Ministro da Defesa dá como certo que Governo Federal aprove joint-venture da Embraer com a Boeing

O governo vai aprovar, ainda na gestão do presidente Michel Temer, a venda da área de aviação comercial da Embraer para a norte-americana Boeing, mas esta decisão só será tomada após as eleições para não gerar complicações na disputa eleitoral, revelou nesta quinta-feira o Ministro da Defesa, Joaquim Silva e Luna, durante visita ao Rio de Janeiro junto com o presidente e outros ministros para acompanharem o andamento das ações da intervenção federal na área de segurança no Estado.

Luna afirmou que, não haver dúvidas dentro do governo para a união de serviços entre as empresas é um bom negócio para o Brasil e uma forma de manter a Embraer forte em um mercado cada vez mais competitivo e demandante de recursos. “Essa é uma decisão para depois das eleições. Isso pode embaralhar o processo eleitoral. É um negócio entre empresas privadas que está em curso, e, nada foi atrapalhado no percurso (…) Para ficar isento, o presidente prefere resolver isso após as eleições, para assim decidir a posição esse ano ainda. A negociação está muito clara e é só concordar”, falou o Ministro.

Segundo o ministro da Defesa, o aval do governo federal manterá as bases do acordo em que a Boeing ficará com participação de 80% em uma nova empresa que será criada a partir da cisão da área de aviação comercial da Embraer, a principal geradora de lucro da empresa. Os 20% restantes ficarão com a Embraer, que manterá sob seu controle as atividades de aviação executiva e de produtos militares. “O negócio é nesses moldes e a tendência é que seja assim (80/20)”, disse o ministro da Defesa.

Temer precisa aprovar o negócio porque o Brasil possui uma golden share na Embraer que dá poderes a Brasília vetar discussões de caráter estratégico sobre o futuro da companhia. Semana passada, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Dyogo Oliveira, afirmou que a aprovação do governo à venda de parte da companhia não estava associada ao calendário eleitoral e que a discussão seguia embasada em questões estritamente técnicas e jurídicas.

No final de julho, a Embraer foi alvo de uma ação popular proposta pelos deputados petistas Paulo Pimenta (RS), Carlos Zarattini (SP), Nelson Pellegrino (BA) e Vicente Cândido (SP) que pede a suspensão das negociações da companhia com a Boeing. A Embraer, terceira maior exportadora do Brasil, e a Boeing anunciaram no início de julho assinatura de um memorando de entendimento para formar a joint-venture, em uma transação que avalia as operações de aviação comercial da companhia brasileira em 4,75 bilhões de dólares.

A parceria das empresas acontece depois da aliança entre Airbus e Bombardier, anunciada no ano passado e que representa o maior realinhamento do mercado global de aviação em décadas ao fortalecer os fabricantes estabelecidos do Ocidente contra novos entrantes da China, Rússia e Japão, afirmam analistas.“Esse é o princípio da oportunidade. As vantagens competitivas tem um prazo e se elas não forem utilizadas aquela vantagem pode se perder”, disse o ministro da Defesa.

Fonte: Agência Reuters



DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Enter the text from the image below