No Senado, chefe do Escritório de Projetos do Exército fala do programa de Defesa Antiaérea

General de divisão Ivan Ferreira Neiva Filho é chefe do Escritório de Projetos do Exército Edilson Rodrigues/Agência Senado

Durante à audiência pública da Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT), no dia 02 de outubro, foi debatido o desenvolvimento dos programas estratégicos de defesa com foco em alta tecnologia e autonomia.

Alguns desses programas foram expostos, entre eles, o de Defesa Antiaérea dos Exército Brasileiro (EB), que prevê produção de um radar que será único no mundo.

Foi ouvido pelos senadores da CCT o chefe do Escritório de Projetos do Exército (EPEx), general de divisão Ivan Ferreira Neiva Filho. Ele afirmou que o programa de Defesa Antiaérea integra as três Forças Armadas e compreende uma série de sistemas de controle, alerta, radares e comunicações.

“É um sistema de sistemas. Na verdade, existem diversos sistemas que são integrados para conseguirmos proteger os nossos ativos, a nossa infraestrutura, o nosso território de uma possível incursão inimiga. E cada vez mais é uma vulnerabilidade que nós temos que fazer face, porque as ameaças existem”, afirmou.

Segundo o chefe do EPEx, o Brasil estava defasado nessa área de defesa e, por meio do programa, está tentando recuperar a capacidade de se defender contra ataques aéreos. Ele explicou que o país hoje, utiliza o radar SABER M60, que é de suma importância para o sistema de defesa de baixa altura.

O equipamento foi desenvolvido e desenhado pelo Centro Tecnológico do Exército (CTEx) em parceria com a empresa OrbiSat, e tem sido construído em Campinas (SP).

Outro radar que, em um ou dois anos, será utilizado pelo país é o radar SABER M200, que alcança 200 km de distância e tem uma tecnologia altamente sofisticada, segundo o general.

“Pouquíssimos países têm essa capacidade de ter um radar com essa configuração. Talvez, deste modelo, com essa mobilidade, da forma como nós estamos desenhando e com esse protótipo, seja o único no mundo. Isso vai nos trazer um ganho de qualidade, de possibilidade, não só de emprego tático, mas também é um desenvolvimento tecnológico novo, é uma possibilidade de exportação, de emprego e renda, extremamente relevante”, disse.

De acordo com o general Ivan, todo o programa de Defesa Antiaérea está planejado para ser concluído em 2039 e precisará até lá cerca de R$ 3 bilhões em investimentos, ou seja, R$ 110 milhões por ano. No entanto, o general afirmou que o orçamento destinado ao Exército está em torno de R$ 30 milhões anuais.

O presidente da CCT, senador Vanderlan Cardoso, disse, ao final da audiência, que ficou impressionado com o que o país tem feito na área de defesa. Segundo ele, a comissão tem feito várias audiências públicas e tem aprendido a valorizar o Brasil.

Defesa das Fronteiras

Questionado pelo senador Luiz do Carmo se o EB tem dado conta de monitorar as fronteiras do país, o general explicou que a defesa dessa região tem sido feita por um programa chamado Sistema de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron).

Ele afirmou que o Exército está usando tecnologia de ponta para monitorar 650 km de fronteira, entre o Mato Grosso do Sul e o Paraguai, mas que esse sistema precisa ser expandido, afinal são 17 mil km de fronteira no total.

“Os resultados são extremamente relevantes, o que está gerando um problema para outra área, porque o que trafegava por ali em termos de crime está se deslocando para outros locais. Por isso nós estamos expandindo o Sisfron agora. O Sisfron vai continuar para o resto do Mato Grosso do Sul e Mato Grosso, vai descer para Paraná e Santa Catarina e está indo para a Amazônia. Talvez seja o maior esforço gerencial que o Exército já fez em sua história: a contratação da expansão do Sisfron”, afirmou.

Embraer

Luiz do Carmo perguntou ainda se a venda da Embraer, empresa que fabrica aviões, não prejudicaria o EB. O general Ivan disse que a mudança de modelo de negócio da Embraer não vai interferir na Embraer Defesa & Segurança. Pois eles estão encarando a mudança como um desafio de produzir cada vez mais na área de defesa, o que pode trazer uma melhora para os programas do Exército.

Impacto Econômico

De acordo com o general Ivan, uma pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) mostrou que a cada real investido em defesa movimenta R$ 3,66. O general disse que o país deveria investir em defesa para alavancar a economia. Segundo Ivan, a indústria brasileira tem crescido muito com essa decisão do Exército de desenvolver a própria tecnologia de defesa e vários produtos têm sido utilizados em outras áreas.

Fonte: Agência Senado



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