O Rio de Janeiro continua lindo, mas até quando?

O Rio de Janeiro continua lindo, mas até quando?

Eugênio Ricas é Delegado
Federal, Adido da PF nos
EUA, Mestre em Gestão
Pública pela UFES

Matéria jornalística exibida recentemente no Rio de Janeiro apresentou dados aterrorizantes da criminalidade no estado. Os dados apontam um mapa inédito da criminalidade e foi produzido pela Polícia Civil para orientar o Supremo Tribunal Federal em ação que decidirá sobre as regras para operações policiais nas favelas do Rio, durante a pandemia.

Conforme indicado pela Polícia, o crime organizado no RJ controla 1413 favelas, sendo que 81% são dominadas pelo tráfico e o restante, ou seja, 19% pelas milícias. São 828 comunidades sob o controle da organização de traficantes mais poderosa do RJ e 278 completamente controladas por milícias. Grupos menores de traficantes dividem o controle das outras 307 áreas. São números assustadores e que, infelizmente, não param por aí!

Mais de 100 escolas estão situadas em áreas de risco, dominadas por milícias e por traficantes que, aos poucos, vão diversificando suas atividades. As milícias, para aumentar os lucros e manter a força em seus territórios, já estão atuando no comércio de drogas. Os traficantes, por sua vez, passam a atuar, também, em atividades típicas de milícias.  Tiroteios e chacinas são frequentes nessas regiões.

As estimativas apontam para a existência de 56.620 criminosos em liberdade. O efetivo de toda a Polícia Militar conta com 44.570 homens e mulheres para fazer frente ao exército de marginais. Como se não bastasse a desproporcionalidade dos números, apenas 22.322 policiais trabalham na atividade fim, ou seja, patrulham as ruas objetivando coibir a ação dos bandidos. A Polícia Civil reforça essa guerra desigual com apenas 8.842 agentes, que são responsáveis por investigarem os crimes praticados. Apenas para se ter noção do tamanho do problema, há em andamento 675 inquéritos policiais que investigam organizações criminosas, 4.137 que investigam estupros, 5.522 que apuram homicídios e 2.200 que investigam tráfico de drogas. No meio desse cenário desanimador, a Polícia Civil ainda investiga 9.672 casos de violência doméstica.

Dentro dos presídios os números não são melhores. Estimativas apontam para a existência de 51.000 presos ligados às facções criminosas. 895 criminosos considerados como sendo de altíssima periculosidade têm mandando de prisão em aberto e contribuem para que o caos continue a reinar nessa guerra injusta e desigual.

            Lamentavelmente, um dos cartões postais do Brasil vem, ao longo dos anos, se transformando num estado sucateado pela corrupção e má gestão. A criminalidade ocupa os espaços deixados pelo poder público e os cidadãos de bem tentam sobreviver frente à violência desenfreada e a deficiência de serviços públicos elementares. O Rio se transformou num caminho a não ser seguido, um mau exemplo. O triste destino desse belo estado fortalece a tese de que educação de qualidade, oportunidade aos jovens, políticas públicas efetivas no campo da habitação e saneamento e investimentos inteligentes na segurança pública são o melhor caminho para que não nos transformemos num outro Rio de Janeiro.



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