Militares brasileiros no Sistema Interamericano de Defesa

A Organização dos Estados Americanos (OEA) foi fundada em 1948 com a assinatura da Carta da OEA, que entrou em vigor em dezembro de 1951.

A Organização, por intermédio de seus 35 estados membros, promove a democracia, os direitos humanos, a segurança multidimensional, o desenvolvimento e a prosperidade hemisférica.

A Junta Interamericana de Defesa (JID), criada em 30 de março de 1942, é uma entidade independente da OEA, sendo a mais antiga de defesa regional do mundo.

Destina-se a proporcionar à OEA e seus estados membros assessoria técnica e educacional, bem como serviços de consultoria em assuntos relacionados a questões militares e de defesa no hemisfério, a fim de contribuir para o cumprimento da Carta da OEA de acordo com os estatutos aprovados pela Assembleia Geral.

Por recomendações das nações da JID, o Colégio Interamericano de Defesa (CID) foi criado em 9 de outubro de 1962 como Instituição de Ensino Superior sob a direção dos Estados Unidos da América.

O CID, com sua identidade ímpar, é único no Hemisfério Ocidental uma vez que seu corpo docente, discente e funcionários são internacionais.

O Colégio oferece um mestrado, credenciado por uma instituição externa, que se concentra na compreensão abrangente dos sistemas governamentais, no ambiente internacional atual, na estrutura e função do Sistema Interamericano de Defesa e em amplo estudo de questões de defesa e segurança multidimensional que afetam o Hemisfério Ocidental.

Já a Representação Brasileira na Junta Interamericana de Defesa (RBJID), órgão diretamente ligado ao Ministério da Defesa, tem por missão coordenar os trabalhos da delegação brasileira no sistema JID, apoiando os militares e civis brasileiros da JID e do CID, prestando assessoria militar à missão permanente do Brasil junto à OEA e administrando os recursos orçamentários alocados à Representação.

Ao longo dos anos, o Ministério da Defesa do Brasil vem contribuindo para o Sistema Interamericano de Defesa com o envio de militares brasileiros, colaborando em recursos humanos para esse importante Sistema na manutenção da paz em nosso hemisfério.

Nesse contexto, a participação do Brasil no Sistema Interamericano, por meio da atuação de militares da Marinha do Brasil, do Exército Brasileiro e da Força Aérea Brasileira, vem sendo destaque positivo tanto na JID quanto no CID.

Esses militares, ao desempenhar funções importantes no Sistema, contribuem para a projeção do Brasil no Continente Americano, particularmente nos Estados Unidos da América.

A motivação, a camaradagem ímpar, o espírito de cumprimento da missão, o desprendimento e a abnegação fazem com que o militar brasileiro seja visto de forma diferenciada nos vários cargos que ocupa no sistema JID, dentre os quais se destacam: chefe da RBJID; delegados alternos do Brasil na JID; assessor na JID e instrutor, aluno ou assessor do CID.

Militares de diversos postos e graduações das Forças Armadas Brasileiras têm atuado de forma colaborativa e realizado um excelente trabalho no Sistema Interamericano de Defesa, demonstrando conhecimento, alto grau de profissionalismo, espírito de equipe, habilidade para interações diplomáticas e experiência para lidar com problemas complexos do século XXI.

Sobre esse excelente desempenho no exterior, vale destacar que os conhecimentos adquiridos nos nossos Estabelecimentos de Ensino durante a carreira, aliado às peculiaridades do nosso povo, fazem com que o militar brasileiro – patrimônio mais valioso das Forças Armadas – seja motivo de orgulho para o País.

Além disso, a versatilidade e flexibilidade inerentes ao militar brasileiro, advindas da prática diária em bem realizar as tarefas atinentes à profissão militar e muitas vezes sem todos os recursos necessários, são fatores que alavancam a capacidade de realizar do militar das Forças Armadas brasileiras, constituindo características muito apreciadas pelos militares de outras nações.

Por fim, considera-se que a participação de militares brasileiros no Sistema Interamericano de Defesa é de fundamental importância, pois contribui para ratificar a capacidade de trabalho e o comprometimento com a missão, valores inerentes aos militares brasileiros, perante outros países.

  • Fonte: EBlog
  • O autor do presente artigo, Sr° Maurício José Lopes de Oliveira, é tenente coronel da Arma de Artilharia e foi formado pela Academia Militar das Agulhas Negras no ano de 1999. Realizou o Curso de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME) nos anos de 2014-2015. Após o curso da ECEME, foi instrutor da Escola de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) nos anos de 2016-2017, quando foi designado para ser Assessor no Colégio Interamericano de Defesa, em Washington D.C., Estados Unidos da América. Atualmente, o militar é instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (ECEME).




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