Navio-escola Brasil atraca pela primeira vez em Israel

Pela primeira vez, o navio-escola Brasil da Marinha do Brasil (MB), atracou em Israel. Em sua 33ª viagem pelo mundo, que começou em julho, o navio chegou na última quinta-feira (12) e depois de três dias seguirá rumo ao porto de Alexandria, no Egito.

No navio, os guardas-marinha (GM) têm experiência prática para completar sua formação depois de cursarem quatro anos da Escola Naval (EN). Este ano, 227 GM fazem parte da tripulação, incluindo dez mulheres. É a maior turma da história do navio.

O papel da embarcação, uma espécie de “embaixada flutuante” pelo mundo, é destacado pelo coronel Marcus Vinícius Gomes Bonifácio, adido de Defesa, Naval e do Exército junto à embaixada do Brasil em Israel. “É um grande relações públicas do Brasil na parte de Defesa”, diz o coronel.

Aula navegante

O navio-escola Brasil foi totalmente projetado para a instrução e o treinamento do futuros oficiais da Marinha. Construído em 1981 e incorporado à frota cinco anos depois. Em 1987, fez sua primeira missão.

O navio tem salas de aula, câmara de instrução de navegação, estações repetidoras de radar e outros equipamentos de simulação tática. Antes dele, outros dois tiveram o mesmo nome, o primeiro deles em 1864.

Do porte de uma fragata, a embarcação atual tem 130 mil metros de comprimento. É a maior com esse fim da América do Sul, já que a maioria dos países possui apenas veleiros que funcionam como navios-escola.

“O navio foi construído no Brasil pelo Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, um projeto criado pela nossa diretoria de Engenharia Naval, então com alto índice de nacionalização, mais de 70% de nacionalização, o que nos dá muito orgulho”, diz o comandante do navio, o capitão de mar e guerra Alexandre Bessa de Oliveira.

Em geral, a embarcação abre suas portas para convidados locais em todos os portos onde atraca. Até hoje, mais de 330 mil pessoas já subiram no convés principal para ver exposições e conhecer o navio por dentro.

Mas, em Israel, por questões de segurança, isso não pôde acontecer, explica o coronel Vinícius: “É a questão característica do porto. É um porto militar e o acesso é um pouco mais restrito porque, normalmente, essas visitações acontecem em portos civis em que há trânsito de pessoas. E aí facilitaria. No caso aqui ficaria enviável”.

Intercâmbios

A política, na verdade, não fica de fora dessas viagens amistosas. Este ano, por exemplo, o navio também leva oito convidados de marinhas estrangeiras de países como Cabo Verde, Angola, Senegal, Peru e Líbano.  O convidado libanês, no entanto, não seguiu com o grupo para Israel, considerado um país inimigo por seu governo.

Aliás, em 2006, o navio-escola tinha programado ir a Israel, mas não foi.  Justamente naquele ano, estourou um conflito entre israelenses e libaneses, a Segunda Guerra do Líbano.

O comandante Bessa conta o que aconteceu: “Tinha sido programado uma vez anterior, em 2006, mas foi quando uma crise entre Israel e Líbano e aí essa visita foi cancelada e acabou sendo, o porto sendo substituído por Istambul, naquela época”.

O navio também leva convidados do Exército, da Força Aérea, da Marinha Mercante Nacional, além de servidores civis da Marinha e oficiais de marinhas de países como Argentina, Chile, Uruguai, Peru, Estados Unidos, México, Portugal e Paraguai.

Em geral, a embarcação brasileira visita de 15 a 20 portos por missão. Este ano, sem contar dois portos no Brasil, são 18 paradas em 14 países, entre eles Estados Unidos, França, Eslovênia, Alemanha, Reino Unido, Portugal e Porto Rico.

Mas Israel é um destino especial, segundo diz o embaixador do Brasil no país, Paulo César Meira de Vasconcellos: “Isso mostra bem como as relações estão crescendo. Ou seja, pela primeira vez Israel foi colocado tour deles. Então eu acho que para nós é uma honra recebê-los aqui. Os guardas-marinha vão conhecer Israel, vão a Jerusalém, vão visitar Haifa, ou seja, vão conhecer um pouco de Israel e levar isso para o Brasil”.

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  • Por Daniela Kresch, site RFI


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