Militares Portugueses envolvidos em conflitos armados na República Centro-Africana com as milicias locais

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Militares portugueses, que estão em missão de paz na República Centro-Africana (RCA), estiveram entre à última quinta-feira e o sábado, envolvidos em confrontos na cidade de Bambari, que fica cerca de 400 km da capital, Bangui, conforme nota do Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA). Na nota, fora divulgado que os militares portugueses “viram-se novamente envolvidos em confrontos armados na região de Bambari, a fim de repelirem bolsões de resistência, os quais se reagruparam na cidade com a intenção de reconquistarem as posições perdidas nas últimas semanas”.

“Estas ações ocorrem após os violentos combates que se iniciaram no último dia 10 e depois se estenderam até a cidade de Bokolobo, principal bastião e posto de comando do grupo rebelde ex-Seleka UPC (União para a paz na República Centro-Africana), 60 km a sudeste de Bambari”, diz a nota. Nesses dias, “em resultado das operações da Força de Reação Rápida portuguesa, foram destruídas oito viaturas pick up armadas com duas metralhadoras pesadas, além de ser capturadas 11 granadas antitanque, um lança granadas foguete, espingardas automáticas, armas artesanais, uniformes e documentação”.

Além disso, os militares portugueses “capturaram também cinco elementos da UPC, sendo um deles presumivelmente pertencente à estrutura de liderança do grupo armado (..) A atuação dos capacetes azuis portugueses, que têm apoiado as Forças Armadas Centro-Africanas e as autoridades locais, cumpriu os objetivos militares da missão militar da ONU na República Centro-Africana, para repelir os rebeldes adeptos à UPC, não estando no entanto, livres de novos confrontos caso surja uma nova tentativa deles retornarem a cidade de Bambari”, refere o EMGFA.

De acordo com o EMGFA, “a operação em curso ‘Bambari sem grupos armados e armas’, manter-se-á nos próximos dias por forma de assegurar em simultâneo, a segurança da população civil, o reforço da autoridade do Estado em Bambari e impedir que os rebeldes se misturem com a população e ocupem de forma ilegal as suas residências”. Atualmente, estão destacados na RCA 180 militares portugueses. O caos e a violência na  RCA começou em 2013, depois do ex-Presidente François Bozizé, ter sido deposto da presidencia, por vários grupos na designada Séléka (que significa coligação na língua local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França e uma população que é menos de metade da portuguesa (4,6 milhões), já provocou 1.270 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária. O Governo do Presidente, Faustin-Archange Touadéra, um antigo primeiro-ministro que venceu as eleições de 2016, controla cerca de um quinto do território. O resto é dividido por 18 milícias que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Portugal participa na Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA), desde o início de 2017, com uma companhia de tropas especiais, a operar como Força de Reação Rápida. A MINUSCA é comandada pelo tenente-general senegalês Balla Keita, que já classificou as forças portuguesas como os seus ‘Ronaldos’. Portugal tem 230 militares empenhados em missões na RCA, dos quais 180 na MINUSCA – uma companhia de paraquedistas e elementos de ligação – e 50 na Missão Europeia de Treino Militar-República Centro-Africana (EUMT-RCA).

* Com informações do site Diário de Notícias (Pt)

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