Militares da Força Aérea Brasileira, criam dispositivo que auxilia no treinamento dos operadores de mísseis IGLA-S

blankEm uma missão real, a defesa antiaérea atua em conjunto com as aeronaves para defender o espaço aéreo e as áreas de interesse no teatro de operações. Para que a missão seja cumprida da melhor forma possível, é necessário que o atirador de um míssil antiaéreo esteja capacitado a operar o equipamento com maior precisão. Antes, todos os dados obtidos no treinamento dos operadores de defesa antiaérea eram registrados manualmente pelo Comandante da Unidade de Tiro. São informações importantes como coordenadas geográficas de operação, configurações de emprego, hora de acionamento do sistema, azimute de pontaria, grau de inclinação e hora de disparo do míssil.

Agora, um dispositivo eletrônico, incorporado aos conjuntos de treinamento dos Sistemas Portáteis de Lançamento de Mísseis IGLA-S, é capaz de registrar, com precisão, todos esses dados. É o Dispositivo Automático de Registro de Tiro (DART). As atitudes tomadas pelo atirador são registradas por meio de dados obtidos por satélites, além de sensores distribuídos por todo o conjunto de treinamento, o que contribui com uma melhor avaliação dos operadores do sistema. A coleta automática desses dados possibilita também que os pilotos das unidades aéreas avaliem de forma científica e consistente a eficiência das suas táticas de emprego, com base em informações confiáveis, e ainda, utilizando uma ferramenta de avaliação a qual já estão acostumados a operar, o Programa de Planejamento de Missões Aéreas (PMA2).

blankAs informações são armazenadas em cartões de memória a bordo das aeronaves e nos dispositivos de treinamento da defesa antiaérea, compiladas e transmitidas à célula de avaliação do exercício e são importadas diretamente para o PMA2. Com isso, é possível analisar o desempenho das unidades aéreas e antiaéreas envolvidas nos exercícios. Além disso, o DART possibilita ao Comandante de Unidade de Tiro direcionar 100% de sua atenção à identificação do alvo e à comunicação com o Centro de Operações Antiaéreas (COAAe), pois o desonera da anotação dos dados no momento do engajamento.

Em um treinamento, os pilotos também são beneficiados, uma vez que não precisam se adequar a nenhum outro sistema e podem direcionar suas atenções exclusivamente ao cumprimento de suas missões. Desenvolvimento O DART foi desenvolvido durante seis meses, desde a concepção inicial até a entrega do projeto. Ele foi criado pelo Sargento Wallace Mergulhão de Almeida Bartholomeu, Especialista em Eletrônica, que trabalha há dez anos com esse tipo de equipamento. Atualmente, ele serve no Terceiro Grupo de Defesa Antiaérea (3° GDAAE), em Anápolis (GO), onde realiza a manutenção de equipamentos de comunicações e de tecnologia da informação, além do desenvolvimento de sistemas.

blank“O registro preciso dos dados possibilita uma melhor avaliação do combate terra-ar e ar-solo, com dados tão confiáveis quanto os registrados pelos equipamentos embarcados nas aeronaves envolvidas. Dessa forma, eliminamos os erros humanos que por ventura possam ocorrer e chegamos a uma correta avaliação do emprego das equipagens aéreas e antiaéreas. Além disso, os dados são registrados em formato compatível com o PMA2, possibilitando o debriefing do emprego de forma precisa e integrada às unidades aéreas”, explica. Isso é importante porque o PMA2 é o mesmo programa utilizado para avaliar os parâmetros de atuação dos pilotos e aeronaves em um treinamento.

Inicialmente, foram montados 30 dispositivos, sendo dez para cada Grupo de Defesa Antiaérea, mas podem ser montados na quantidade que for necessária, de acordo com a demanda. Militares especialistas em Material Bélico, Comunicações e Eletrônica dos três Grupos foram treinados na montagem, utilização e manutenção do equipamento. A capacitação durou cerca de um mês. Após isso, retornaram às suas unidades e disseminaram o conhecimento adquirido para todos os seus integrantes, em especial aos operadores do sistema. Os três Grupos de Defesa Antiaérea são vinculados à Primeira Brigada de Defesa Antiaérea (1ª BDAAE).

blank“Fruto do dinamismo e da abnegação dos militares do Terceiro Grupo de Defesa Antiaérea, o DART permite analisar diversos parâmetros relativos ao lançamento simulado dos mísseis IGLA-S, contribuindo para uma avaliação mais precisa das táticas adotadas pelas diversas aviações da Força Aérea Brasileira”, destaca o Comandante da 1ª BDAAE, Brigadeiro de Infantaria Luiz Marcelo Mayworm. Operação Tápio O DART foi utilizado, pela primeira vez, no Exercício Operacional Tápio. Nele, as Unidades de Tiro dos Grupos de Defesa Antiaérea foram empregadas em um contexto de Força Oponente, possibilitando às aeronaves o treinamento das Ações de Força Aérea em ambiente hostil.

As equipagens, dotadas do Sistema Antiaéreo IGLA, estavam dispostas no terreno de forma a tentar impedir que esquadrões cumprissem suas missões. “O DART foi primordial para que os Grupos de Defesa Antiaérea envolvidos no Exercício Operacional pudessem fornecer dados precisos de engajamento dos vetores aéreos, por parte das Unidades de Tiro. Dessa forma, as unidades aéreas puderam aprimorar diariamente suas táticas e técnicas baseadas em informações confi áveis, registradas eletronicamente em tempo real, sem a interferência humana”, conclui o Comandante Interino do 3° GDAAE, Major de Infantaria Fernando Mauricio Gomes.

Fonte: Revista Aerovisão (Nº 257 – Jul/Ago/Set 2018)
Por: Ten João Elias
Fotos: Flickr FAB, Vídeo: PortalFAB

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