O Projeto Sistema Combatente Brasileiro – COBRA

Cada Força Militar deve possuir um poderio adequado para prevenir agressões e estimular a solução pacífica de controvérsias

As Forças Armadas brasileiras destinam-se, conforme estipula o artigo 142 da Constituição de 1988, à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer um destes, da lei e da ordem.

Para tanto, cada uma das Forças deve possuir um poder militar adequado para prevenir eventuais agressões e estimular a solução pacífica de controvérsias. Assim, espera-se que o Exército Brasileiro (EB) seja um instrumento eficaz de dissuasão, o que requer organização, equipamento e adestramento.

O Comando de Operações Terrestres (COTER), como Órgão de Direção Operacional do Exército, possui um papel relevante na obtenção e manutenção das capacidades que tornam a Força Terrestre (FTer) apta a ser este eficaz instrumento de dissuasão.

Nesta direção, o Centro de Doutrina do Exército (C Dout Ex), órgão do COTER, preocupa-se constantemente em encontrar as respostas mais efetivas e eficazes para as seguintes questões: Como a FTer deve se organizar? Como ela deve se equipar? Como deve combater?

Dessa forma, é responsabilidade dos formuladores da doutrina do Exército participar da elaboração dos requisitos operacionais dos equipamentos – mais precisamente denominados Sistemas e Material de Emprego Militar (SMEM) – que vão compor o acervo das Unidades Operativas da Força.

Trata-se de responder a uma das perguntas feitas no parágrafo anterior, definindo-se como a F Ter deve se equipar. A conjuntura econômica vivida pelo país já há algumas décadas inegavelmente afetou o acervo dos SMEM da Força.

Para fazer face a esta situação, uma das soluções encontradas pelo Exército foi a estruturação do Programa Estratégico do Exército Obtenção da Capacidade Operacional Plena (Prg EE OCOP).

O Prg EE OCOP busca a recuperação e/ ou obtenção de novas capacidades da F Ter, por meio da substituição de SMEM defasados tecnologicamente ou no final de seu ciclo de vida, do aumento da interoperabilidade logística entre as Forças, da melhoria dos equipamentos individual e coletivo do combatente e da efetividade da sustentação logística dos meios militares terrestres.

Para isso, o Programa é composto por um subprograma e dois projetos:

  • o subprograma Sistema Artilharia de Campanha;
  • o projeto Sistema Combatente Brasileiro (COBRA); e
  • o projeto Material Engenharia de Combate.

Neste artigo, trataremos especificamente do Projeto COBRA. A Portaria 263-EME, de 18 de julho de 2016, aprovou a Compreensão das Operações (COMOP), do Sistema Combatente Individual do Futuro¹. Desse documento, exprime-se a missão do Projeto:

[…] desenvolver um Material de Emprego Militar (MEM), dotado de adaptabilidade, flexibilidade e modularidade. Esse sistema deverá potencializar a consciência situacional, permitindo ao combatente atuar em rede, aumentar efetivamente a proteção individual, logrando à F Ter aumentar as capacidades militares terrestres e as capacidades operativas, sendo um efetivo instrumento do processo de transformação da Força.

O documento enfatiza que os itens previstos no Projeto poderão ser utilizados por todos os integrantes da Força, esperando-se que tragam como benefícios melhores condições para se combater em rede, uma consciência situacional aumentada, melhor proteção individual e capacidade de atuar em todos os ambientes operacionais encontrados no território nacional.

Isso significa que o material a ser adotado deve possuir, entre outros, os atributos da modularidade e da adaptabilidade a diferentes ambientes operacionais, tais como selva amazônica, caatinga, pantanal, montanha, pampa e urbano.

Tal adaptabilidade, além de permitir o preparo e o emprego mais adequados, permitirá, também, melhores condições para o emprego em ambientes externos similares, particularmente, considerando a possibilidade de emprego como força expedicionária ou em operações de paz da Organização das Nações Unidas.

Partindo-se das premissas acima mencionadas, e levando-se em consideração que a doutrina da Força Terrestre deve estar comprometida com a elaboração dos requisitos operacionais, bem como com a definição dos SMEM a serem adquiridos, a partir de 2018 a equipe do projeto passou a ser composta por militares do COTER, em estreita colaboração com o Estado-Maior do Exército e demais órgãos de direção setorial envolvidos nas aquisições a serem realizadas.

Assim, em agosto de 2018, por meio de portaria do Comandante de Operações Terrestres, foram definidas as condicionantes operacionais dos 51 itens a serem adquiridos pelo Projeto COBRA.

Tais itens foram propostos pela equipe do projeto, em estreita colaboração com o Estado-Maior do Exército, como segue: Esses equipamentos deverão agregar tecnologia, de modo que proporcionem um significativo avanço às capacidades letalidade, proteção e sensoriamento do combatente individual do EB

Definidas as condicionantes operacionais, e seguindo-se a metodologia prevista nas Instruções Gerais para a Gestão do Ciclo de Vida e dos Sistemas e Material de Emprego Militar (EB10-IG01.018), foram produzidos os requisitos operacionais.

Assim, em março de 2019, a Portaria nº 054-EME aprovou os requisitos operacionais de todos os itens do projeto. Concomitantemente, um grupo de trabalho foi formado, integrado por uma equipe multidisciplinar, composta por engenheiros militares e combatentes para produzir os requisitos técnicos, logísticos e industriais (RTLI) dos equipamentos incluídos no projeto.

  • Fonte: Doutrina Militar Terrestre em Revista (jul a set 2019)

  • REFERÊNCIAS
EXÉRCITO BRASILEIRO. Estado-Maior do Exército. Declaração de Escopo do Programa Estratégico do Exército Obtenção da Capacidade Operacional Plena (Prog EE OCOP). Brasília, 2017.
______. Diretriz de Criação da Compreensão das Operações (COMOP) n° 03/2016, do Sistema Combatente Individual do Futuro. Boletim do Exército nº 29, de 22 Jul 2016. Brasília, 2016.
______. Requisitos Operacionais (RO) do Sistema Combatente Brasileiro (COBRA).
______. Requisitos Técnicos, Logísticos e Industriais do Sistema Combatente Brasileiro (COBRA).
______. Instruções Gerais Para a Gestão do Ciclo de Vida dos Sistemas e Materiais de Emprego Militar (EB10-IG-01.018). Brasília, 2016.
  • NOTA DO AUTOR: (1) Nome do Projeto COBRA, à época.
  • NOTA DA REDAÇÃO DEFESATV: O presente artigo data de 2019, mas continua bem atual sobre as ações que o Exército Brasileiro, vem fazendo a respeito na aquisição dos materiais para o Projeto COBRA


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