O Dossiê das Emoções – Um guia de informações para rápida análise e codificação

Por David Leucas

Apresento a vocês os resultados iniciais do “Dossiê das emoções”, uma compilação de informações em formato dinâmico e de fácil visualização para consulta rápida na análise e codificação da expressão facial das emoções.

O trabalho completo faz parte do modelo NVE-CLUE, nossa metodologia exclusiva de entrevista comportamental voltada para análise dos canais não verbais de comunicação

GATILHO: Estímulo que ativa a emoção.

DEFINIÇÃO: Estrutura e características subjetivas da emoção.

FUNÇÃO: Papel da emoção em relação ao gatilho e possíveis comportamentos observáveis.

VALÊNCIA: Polaridade Positivo/neutro/negativo da emoção, levando em conta seu impacto nas relações sociais e no próprio indivíduo

EMFACS: Codificação da emoção em aplicação do FACS para termos emocionais

SINAIS DE DISSIMULAÇÃO: Possíveis sinais encontrados quando alguém tenta Simular/Neutralizar/Falsificar a emoção.

Surpresa

DEFINIÇÃO: A mais breve e simples das emoções. É ativada frente a uma nova situação ou a um novo estímulo dentro de uma situação conhecida. Não é possível estar surpreso se temos consciência do estímulo.

FUNÇÃO: Preparar o organismo para lidar com algo que não sabe ao certo o que é. Em geral precede outras emoções, ou uma face neutra, caso o estímulo identificado não desperte nenhuma outra emoção.

VALÊNCIA: Neutra

SINAIS DE SURPRESA DISSIMULADA: Duração superior a um segundo, exibida apenas na face inferior, assincronia entre a face superior e inferior. AU5 superior a Intensidade B. As pessoas tendem a reagir a qualquer estímulo com surpresa, na intenção de mascarar suas reais emoções.

Medo

DEFINIÇÃO: O medo é elicitado pela ameaça de dano real ou imaginário, ele só cessará após o indivíduo estar longe do estímulo perigoso. O medo ativa uma resposta imediata de FFF (Freeze, Flight or Fight – paralisar, fugir ou lutar), pois a velocidade da resposta ao perigo pode significar a sobrevivência.

FUNÇÃO: Preparar o organismo para o perigo e eminente ameaça à saúde física, mental, social ou material. Uma pessoa com medo terá todos os recursos fisiológico para fugir e focará seus pensamentos e atenção em como fazê-lo.

VALÊNCIA: Negativa

SINAIS DE MEDO DISSIMULADO: Ao simular medo as pessoas tendem a concentrar sua atenção nos olhos e na boca, a AU4 é um sinal seguro de diferenciação a se considerar, assim como a presença da AU20

Aversão

DEFINIÇÃO: A aversão (nojo) é dividido entre aversão básica, que é a sensação de repugnância frente à decomposição, vísceras, fluídos corporais dentro outras situações e substancias que não devem ser ingeridas. E a aversão social, que é a repugnância que sentimos ao presenciarmos atos antissociais, principalmente perversões sexuais.

FUNÇÃO: Impedir o organismo de entrar em contato ou ingerir substâncias nocivas, assim como evitar o contato com indivíduos que quebrem tabus morais. O nojo exingue qualquer possibilidade de empatia por seu alvo.

VALÊNCIA: Negativa

SINAIS DE AVERSÃO DISSIMULADA: Aversão simulada costuma ter uma intensidade alta, assim como um foco maior é dedicado a musculatura da boca. Observe a acentuação do sulco nasolabial.

Desprezo

DEFINIÇÃO: Emoção sentida ao nos considerar superiores, em geral moralmente, a um indivíduo ou conceito. O Desprezo subestima seu alvo, que não representa perigo a ele e tampouco terá suas qualidades reconhecidas.

FUNÇÃO: Ajudar o organismo a decidir o que deve ser tomado como perigo e o que deve ser desconsiderado. O desprezo preserva a auto imagem positiva.

VALÊNCIA: Negativa. Embora vivenciar o desprezo não seja necessariamente negativo, suas consequências nas relações fazem dele uma emoção negativa.

SINAIS DE DESPREZO DISSIMULADO: Em geral o desprezo simulado ocorre através de emblemas faciais. O desprezo deve ocorrer de maneira unilateral, os movimentos ocorridos nos dois lados da face é um possível sinal de deliberação da expressão.

Raiva

DEFINIÇÃO: A mais destrutiva das emoções. Sentimos raiva quando algo se põe entre nós e um objetivo; seja uma conquista, uma posse, ou mesmo a preservação de nossa auto imagem. Quem sente raiva deseja causar dano, seja físico, psicológico, social ou material.

FUNÇÃO: Capacitar o organismo a defender seu território, familiares e auto estima através de atitudes que visem uso de força e agressão. A raiva fornece a força, foco e resistência necessária para proezas físicas, embora limite um pensamento estratégico.

VALÊNCIA: Negativa

SINAIS DE RAIVA DISSIMULADA: Assincronia entre a face inferior e superior, exibição apenas na face inferior, a presença da AU7 é um potencial indicador de raiva espontânea.

Alegria

DEFINIÇÃO: Conjunto de emoções agradáveis. Assim como as emoções de valência negativa, Ekman distingue 16 formas de sensações agradáveis que definem sensações como experimentar algo novo, superar um desafio, saborear um prato, ajudar e receber ajuda e relações com pessoas amadas.

FUNÇÃO: Incentivar comportamentos que visem a perpetuação da espécie e manutenção de normativas sociais que também possuem este fim. Por exemplo: ajudar alguém nos faz feliz, quem é ajudado se sente feliz e isso reforça os laços sociais e coletividade, o que aumenta as chances de sobrevivência do indivíduo.

VALÊNCIA: Positiva

SINAIS DE ALEGRIA DISSIMULADA: O sorriso é a assinatura das emoções agradáveis, e este necessita da atuação da AU6, sorrisos sem este movimento, ou com sua ação fora de sincronia são comummente falsos. Assim como o Onset e Offset abruptos e Apex com duração excessiva.

Tristeza

DEFINIÇÃO: Esta emoção possui 2 polos subjetivos: A Angústia, onde há atividade, sofrimento e objeção em relação à perda, e a tristeza, onde há resignação, passividade e aceitação da perda. Ambas fazem parte do processo de elaboração de qualquer perda sofrida.

FUNÇÃO: Ajudar o organismo a se recuperar de algo que perdeu. A tristeza conserva energia em um momento de fragilidade. Um indivíduo que sofreu uma perda é um indivíduo incompleto que precisa de tempo para reestruturar esta fala pra ter seus recurso novamente aptos a lidar com a vida.

VALÊNCIA: Negativa

SINAIS DE ALEGRIA DISSIMULADA: A tristeza dissimula costuma focar seus sinais na face superior e dificilmente utiliza a AU15, sendo ela um bom sinal de diferenciação. A tristeza posada tende a ter uma duração excessiva na parte superior da face.

Descrição x Inferência

Entendamos que codificar os movimentos da face através do FACS e EMFACS  é apenas uma parte do que  entendemos com análise do comportamento não verbal, assim como devemos entender que a codificação destes movimentos devem SEMPRE vir antes da inferência acerca de qual emoção aparece na faace, do contrário aumentam as possibilidades de contaminação da  apercepção das AUs que corroborem com a emoção que acredita ter identificado na. face.

PRIMEIRO descreva o que vê e EM SEGUIDA atribua um significado a isso. Este significado é sucedido pelo entendimento de que estados subjetivos, mudanças na fisiologia que ocorrem em cada emoção e a que tipo de comportamentos ela impulsiona a pessoa  que a vivenciaa, assim como quais os comportamentos qque pode vir a ser inibidos por ela. Eis aí, talvez a principal vantagem da capacidade de  interpretar de maneira científica as expressões faciais emocionais,  a possibilidade da antecipação de comportamentos.

A capacitação em análise de microexpreessões

O Dossiê das emoções será lançado nas próximas semanas em nossa formação completa em análise de microexpreessões, e se você deseja se capacitar para identificar expressões ee microexprerssões faciais e descobrir o que realmente  sentem as pessoas à sua frente, através de metodologias e instrumentos validadas cientificamente, clique no botao abaixo e conheça a formação em análise de microexprerssões mais completa do Brasil.

Referências

Ekman P., A linguagem das emoções, 2011. Editora Lua de papel – SP

Ekman, P., Friesen, W. Hager, J. (2002). Facial Action Coding System: A Technique for the Measurement of Facial Movement. Consulting Psychologists Press, Palo Alto. (obra original publicada em 1978)

Ekman, P., Friesen, W. Hager, J. (2002). The investigaator guide . Consulting Psychologists Press, Palo Alto.

P.Ekman, W. Irwin, and E. Rosenberg (1994). EMFACS Protocol.



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