Ministério da Defesa emite nota sobre matéria publicada pela Revista Veja

Em nota o MD, fala que "é fundamental destacar que os investimentos em Defesa, em especial os Projetos Estratégicos, são importante fator de desenvolvimento".

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A Revista Veja publicou matéria com o título “A opção equivocada do governo de privilegiar a Defesa em vez da Educação“, onde mais uma vez se tenta denegrir o governo atual, com falsas narrativas e valores dando a entender que o governo busca prevalecer mais o setor da Defesa do que os demais.

A matéria tentar fazer alusão ao clássico literário Leviatã, do filósofo Thomas Hobbes (1588-1679), onde o autor costumava dizer que a guerra é um fenômeno inerente à natureza humana, pois mesmo em tempos de paz “os homens sempre transportam armas e trancam suas portas”. Tal comparação é uma forma esdruxula e descabia de fazer tal afirmativa.

As Forças Armadas além do seu dever pátrio de proteger a nação contra os inimigos externos e internos, realizam, inclusive por força de lei, atividades subsidiárias, diretamente ligadas ao desenvolvimento social e ao bem-estar da população.

Além disso Marinha, Exército e Força Aérea empregam diariamente cerca de 34 mil militares no combate à pandemia do coronavírus, bem como aos crimes ambientais na Amazônia Legal.

Em nota o Coordenador da Comunicação Social e Porta-voz do Ministério da Defesa, vice-almirante Carlos Chagas Vianna Braga, explica em detalhes as falácias da Revista Veja.

Nota do Ministério da Defesa

O Ministério da Defesa esclarece que a matéria está amplamente equivocada, com informações que não correspondem à verdade.

Este ano, o orçamento de despesa primária disponível para a Defesa é de R$ 106 bilhões e não de R$ 73 bilhões, como citado na matéria. O orçamento de despesa primária disponível para a Educação em 2020 é de R$ 124 bilhões.

Os valores do Orçamento do próximo ano ainda não foram definidos e só serão conhecidos após o envio ao Congresso, o que deve ocorrer até 31 de agosto. Ao contrário do que apresenta a matéria, não há qualquer indicação de que a Defesa terá mais recursos do que a Educação.

Ressalta-se, ainda, que a matéria se equivoca ao afirmar que “entre as novidades para 2021 pode estar a compra de seis novas fragatas para a Marinha, uma aquisição que encanta os militares”.

O processo de obtenção de quatro fragatas da Classe Tamandaré já teve seu processo de capitalização integralmente concluído em 2019, como foi amplamente divulgado, inclusive pela própria VEJA.

Sob a ótica da economia, é fundamental destacar que os investimentos em Defesa, em especial os Projetos Estratégicos, são importante fator de desenvolvimento. Eles respondem pela geração de mais de um milhão de empregos diretos e indiretos no Brasil.

Só em 2019, o setor de Defesa exportou mais de R$ 6 bilhões em produtos e, para 2022, a previsão é de mais de R$ 20 bilhões em vendas ao mercado externo. A nossa Base Industrial de Defesa representa cerca de 4% do PIB e o efeito multiplicador é o maior de todos os setores da economia, mostrando o enorme potencial dos investimentos.

Esses investimentos estão fortemente relacionados à ciência, tecnologia e inovação. A Defesa vive, necessariamente, na fronteira do conhecimento tecnológico e tem, como uma de suas características principais, o caráter dual.

Recentemente, essa característica permitiu rápida adaptação da indústria de Defesa, contribuindo diretamente para a produção de respiradores, essenciais na atual pandemia.

Ressalta-se ainda que o orçamento de despesas discricionárias do Ministério da Defesa (que chegou a R$ 13,3 bilhões em 2018) tem seu menor nível da série histórica em 2020, com R$ 10,1 bilhões para o custeio e para investimentos estratégicos.

A capacidade de redução dos recursos está no limite suportável para as Forças Armadas de um país continental, com 5,7 milhões de km² de áreas jurisdicionais marítimas, 16.866 km de fronteiras e 22,1 milhões de km² de espaço aéreo.

Em função das características do Brasil, há muitos anos as Forças Armadas realizam, inclusive por força de lei, atividades subsidiárias, diretamente ligadas ao desenvolvimento social e ao bem-estar da população: levando água às populações atingidas pela seca no Nordeste, prestando atendimento de saúde às populações ribeirinhas, construindo e reparando infraestrutura, realizando pesquisa científica na Antártica, participando de operações de paz em vários países, coordenando projetos sociais em todo território nacional, acolhendo imigrantes e refugiados, dentre inúmeras outras atividades.

Em vários locais, muitas vezes, representam a única presença do Estado e a esperança das populações. No momento, além de tudo isso, Marinha, Exército e Força Aérea empregam diariamente cerca de 34 mil militares no combate à pandemia do coronavírus, bem como aos crimes ambientais na Amazônia Legal.

Carlos Chagas Vianna Braga
Vice-Almirante
Coordenador da Comunicação Social e Porta-voz do Ministério da Defesa