Na França bombeiros protestam contra ataques e são reprimidos com violência pela tropa de choque em Paris

Imagem do protesto de hoje em Paris, de autor desconhecido, via redes sociais.

Bombeiros de toda a França se reuniram em Paris nesta terça-feira (15), para protestarem contra a indiferença do governo do presidente Macron, e do ministro Edouard Phillipe, frente à problemas que a categoria profissional pede por soluções desde o governo anterior.

A manifestação começou pouco depois das 14h (hora local) e houve diversos incidentes violentos contra os Bombeiros, que eclodiram em vários lugares ao longo da rota de sua marcha de protesto.

No protesto dessa terça, milhares de bombeiros efetuaram uma grande manifestação entre a Place de la République e a Place de la Nation em Paris.

Eles reivindicam, entre outras coisas, um aumento salarial, mas também exigem principalmente, mais segurança contra os ataques sistemáticos de gangues islâmicas, assaltos e agressões diversas que sofrem regularmente por toda a França.

A tropa de choque da Policia de Paris (Gendarmerie Mobile) usou gás lacrimogêneo e ataques com canhão de água diversas vezes (por ordem do governo) para tentar dispersar a marcha, principalmente em frente à Assembléia Nacional (Congresso Nacional da França).

Por toda França ocorreram outros protestos nas principais cidades como: Lyon, Strasbourgn, Marseille, Tolouse, Dijon, Brest, Caen, entre muitas outras, porém apesar dos atritos com a Gendarmerie Mobile não foram registrados incidentes graves como em Paris.

O protesto terminou com centenas de Bombeiros feridos, sendo três considerados graves e seis Bombeiros presos sob acusação de promover agressões contra a Gendarmerie Mobile. A Prefecture de Police de Paris divulgou que oficialmente foram “apenas” três feridos entre os policiais e seis detenções para averiguação por agressões contra policiais.

As cenas impressionantes da repressão ao protesto de Paris nessa terça dia 15:

Os Bombeiros da França protestam por dois motivos:

– Primeiro: são cada vez mais vítimas de agressões de gangues durante suas intervenções, que vão desde apedrejamentos, às vezes ameaças de morte e até mesmo tiros de armas de fogo.

Todo mês, ocorrem aproximadamente 120 atos de extrema violência contra Bombeiros. Desde janeiro desse ano jà ocorreram aproximadamente 1300 incidentes de agressões que resultaram em 320 Bombeiros considerados feridos graves.

A categoria é uma das mais afetadas pelos casos de depressão e suicídios, perdendo apenas para os policiais em geral. Em 90% dos casos os ataques são efetuados por gangues islâmicas inspiradas por extremistas salafistas e outros movimentos.

– Segundo: Sucateamento da frota e de equipamentos, e, eles estão com excesso de chamadas para falsas ocorrências (trotes), e frequentemente precisam intervir também quando esse não é o seu papel, devido à recusa da Policia em intervir à ocorrências consideradas menores ou problemas sociais (por ordem do governo).

Em 2018, os Bombeiros da França realizaram 4,5 milhões de intervenções: uma a cada sete segundos. A sua missão principal é, como em qualquer outro país, o combate a incêndios e socorro a pessoas.

No entanto, cada vez mais, eles têm que lidar com casos psiquiátricos, desalojar os loucos, intervir com alcoólatras, e, tantas outras intervenções que não são de sua responsabilidade.

Os sindicatos dos bombeiros estão exigindo mais recrutamentos devido à crescente falta de pessoal por evasão da profissão devido aos riscos de ataques pessoais, mas também uma reavaliação de seu “prêmio por intervenção” em 28% do salário mínimo da França, contra 19% atualmente.

Outra demanda dos Bombeiros é a manutenção de seu plano de pensão, enquanto o governo quer reformar todos os regimes especiais para que um e o mesmo regime seja implementado.

A raiva dos Bombeiros na França não é nova, e já foi motivo para uma greve organizada em 14 de março de 2017. Nos últimos meses, os problemas não diminuíram e, uma mobilização nacional está em andamento desde janeiro, e, o sindicato da categoria chegou a pedir uma greve durante os meses de agosto/setembro.

O risco hoje é que mais e mais bombeiros abandonem a profissão. Mais amplamente, há a questão da reorganização da Defesa Civil na França (Sécurité Civile). Especialmente porque 79% dos 247.000 bombeiros são voluntários (16% são profissionais e 5% são militares) que não são pagos com um soldo fixo pelo seu posto/patente, mas simplesmente compensados, e alguns deles têm que procurar outro emprego para poder viver.

  • Com informações via Actu 17, TF1, France 2, France 3, France Info, BFM TV, Reuters e Sindicato dos Bombeiros da França via redação Orbis Defense Europe.


DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here
Enter the text from the image below