemã a serviço da Marinha do Brasil

Por motivos estratégicos, visando o domínio tecnologia e a diminuição da dependência externa, e econômicos, visando a nacionalização de componentes e o incentivo à indústria nacional, a Marinha do Brasil iniciou o programa nacional de construção de submarinos. Assim, diante da incorporação das tecnologias da classe alemã Type XXI no Brasil, denominadas classe Bahia, forma adquiridos posteriormente os submarinos classe Guppy II: Rio de Janeiro (S-13), Ceará (S-14) e Amazonas (S-16), na década de 1970. Que vieram para suceder o legado já construído pelos submarinos: “Humaytá” da classe Balila, os “Tango” da classe “Perla”, os “Fleet-type” da classe Humaitá.

Mesmo já tendo alcançado certo nível de experiência na manutenção de submarinos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, o alto nível tecnológico empregado nestes meios tornou necessária uma fase intermediária. Para isso, foram recebidas diversas ofertas internacionais que visavam a transferência de tecnologia de projeto e fabricação de submarinos, onde a oferta vencedora foi a do submarino alemão da classe U-209-1400. A primeira unidade, o Tupi (S-30) foi construída no estaleiro Howaldtswerke-Deutsche Werft GmbH (HDW) em Kiel.

Neste período técnicos brasileiros foram enviados à Alemanha, para que o conhecimento técnico fosse aprendido. Assim os demais submarinos: Tamoio (S-31), Timbira (S-32) e Tapajó (S-33), puderam ser construídos no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Com a experiência angariada, foi possível introduzir modificações no projeto original, que deu origem ao IKL-209 da classe “TIKUNA”. 

Esta secular Organização Militar singrou uma existência de densa e efetiva evolução na operação e manutenção de variadas classes de submersíveis e submarinos, logrou assimilar o controle das atividades de escafandría, mergulho saturado, mergulho de combate, socorro e salvamento de submarinos sinistrados e medicina hiperbárica e, ainda, a formação, o aperfeiçoamento e a especialização do seu pessoal, acumulando conhecimento e desenvolvendo capacidade própria de emprego da arma.

Classe Scorpène: A Marinha do Brasil finalmente chega ao topo

No final dos Anos 90 os estaleiros: DCN Francês (hoje Naval Group) e a Navantia da Espanha, iniciaram o projeto de Submarinos Diesel-elétrico denominada classe Scorpène. A estrutura dessas embarcações teve como proposito um desenho “Limpo” com uma concepção avançada possuindo características furtivas, extremamente hidrodinâmico e silencioso. Medindo cerca de 65 metros e deslocando quase 1.700 toneladas, estes submarinos são produzidos com aços especiais, o que os possibilita chegarem a mais de 350 metros de profundidade. Contanto com uma navegabilidade de 250 dias de mar por ano sendo 50 dias seguidos de operações no mar.

Em 2008, o governo Francês e o governo do Brasil, assinaram um acordo que prevê a construção de 4 Submarinos da classe Scorpène pelo Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB). Esses submarinos na Marinha do Brasil, denominados Classe Riachuelo (S-BR), terão um deslocamento de 1.870 toneladas, e 72 metros de comprimento, bem diferente de outros modelos Scorpéne. No SBR-1 Riachuelo, a Marinha do Brasil optou por não utilizar o Sistema AIP (Air Independent Propulsion) por achar que para o nosso teatro de operações, este sistema não traria os benefícios desejados. Com o espaço obtido com a não utilização deste sistema, os engenheiros irão acrescentar maior capacidade de armazenamento de combustível, baterias e pessoal. 

Esse programa, dará a Marinha do Brasil uma capacidade enorme na área de defesa e irá nos colocar em patamar de construções desse tipo de embarcações sozinhas no futuro. À medida que o Programa avança, o Brasil vem conquistando a autossuficiência tecnológica para projetar e construir seus próprios submarinos. Logo chegaremos ao submarino de propulsão nuclear, classe “Álvaro Alberto” (homenagem ao almirante pioneiro na criação do programa nuclear), o SN-BR (submarino de propulsão nuclear, previsto para ser entregue em 2029), que conferirá a Marinha uma formidável capacidade dissuasória e utilizará este aprendizado para a construção de outros submarinos pelo Brasil.

Enquanto aguardamos e vislumbramos o futuro da Marinha do Brasil com o SN-BR “Álvaro Alberto” (SN-10), atentamos para o presente, onde o SBR-1 Riachuelo (S-40) é uma realidade. O Riachuelo, é o primeiro de uma série de cinco submergíveis que estão sendo produzidos no país nos próximos dez anos. Haverá ainda, mais três submarinos convencionais com propulsão diesel-elétrica do mesmo modelo do SBR-1, que serão batizados de: SBR-2 Humaitá (S-41), SBR-3 Tonelero (S-42) e SBR-4 Angostura (S-43), todos nomes de batalhas navais da Guerra do Paraguai, que conforme o cronograma se manter, serão entregues até 2023.




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