Marinha do Brasil prepara seu segundo submarino convencional para montagem final

S-41 Humaitá

A Marinha do Brasil (MB) realiza nesta sexta-feira (11) a união micrométrica das cinco seções que integram o segundo submarino convencional SBR-2 “Humaitá” (S-41). A cerimônia contará com a presença do presidente da República, Jair Bolsonaro, e comitiva.

O evento decorre apenas três anos da entrega das primeiras seções do SBR-2 pela Nuclebrás Equipamentos Pesados S.A. (NUCLEP) a Itaguaí Construções Navais (ICN).

“Esta é a fase conhecida como finalização de submarino”, explica o gerente do Empreendimento Modular de Obtenção de Submarinos, contra-almirante (EN) Celso Mizutani Koga, durante entrevista a jornalistas na manhã desta segunda-feira (07) na sede da ICN, em Itaguaí (RJ).

O contra-almirante Koga revela ainda que o submarino Humaitá, deverá estar pronto para começar suas provas de mar no segundo semestre de 2020, perfazendo assim o cronograma estabelecido pela MB, para o lançamento de um submarino convencional por ano até 2023.

Dentro da Unidade de Fabricação de Estruturas Metálicas (UFEM), um dos braços de construção da ICN, os submarinos SBR-3 e SBR4 estão sendo montados conforme o cronograma, para que quando o SBR-2 começar suas provas de mar, em 2020; o SBR-3 possa já estar começando a fase que hoje o Humaitá se encontra, ou seja, a união micrométrica de suas seções e assim suscetivamente até que o SBR-4 seja entregue operacional em 2023.

Manter capacitação para a construção do submarino de propulsão nuclear

A MB deve começar a construção em meados de 2020 da Seção de Qualificação para o Submarino de Propulsão Nuclear (SBRN), que deverá ter como sede a NUCLEP. Esta seção visa manter a capacitação das pessoas envolvidas (chapeadores, soldadores e afins) no projeto.

“A Seção de Qualificação, é uma seção que é feita com um corpo de prova, um teste para verificar e homologar as maquinas, o pessoal e os procedimentos a fim de garantir que quando efetivamente for feita a construção do SBRN, que toda a metodologia e processos estejam de acordo e aprovados”, explica o contra-almirante Koga.

A previsão da assinatura do contrato para o início da construção do SBRN, é prevista para 2022. E após este ato a construção do submarino de propulsão nuclear, SN-10 Alvaro Alberto, deverá de começar cerca de um ano meio, pois além dos tramites legais e documentais existe ainda a questão do material que será utilizado na construção dele.

Todo o material será importado da França e isso se leva um tempo até que seja fabricado lá e enviado ao Brasil.

Nacionalização dos Motores

A nacionalização dos motores elétricos para os submarinos convencionais, era um dos grandes sonhos da MB, tanto que ela escolheu a WEG para ser a empresa que iria receber a transferência de tecnologia.

Mas a empresa francesa Jeumont Electric que produz o motor, seu gabinete e os geradores, diante do tamanho da WEG, “apequenou-se” e as negociações travaram. Leva-se a crer que ela tenha se sentido ameaçada, pois a WEG poderia roubar dela boa parte do mercado ao absorver tecnologias que ainda não domina.

Foram realizadas diversas reuniões com a Jeumont para tratativas dos detalhes e elaborações de contratos. Mas ao final a empresa francesa acabou pedindo quantias financeiras milionárias para que ocorresse a transferência de tecnologia, o que a MB não aceitou. 

Assim optou-se por manter, pelos menos nos quatro convencionais, os motores da Jeumont. No entanto, a MB avalia em conjunto com a WEG, a possibilidade de desenvolver um motor elétrico totalmente nacional para o SBRN e os demais que vierem.

“Não é simples é um projeto ambicioso que está sendo avaliado a possibilidade, mas se possível for, nós vamos tentar construir no Brasil este tipo de motor elétrico”, enfatizou o contra-almirante Koga.

O futuro 

Perguntado se entre o final da construção do SBR-4 e o início da construção do SBRN, haveria a possibilidade de a MB vir a construir um quinto submarino, o gerente de obtenção de submarinos, falou que sim.

Mas mesmo a MB tentando a viabilização deste quinto submarino, não existe nada de concreto e nenhum contrato firmado, seja com a MB ou com alguma outra Marinha.

“A gente gostaria muito de manter a capacitação da ICN, construindo novos submarinos. Se for o SBR-5 ou SBR-6 ou algum outro tipo para algum cliente, não interessa, todos são bem-vindos. O que determina isso é o recurso financeiro para que haja a viabilização”, explica o contra-almirante.

Apesar das dificuldades encontradas durante o início e para o andamento do Programa de Desenvolvimento de Submarinos (PROSUB), “hoje o projeto tem um aporte financeiro garantido para se manter as obras de infra-estrutura, da futura base naval, assim como para a construção e finalização dos quatro submarinos convencionais”, revela o contra-almirante Koga.

O Humaitá (S 41) é um submarino da Classe Riachuelo, derivada da Classe Scorpène francesa. Os submergíveis da Classe Riachuelo são maiores no comprimento, tonelagem e capacidade de carga em relação aos originais franceses.

A versão brasileira tem 71,62 metros e desloca 1.870 toneladas, frente aos 66,4 metros e 1.717 toneladas dos franceses.

O Humaitá é a quinta embarcação e o terceiro submarino da MB a receber este nome, em homenagem à uma operação militar, ocorrida em 1868, durante a Guerra da Tríplice Aliança.

Os outros submarinos foram:

  • S Humaitá (S-14)- Submarino da Classe Gato, utilizado na Segunda Guerra Mundial pela Marinha dos Estados Unidos, antes de ser incorporado à Marinha do Brasil. (1957 – 1967)
  • S Humaitá (S-20)- Submarino da Classe Oberon. (1973 – 1993)


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