Marinha do Brasil pede adiamento de votação do projeto que inscreve o “Almirante Negro” no Livro dos Heróis da Pátria

"A Marinha brasileira, me pediu, mas com o compromisso de na primeira reunião trazer uma posição definitiva. E a Marinha terá de me convencer sobre isso", explicou o senador Izalci Lucas

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A votação do projeto de lei que inscreve, João Cândido Felisberto; o “Almirante Negro”, no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria (PLS 340/2018) teve a votação adiada a pedido do senador Izalci Lucas. Ele explicou que a Marinha do Brasil (MB) vai apresentar documentos sobre o tema.

O relator da proposta, senador Paulo Paim, disse que o João Cândido foi líder da Revolta da Chibata, uma mobilização de marinheiros, em sua maior parte, negros, em 1910, contra os castigos corporais aplicados na Marinha.

O projeto de lei estava na pauta da Comissão de Educação e o senador Izalci Lucas, pediu vista à matéria. A proposta é do ex-senador senador Lindbergh Farias. Segundo informou Izalci, a MB pediu que a votação fosse adiada, pois vai entregar documentos sobre João Cândido.

“Eu sou favorável que a gente reponha, reconheça, recupere o máximo possível de tudo aquilo que foi cometido de errado no passado. Então eu vou pedir a compreensão de V. Exª. Só para que eu possa ouvir as Forças Armadas, a Marinha brasileira, que me pediu, mas com o compromisso de na primeira reunião trazer uma posição definitiva. E a Marinha terá de me convencer sobre isso”, explicou o senador.

Ao destacar que o Almirante Negro foi líder da Revolta da Chibata, uma mobilização de marinheiros negros, em 1910, contra os castigos corporais aplicados na Marinha, o relator, senador Paulo Paim, disse que, por lei do Senado à época, os marinheiros foram anistiados. Mas João Cândido foi expulso da corporação, e não recebeu nenhuma pensão vindo a morrer pobre.

Ao comunicar que a Ordem dos Advogados do Brasil enviou carta em apoio à proposta, Paim, emocionado, citou parte da música “O Mestre-Sala dos Mares”, de Aldir Blanc e João Bosco, interpretada por Elis Regina, que homenageia João Cândido.

“Glória, meus amigos. Glória a todas as lutas inglórias, que através da nossa história, não esquecemos jamais. Salve o navegante negro, que tem por monumento as pedras pisadas do cais. Esse foi o Almirante Negro”, enfatizou Paim.

O senador Flávio Arns, disse que sempre é tempo de se pedir desculpas pelos erros do passado. Nós temos tido exemplos bonitos pelo mundo inclusive de pedido de desculpas. Então, nós temos que no Brasil também nos acostumarmos com o fato de que pedir desculpas não significa diminuição das pessoas, significa o reconhecimento de coisas importantíssimas que não poderiam ter acontecido, porém aconteceram.

O presidente da Comissão de Educação, senador Marcelo Castro, prometeu colocar a proposta em votação na próxima reunião do colegiado.

  • Com informações do Senado Federal