No Rio de Janeiro, ONU homenageia profissionais das missões de paz

Em comemoração ao Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz da ONU (29 de maio), o Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio) e instituições parceiras reuniram no Palácio Itamaraty, no Rio de Janeiro (RJ), brasileiros que integraram missões da Organização e especialistas em manutenção da paz.

O evento homenageou os soldados que servem sob a bandeira das Nações Unidas. Os chamados capacetes-azuis da Organização são militares que ajudam a levar a paz e a estabilidade a regiões do mundo afetadas por guerras. Esses profissionais atuam em funções que vão desde a prevenção de conflitos até a proteção de civis nos territórios em crise, contribuindo assim com a manutenção da paz.

Niky Fabiancic, coordenador-residente da ONU no Brasil, destacou a importância deste trabalho para a proteção das populações mais vulneráveis. “Este é um dia muito especial para reconhecer o trabalho dos militares, policiais e civis, dos brasileiros que participam nas missões de paz.

Desde 1956, quando ocorreu a primeira missão (de) que o Brasil participou, no canal de Suez, a participação brasileira nas Forças de Paz da ONU se mantém crescente e muito importante”, disse o dirigente.

A comemoração na capital fluminense foi organizada pelo UNIC Rio, Centro Conjunto de Operações de Paz do Brasil (CCOPAB), Centro de Instrução Almirante Sylvio de Camargo (CIASC) e Rede Brasileira de Pesquisa sobre Operações de Paz (REBRAPAZ). O evento contou com uma apresentação da Banda Sinfônica do Corpo dos Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro.

Mulheres em missões de paz

O evento destacou a atuação de militares mulheres nas missões de paz da ONU. As brasileiras Marcia Andrade Braga, capitão de corveta da Marinha do Brasil e ganhadora do prêmio da ONU sobre igualdade de gênero em missões de paz, e Andréa Firmo, tenente-coronel do Exército Brasileiro, compartilharam suas experiências como “peacekeepers” (soldados da paz) nas missões da ONU na República Centro-Africana (MINUSCA) e para o Referendo no Saara Ocidental (MINURSO), respectivamente.

A ONU avalia a presença de mulheres nas missões de paz como fundamental para a garantia de melhores resultados. A participação dessas oficiais traz uma perspectiva de gênero para as ações militares, além de fortalecer a presença feminina em cargos ainda lidos socialmente como masculinos.

Na República Centro-Africana, a capitão Marcia atuou como assessora militar de gênero e ajudou a construir uma rede de assessores treinados para lidar com questões de gênero dentro das unidades da missão.

“Ter mulheres em linhas de frente, como patrulhas e atividades mais operativas, traz efetividade para as operações militares. A partir do momento que tenho grupos mistos, homens e mulheres, eu consigo interagir melhor com a comunidade local. Consigo obter informações dos diferentes grupos (homens, mulheres, meninas e meninos) e empregá-las nas ações militares de planejamento. Ou seja, consigo mapear as áreas que são mais sensíveis e os grupos que são mais vulneráveis”, destacou a capitão.

A tenente-coronel Andréa Firmo foi a primeira mulher a assumir o cargo de comandante de uma base militar da MINURSO. Na função de observadora militar, era responsável pelo monitoramento dos grupos mais vulneráveis, como mulheres e crianças.

“Como observadora militar, eu era engajada com a causa da proteção do civil. Numa missão, pode haver uma barreira de aproximação difícil de ser quebrada quando você está de uniforme, mas (com) a exposição como mulher, a troca fica mais possibilitada”, aponta a militar.

Dia Internacional dos Trabalhadores de Paz da ONU

O Dia Internacional dos Trabalhadores das Forças de Paz é uma oportunidade de prestar tributo à contribuição dos milhares de militares e civis que servem nas missões. A data também é uma ocasião para homenagear os mais de 3,8 mil capacetes-azuis que perderam suas vidas enquanto trabalhavam sob a bandeira da ONU desde 1948.

Atualmente, existem 14 missões de paz em quatro continentes, sendo que oito reúnem mais de 90% dos profissionais das forças de paz — em Abyei e Darfur (Sudão), República Centro-Africana, República Democrática do Congo, Haiti, Líbano, Mali e Sudão do Sul.

A primeira missão de paz foi estabelecida em 29 de maio de 1948, quando o Conselho de Segurança da ONU autorizou o deslocamento de um pequeno número de observadores militares para o Oriente Médio, com o objetivo de monitorar o acordo de armistício entre Israel e os países árabes. Desde então, mais de 1 milhão de homens e mulheres já serviram em 72 missões de paz, protegendo os mais vulneráveis e salvando vidas.

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  • Com informações da ONU Brasil


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