O real motivo dos EUA “abandonarem” 17 Bombardeiros B-1B Lancer

Bombardeiro B-1B Lancer. Boeing

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O B-1 é um bombardeiro de asa oscilante destinado a missões de penetração em alta velocidade e em baixa altitude. Seu primeiro voo ocorreu em dezembro de 1974, mas em junho de 1977 o programa foi cancelado.

Mais tarde, em abril de 1981, quatro Rockwell International B-1A foram construídos e usados ​​para testes de voo, obtendo um ótimo desempenho, e em outubro, o presidente americano Ronald Reagan reviveu o programa como aeronave B-1B, que operava a 60.000 pés de altitude e tinha um alcance de mais de 7.000 milhas.

Segundo a Boeing, a Força Aérea Americana (USAF) encomendou 100 B-1B Lancer em 1982, um ano após o revolucionário teste de qualificação, e a primeira aeronave foi entregue à Força Aérea na Base Aérea de Edwards, na Califórnia, em outubro de 1984, e o último Rockwell B-1B saiu da montagem final em Palmdale, em 20 de janeiro de 1988.

Neste ponto, o Comando Aéreo Estratégico dos EUA tinha em mãos um novo conceito de bombardeiro que elevava a nação a um patamar muito à frente da sua maior rival na época, a URSS.

O B-1B detém 61 recordes mundiais de velocidade, carga útil e distância, e o primeiro uso em combate coordenado pelo Comando Aéreo foi em dezembro de 1998 durante a operação Desert Fox, onde a aeronave penetrou nas defesas aéreas iraquianas para destruir o quartel da Guarda Republicana.

Em 1999, seis B-1Bs foram implantados na Base da Força Aérea Real de Fairford, Inglaterra, para apoiar a Operação Força Aliada em Kosovo. Já na operação Enduring Freedom, os B-1Bs despacharam milhares de bombas e cerca de 70% das armas guiadas de alta precisão JDAM no conflito.

O B-1B Lancer tem história na Força Aérea Americana, proporciona dissuasão incomparável em ataque orquestrado por trás da linha inimiga, entretanto, as cicatrizes das intensas demandas e usos durante sua história deixaram sequelas irreparáveis.

A Boeing, atual responsável pelos projetos e desenvolvimento da plataforma, salientou que as operações contínuas de apoio em guerra do Lancer nos últimos 20 anos afetaram a estrutura da fuselagem devido ao uso excessivo de uma maneira não compatível com seu projeto.

Bombardeiro B-1B Lancer decolando. Boeing

Atualmente, uma parte das aeronaves de ataque B-1B Lancer estão em um estado crítico que exigirá dezenas de milhões de dólares por aeronave para retornarem à condição operacional de serem incluídas em uma frota até que o Bombardeiro furtivo Northrop Grumman B-21 Raider esteja definitivamente operacional, apesar da projetada perda de milhões de dólares pela Boeing, a segurança financeira e operacional da Força Aérea Americana deve estar acima de tudo, um dos motivos dos oficiais da USAF proporem a retirada de 17 B-1B Lancers estruturalmente comprometidos em 2021 para que os dólares de manutenção e a força de trabalho pudessem ser concentrados nas aeronaves que estejam em condições mais acessíveis de serem operacionalizadas.

É interessante salientar que a retirada dos bombardeiros já estava prevista há tempo, e fazia parte do cronograma de descomissionamento dos Lancers para seguir o treinamento dos pilotos, das Alas e das frotas atualmente operantes do equipamento aéreo, a fim de prepara-los ao mecanismo de transição para o B-21 Raider.

A proposta de recuperar os B-1B em melhores condições estenderá a vida útil das aeronaves e saciará as demandas mais emergentes e urgentes do Comando Aéreo Estratégico em caso de infiltração coordenada com bombas guiadas convencionais ou nucleares, ou seja, não haverá perda nas capacidades de ataque global do B-1.

Além disso, há um estudo interno da USAF que provavelmente estará incluído na proposta de recuperação dos B-1, estender a capacidade de armazenamento interno e externo do dispositivo, adicionando mísseis do tipo Joint Air-to-Surface Standoff, aqueles mísseis de cruzeiro de longo alcance, bem como a possibilidade de acoplar armas hipersônicas.

À primeira vista, os planos da USAF é assustador e parece desolar a capacidade de pronto-emprego das aeronaves B-1 e o ataque dos mísseis carreados por elas, mas, às vezes, é necessário o sacrifício de algumas ovelhas para salvar o rebanho, é necessário o desmantelamento de dispositivos para manter a força de uma frota de ataque global empregada em qualquer canto do planeta contra qualquer inimigo, despejando mais de 84 bombas convencionais e outras dezenas externamente, um verdadeiro apocalipse sem fim ao inimigo.

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