O dia em que Vladimir Putin ficou furioso e “mobilizou 14 mil soldados” no desfile

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Em 8 de maio de 1945, o maior conflito já visto em superfície europeia chegou ao fim. Quando a notícia da rendição da Alemanha alcançou o resto do mundo, uma multidão alegre se reuniu para comemorar nas ruas das grandes potências do beligerante, segurando os jornais que declaravam a Vitória na Europa, seja nos EUA, no Reino Unido, União Soviética, França e Brasil. Mais tarde naquele ano, o presidente dos EUA, Harry S. Truman, anunciou a rendição do Japão e o fim definitivo da Segunda Guerra Mundial.

Para comemorar o grande feito, os soviéticos planejaram o maior desfile militar já feito em todos os tempos, tal ordem ficou conhecida como o Desfile da Vitória de Moscou de 1945, também conhecido como Desfile dos Vitoriosos, o maior e mais longo desfile militar já realizado na Praça Vermelha, em Moscou, que envolveu ao todo 40.000 soldados do Exército Vermelho e 1.850 veículos militares e outros equipamentos militares. O desfile durou aproximadamente duas horas em um chuvoso dia de 24 de junho de 1945.

Por este brilhante feito que todo ano os russos e ex-repúblicas soviéticas comemoram a data especial reunindo-se em Moscou para marchar em solo sagrado, contando até mesmo com a participação da China que envia, todo ano, milhares de soldados que desfilam seus poderosos equipamentos bélicos.

O ano de 2020 foi diferente, não por causa das dificuldades impostas pela crise global de saúde provocada pela China, mas a marca histórica do 75º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial na União Soviética.

Entretanto, apesar de um grande desfile em Moscou ter ocorrido e planejado com o viés em aumentar a popularidade de Putin, na véspera de sua votação que estendeu o seu governo no poder até 2036, um fato ocorrido tirou a concentração total de Vladimir Putin que ficou muito furioso com a questão.

A Casa Branca, através de seu perfil oficial no Facebook, havia publicado em 8 de maio um vídeo com a legenda: “Em 1945, a América e a Grã-Bretanha tiveram vitória sobre os nazistas! O espírito da América sempre vai ganhar. No final, é isso que acontece.”

Sem dúvida, uma clara afronta à história do povo russo. Putin, através de seu Ministério de Relações Exteriores não perdeu tempo e acusou os EUA de não reconhecer a contribuição da União Soviética na Segunda Guerra, dizendo que deseja “uma conversa séria” sobre o assunto.

No comunicado oficial, Vladimir Putin manifestou: “Estamos extremamente indignados com a tentativa de distorcer o efeito da contribuição decisiva de nosso país”.

“As autoridades americanas não têm coragem nem vontade de prestar homenagem ao papel inegável e ao enorme número de mortes sofridas pelo Exército Vermelho e pelo povo soviético em nome de toda a humanidade.”

Chamando a declaração da Casa Branca de “particularmente mesquinha”, Moscou exortou Washington a não tornar isso “um novo problema para as relações bilaterais, que já estão passando por um momento difícil na época”.

Pela situação vexatória, Putin e seu alto escalão militar, furiosos, definiram as particularidades do desfile militar, e ordenaram pouco mais de 14.000 soldados, 200 veículos blindados e 75 aeronaves a marcharem na Praça Vermelha de Moscou. Representantes de outros 13 países também estiveram presentes.

O enorme evento ocorreu em plena manhã de 24 de junho, com bandeiras, hinos, gritos de guerra e de formação sendo ressoados ao mundo, a Rússia demonstrou uma bela exibição patriótica.

Para agudizar a situação, os próprios poloneses, terrivelmente afetados durante o conflito, manifestaram-se contra Vladimir Putin, acusando-o de estar manipulando a história da Segunda Guerra Mundial de uma forma que encobre os crimes soviéticos e o acusa de fazer isso como parte de uma “guerra de informação” contra o Ocidente.

Isso porque Putin se impôs como guarda-bandeira das ex-repúblicas ao declarar em público o reconhecimento da União Soviética como a principal causadora da derrota da Alemanha na época, na clara tentativa de quebrar as falas dos EUA.

Para os poloneses, uma nação que foi dividida pelos alemães e pelas forças armadas soviéticas e que perdeu 6 milhões de cidadãos, os soviéticos têm alguma culpa no início da Segunda Guerra.

O que parecia um grande evento de comemoração superficialmente, nos bastidores a briga diplomática e ideológica entre Putin e o Ocidente estava a todo vapor com as constantes trocas de acusações e manobras militares no Mediterrâneo, no Mar Negro e ao Norte da Europa pelas potências.

O desfile do Dia da Vitória de Moscou é sempre uma oportunidade para a Rússia mostrar seu papel como nação vitoriosa e também mostrar seu poderio militar. Apesar da fúria e não aceitação das acusações por Vladimir Putin, é imprescindível destacar que a União Soviética assinou um pacto de não agressão com a Alemanha pouco antes do início da guerra em 1939, conhecido como pacto Molotov-Ribbentrop. Tal acordo continha um protocolo secreto no qual as potências totalitárias concordavam em dividir a Polônia e os Estados Bálticos, arrumando as peças em solo alheio que favoreceram o extermínio de povos inocentes.

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