Ministro da Defesa revela que Brasil não irá fazer uso das Forças Armadas para realizar ajuda humanitária na Venezuela

O risco de aumento de confrontos internos é hoje o principal ponto de preocupação dos militares brasileiros em relação à situação da Venezuela. O temor é de que a degradação do quadro político leve a um impacto imediato na fronteira, com aumento do fluxo de refugiados em busca de ajuda no Brasil. Apesar disso, o governo Jair Bolsonaro não cogita fechar a fronteira. “Jamais vamos fechar a fronteira”, disse ao Estado o ministro da Defesa, general Fernando Azevedo e Silva.  Segundo o ministro, o Brasil descarta a possibilidade de ingressar em solo venezuelano para realizar ações humanitárias, como o envio de mantimentos e medicamentos, ou apoiar uma intervenção militar.

“Não tem posição de intervenção”, afirmou o ministro da Defesa. “Não recebi nenhum sinal político do Ministério das Relações Exteriores e da Presidência da República para realizar ajuda humanitária individualmente. Vamos ajudar por meio dos organismos internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA).” O envio de ajuda do Brasil havia sido mencionado pelo presidente interino autodeclarado da Venezuela, Juan Guaidó, reconhecido pelo Brasil e oposicionista do presidente bolivariano do país, Nicolás Maduro. Guaidó informou que seriam três pontos de ingresso: a fronteira com a Colômbia, a fronteira com o Brasil e uma ilha no Caribe.

Atualmente, as Forças Armadas brasileiras atuam apenas em território nacional por meio da Operação Acolhida, em Roraima. São 530 militares destacados. O fluxo na fronteira varia de 500 a 700 pessoas por dia, das quais menos de 10% pedem abrigo no Brasil – a maioria vem fazer compras ou está em trânsito. Em Boa Vista (RR), vivem hoje 5.860 abrigados. Num programa considerado bem sucedido pelo governo, 4.800 venezuelanos já foram internalizados para outros Estados. Os refugiados da crise institucional venezuelana são atendidos, alimentados, vacinados, cadastrados e encaminhados.

“Pensei que já tinha visto o pior no Haiti”, lembrou Azevedo, citando que há muitas mulheres com filhos pequenos ou grávidas na fronteira, mas também mão de obra qualificada e especializada sendo aproveitada, como uma leva que foi para o Rio Grande do Sul. O ministro se reuniu recentemente com o governador de Roraima, Antonio Denarium, e fez quatro viagens ao Estado no período de um ano – a última uma visita interministerial ocorreu em janeiro. Ele diz que gostaria de sugerir uma viagem de Bolsonaro. Uma das maiores preocupações é com a falta de autonomia energética do Estado, que depende de energia elétrica fornecida pela Venezuela. 

As autoridades brasileiras não conseguem prever o quanto a crise perdurará. Apesar de a Defesa ter um adido militar em Caracas, o Brasil monitora constantemente as redes sociais e o noticiário local. Convocações para alistamento nas milícias bolivarianas e manifestações de lealdade a Maduro por parte dos militares venezuelanos são interpretadas como demonstrações de força do regime. Por outro lado, o ministro entende que houve uma maior pressão externa, com sanções econômicas por parte dos Estados Unidos, do Reino Unido e da União Europeia, e disse que há sinais de possível distensão com a proposta de mediação feita ao Vaticano.

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  • Com informações do Jornal Estadão. Por: Tânia Monteiro, Felipe Frazão, Lu Aiko Ota / BRASÍLIA


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