Número de mulheres em operações de paz da ONU duplica e vítimas mortais caem pela metade

Minusma/Gema Cortes Soldados da paz na região de Mopti, no Mali, durante uma operação militar

O número de boinas azuis que morreram devido a ataques caiu de 58 em 2017 para 23 em 2019. Por outro lado, a presença de mulheres militares nessas forças duplicou no mesmo período, passando para 14,5%.

As informações foram divulgadas pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, durante um encontro de alto nível em Nova Iorque promovido por um conjunto de seis países, incluindo Portugal.

Importância

Para o chefe das Nações Unidas, os soldados da paz “representam a última e melhor esperança para milhões de pessoas em todo o mundo.” Ele diz que “alguns operam em ambientes altamente perigosos” e a comunidade internacional “nunca pode esquecer o seu serviço e sacrifício.”

A natureza dos conflitos está mudando, com as operações de paz enfrentando ambientes, adversários e armas mais perigosas. Segundo Guterres, a iniciativa Ação pela Manutenção da Paz, lançada por ele em março de 2018, é a resposta a essas mudanças.

O chefe da ONU citou várias melhorias. Na República Centro-Africana, por exemplo, as mudanças ajudaram a conseguir um acordo de paz. Em todas as missões, foram introduzidas novas formas de avaliação.

Devido a isso, algumas tropas com baixo desempenho voltaram para casa. Em outros casos, foram destacados mentores e realizadas mais formações.

Abuso sexual e vítimas

Ao mesmo tempo, a ONU está “fazendo todo o possível” para acabar com a exploração e abuso sexual conduzida por soldados da paz. Até ao momento, 103 países-membros assinaram o Pacto Voluntário para Eliminar a Exploração e o Abuso Sexual. Guterres pediu que os outros tomem a mesma decisão.

Além das 23 mortes de boinas azuis em ataques, as vítimas mortais causadas por explosivos caseiros e minas também caiu. No Mali, a missão mais afetada por esta ameaça, o número de mortes passou de 24 em 2016 para cinco em 2019.

Segundo o secretário-geral, as operações de manutenção da paz também estão mais flexíveis. Na República Democrática do Congo, por exemplo, a Monusco está usando uma combinação de bases militares e seis batalhões de resposta rápida para responder a ameaças.

Além disso, o número de unidades com falta de equipamentos essenciais caiu de 23 em 2018 para 12 atualmente.

Futuro

António Guterres destacou ainda dez áreas em que é necessário melhorar. Primeiro, é preciso mais apoio para as missões em ambientes difíceis. Depois, maior capacidade para as forças, melhores serviços de coleta de informação e fortalecimento na área dos direitos humanos.

Em quinto lugar, o secretário-geral disse que “as mulheres são um multiplicador de forças” e que, por isso, “são mais necessárias”. A ONU precisa ainda reduzir o número de vítimas, resolver faltas críticas de equipamentos, investigar e julgar autores de atos ilícitos, construir uma estrutura de avaliação de desempenho e, por fim, cumprir padrões de sustentabilidade ambiental.

Soluções

Para António Guterres, soluções políticas devem continuar sendo a prioridade para alcançar a paz sustentável. Ele deu o exemplo do conflito na República Centro-Africana, onde a assinatura de um acordo de paz levou a uma redução significativa na violência e mortes, mas disse que “em outros lugares, as soluções políticas continuam sendo uma ilusão”, como no Sudão do Sul e no Mali

Segundo o secretário-geral, “na ausência de soluções políticas, grupos armados podem tentar explorar um vazio de poder e criar ainda mais insegurança.”

Fundos

Por fim, Guterres pediu que os países-membros resolvam a crise financeira que está afetando as Nações Unidas, inclusive as operações de manutenção da paz.

Ele disse que “a maior flexibilidade na gestão de recursos entre missões” permitiu reduzir os pagamentos em falta a países que contribuem com tropas e policiais. Nesse momento, esse valor está “no nível mais baixo de todos os tempos.”

Apesar disso, ele avisou que essa “é apenas uma solução temporária” e que “os problemas estruturais do orçamento permanecem e, por isso, é esperado que a crise da dívida se repita.

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  • Com informações da ONU News


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