O Míssil De Cruzeiro Naval MdCN Da Marinha Francesa

O MdCN fornece uma capacidade operacional única com ataque de precisão métrica de longo alcance contra alvos sensíveis. Foto: MBDA

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Visando a capacidade de atacar alvos estratégicos com total precisão a distâncias abusivamente estendidas se tornou um requisito operacional chave de muitas forças armadas pelo mundo.

Para suprir esta grande demanda na força naval francesa, a empresa europeia com sede na França, a MBDA, desenvolveu o míssil de cruzeiro naval para atender ao requisito emitido pelo Ministério da Defesa da França para um míssil de cruzeiro de longo alcance capaz de ser lançado de navios de superfície e submarinos.

O desenvolvimento do míssil iniciou após um contrato ser expedido pela Diretoria Geral de Armamentos Francesa (DGA) em 2006 à empresa MBDA que trabalhou em conjunto com a Marinha da França e a Naval Group, o míssil de cruzeiro naval se tornou o dispositivo futuro no conceito de longo alcance no mar, e já demonstra capacidade substancial e precisa em atingir alvos terrestres a distâncias superiores a 1.000 km, um nível que o destaca entre o quadro de grandes mísseis de cruzeiro do tipo pelo mundo, destaque aos mísseis BGM-109 Tomahawk americano e 3M-54 Kalibr russo.

Os mísseis de cruzeiro subsônicos de longo alcance chegam a 1.000 quilômetros de distância e reportam-se no ar a velocidades acima de 800 km/H em posse de manobrabilidade em tempo real através de navegação por satélite.

As versões do MdCN francês em plataformas navais de superfície e submarinas possuem 1.400 Kg e 6,5 m de comprimento, sendo movido exclusivamente por um motor turbojato Microturbo TR50, dando-lhe uma velocidade de Mach 0,8.

Atualmente a versão de embarcação de superfície já está operante e alcançou o primeiro teste de lançamento bem sucedido em maio de 2010, e para que seja possível seu disparo, o míssil MdCN é lançado verticalmente a partir das fragatas da Classe FREMM da França usando o lançador vertical SYLVER A70 compacto, já a versão submarina está em avançado desenvolvimento, e será operada pelos submarinos de ataque nuclear da classe Suffren, a primeira classe de submarinos franceses equipados com esta capacidade convencional de ataque profundo, isso representa a ameaça constante e não detectada de um ataque no mar ao inimigo, e corrobora no elevado aumento significativo da capacidade de penetração das armas francesas nos teatros de operações.

A classe Suffren, também conhecida como Classe Barracuda, foi desenvolvida para substituir os submarinos da classe Rubis. Além de carrear grande armamentos pesados como quatro tubos de torpedo para 533 mm e 20 racks para torpedos F21 Artemis, possui compartimentos para mísseis de cruzeiro naval Storm Shadow (o SCALP) com um alcance de mais de 1.000 km, corretamente aptos ao lançamento do novo MdCN francês.

Por estar apto ao lançamento, no dia 20 de outubro, houve um grande teste de fogo com o míssil de cruzeiro naval MdCN do submarino Suffren diretamente do Mediterrâneo.

Conforme os últimos testes e informações das autoridades participantes, o MdCN realiza voo em baixa altitude e em alta velocidade, tornando-se particularmente difícil de ser detectado e interceptado, especialmente porque o míssil é projetado para ter uma área de radar muito pequena e área infravermelha reduzida.

Contudo, a sua navegação, como supracitado, é baseada em uma unidade inercial com ajuste altimétrico e geográfico e por GPS, sendo o golpe final da responsabilidade de um buscador infravermelho avançado capaz de diferenciar alvos e explorar fraquezas do inimigo.

O míssil pode, portanto, ser utilizado mesmo em um ambiente de intensa guerra eletrônica, preservando sua capacidade de navegação e precisão métrica.

No início de 2017, a MBDA entregou à Marinha Francesa o primeiro lote de mísseis de cruzeiro naval destinados a equipar as novas fragatas multi-missão. Estava previsto um conglomerado de 250 mísseis, entretanto, as atribulações orçamentárias da força naval reduziram a encomenda para 150 mísseis, sendo 100 para a Fragata FREMM e 50 para o submarino Suffren.

Muito embora o Storm Shadow de ambas as versões esteja operacional, a sua substituição integral já é prevista até o final desta década pelo MdCN francês de tecnologia futura.

Apesar de a versão submarina estar “em desenvolvimento”, a alta capacidade de precisão, alcance e superioridade contra grandes defesas antiaéreas serão os fatores-chaves que norteará a força naval contra qualquer adversário a grandes distâncias, fatores importantes na antecipação de ataque e redução de danos da Armada Francesa.

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