O Mistério Do Novo Míssil Balístico Da Coreia Do Norte!

Lançamento do míssil Hwasong-15 intercontinental capaz de atingir os EUA. KCNA/UPI

Pyongyang sempre foi o centro das atenções na Península Coreana e em parte do continente asiático pelas inúmeras demonstrações de força contra as grandes potências e organizações internacionais de resoluções diplomáticas do ocidente.

Kim Jong-un aos 8 anos com uniforme de general.

Logo após a morte de Kim Jong-il em 2011, o Poder Supremo da Coreia do Norte ficou nas mãos de um jovem e audacioso Kim Jong-un de apenas 27 anos, forjado no luxo e nos estudos suíços durante a infância, recebeu um grande status quo de herdeiro direto ao Poder já aos 8 anos de idade, sendo reconhecido ilusoriamente como um General da nação.

Lançamento de um míssil Hwasong-12. KCNA

A partir de 2011, Kim adotou posturas controversas, iniciou uma série impressionante de testes de mísseis balísticos, veículos laçadores múltiplos de foguetes e outras armas de artilharia e de infantaria, alcançando o ápice nunca antes observado em 2017, no qual o mundo conheceu a mais poderosa arma estratégica do país, o Hwasong-15, também denominado pelos americanos de KN-22, um balístico intercontinental de 22 m de comprimento, o maior e mais poderoso míssil que a Coreia do Norte já testou até o momento, com grandes possibilidades de alcançar a região norte-americana, graças ao sistema de propulsão de dois estágios de combustível líquido que perfaz 13 mil Km.

Lançamento do Hwasong-15, o incrível míssil intercontinental norte-coreano, 2017. KCNA

Na época do anúncio do grande míssil, a inteligência americana estava ciente da nova arma e sabia que seria algo novo o suficiente para chamar a atenção e acender o alerta na Ásia. Antes mesmo dos preparativos de lançamento, imagens de satélite captaram o dispositivo sendo deslocado e posicionado durante três dias a 30 km da capital.

O mundo acompanhando o incrível lançamento do Hwasong-15 em 29 de novembro de 2017. Reuters/Kim Hong-Ji

As especulações se tornaram verdadeiras em 28 de novembro de 2017, o míssil ganhou aproximadamente 4.500 km de altitude e percorreu 960 km, e especialistas determinaram a alta capacidade do dispositivo em alcançar horizontes nunca antes explorados pelos eremitas Kims, os EUA.

Em janeiro deste ano, a TV estatal da Coreia (KCNA) anunciou uma “nova arma estratégica do país”, não citou maiores detalhes sobre o armamento e tão pouco o possível evento de demonstração, uma resposta à falência diplomática da nação com o presidente americano Donald Trump iniciada fisicamente em junho de 2018 durante a Cúpula EUA e Coreia do Norte em Cingapura que, entre inúmeras solicitações diretas a Kim, solicitou a retração imediata dos programas nucleares para assim atenuarem as sanções impostas pela Casa Branca.

Tufões atingindo a Península Coreana em Setembro de 2020. CNN

A grave crise global ocasionada pelo microrganismo chinês (Coronavírus) somada às turbulências naturais dos tufões Haishen e Maysak em setembro, interferiram consideravelmente nos projetos de apresentação e testes da misteriosa arma estratégica, pelo fato do governo utilizar a organização midiática global focada nas atividades de interesse da nação.

Sendo assim, qual seria a possível saída de Kim? Como já anunciado pelo canal Área Militar, a inteligência sul-coreana e ocidental confirmaram um possível novo míssil balístico intercontinental da Coreia do Norte junto com quatro outros lançadores móveis em uma fábrica de automóveis nos arredores de Pyongyang.

Imagens de um suposto posicionamento de míssil balístico no centro de Pyongyang em 22 de setembro de 2020. 38 North/PlanetLabs

Acredita-se que o objeto balístico misterioso verificado pelas agências seja muito maior que o Hwasong-15 de 22 metros de comprimento, e provavelmente já esteja sendo movido em direção ao centro dos grandes eventos militares na famosa Praça de Kim Il-sung, o coração de Pyongyang, que receberá um grande desfile em 10 de outubro em comemoração ao 75º Aniversário de fundação do país.

É claro que o diagnostico positivo de Donald Trump ao novo microrganismo afetou as intenções das lideranças norte-coreanas que preveem perda de holofotes midiáticos, porventura a arma estratégica transitará nas ruas coreanas logo mais.

Realmente sabe-se muito pouco sobre o misterioso míssil, o ceticismo encravado entre grandes especialistas do ramo garante que o vetor estratégico não partirá de um submarino balístico, mas de plataformas móveis.

Embarcações e submarino lançador de mísseis balísticos norte-coreanos sob movimentação no Estaleiro Sinpo Shouth em 4 de setembro de 2020.

Contudo, tal tese cética pode ser quebrada por um artigo publicado pelo Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) em 4 de setembro que analisou diversas imagens de satélite do Estaleiro Sinpo South, evidenciando diversas manobras logísticas e preparativos para um próximo teste de um míssil balístico lançado pelo submarino Pukguksong-3 (SLBM).

Kim Jong-un acompanhando um lançamento de míssil balístico lançado por submarino em 9 de maio de 2015. KCNA

Neste momento há duas possibilidades na mesa sobre a “nova arma estratégica da Coreia do Norte”: a primeira é o dispositivo balístico muito maior que o Hwasong-15 identificado pela Coreia do Sul em plena região de Pyongyang; e a segunda é os fortes indícios de um novo ensaio real de um possível novo sistema balístico lançado por submarino, pelo fato de haver diversos navios de reboque utilizados para locomover barcaças submersíveis de teste em mar.

A baixa tecnologia para lançamento balístico diretamente de submarinos submersos é visível na Coreia, nos últimos anos Kim já tratou de chamar submarinos como “Arma Estratégica” do país, apesar disso as tratativas atuais parecem convergir para mísseis balísticos intercontinentais de plataformas terrestres móveis ou submersíveis em água, um mistério que as agências de inteligência estão trabalhando arduamente para desvendar.

Outro ponto debatido é sobre a real capacidade de carreamento nuclear destes futuros produtos a serem anunciados.

Kim Jong-un inspecionando um dispositivo que parece ser uma poderosa ogiva termonuclear. KCNA/Daily Mail

Possuir um míssil balístico intercontinental como o Hwasong-15 não necessariamente é dispor de meios tecnológicos para acoplar ogivas nucleares, o maior desafio das nações autoritárias.

Ainda não está claro se o Hwasong-15 de 2017 foi equipado com uma carga útil ponderada de forma realista ou se operou com ou sem carga leve, entretanto, as conclusões convergem para a queda do alcance à medida que uma ogiva nuclear for implantada, e se a nova arma balística futura for robusta o suficiente para também transfixar continentes, a dúvida dos especialistas recairá na obtenção ou não da tecnologia de acoplagem de ogivas nucleares pelos norte-coreanos.

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