O Serviço Secreto Afegão E Suas Ações Obscuras

blank

O oriente-médio sempre esteve submerso em questões étnicas e religiosas que conduziram a conflitos, favorecendo a organização de grupos paramilitares ao nível de guerrilha que, com o passar do tempo, enraizaram suas vestes e forjaram grandes principados terroristas que ascenderam fronteiras, com destaque para o Talibã e Al-Qaeda, com centros natalinos diferentes, mas com histórias de influências soviéticas parecidas, promovendo o terror na República Islâmica do Afeganistão há cerca de 50 anos.

Para coibir as incursões terroristas, atividades residentes ilegais e demais ações fora da conveniência legal e política do Afeganistão, desde a década de 70 o governo rege sob inteligência e trabalho sigiloso com serviços secretos no país.

Em 1978, o governo estabeleceu a Agência Da Afghanistan da Gato da Saatane Adara, uma agência para a Salvaguarda dos Interesses do Afeganistão, mas a substituiu pelo Instituto Kargari Estekhbarati Muasessa (KAM) em 1979, um Instituto de Inteligência dos Trabalhadores. Em 1980, o governo afegão dissolveu os departamentos anteriores de inteligência e criou o Serviço de Informação do Estado, a Khadimate Ettala’ate Dawlati (KhAD), que foi renomeado mais tarde para Wezarate Amniyate Dawlati (WAD) quando se tornou um ministério pleno em 1986.

A instituição WAD continuou a operar durante a era Mujahideen, de 1979 a 1989, na guerra civil afegã, de 1989 a 1996, e durante o terrível período de ascensão total do Talibã, de setembro de 1996 a outubro de 2001, quando passou a ser conhecido como Serviço de Inteligência Islâmica do Afeganistão, ou oficialmente chamado de Direção Nacional de Segurança (NDS), com sede em Cabul, mas possui escritórios de campo e instalações de treinamento em todas as 34 províncias do Afeganistão e agentes especiais acoplados em embaixadas afegãs em todo o mundo.

A Direção Nacional de Segurança é o principal órgão interno e externo de coleta de informações do Afeganistão e desempenha um papel operacional fundamental, prendendo e interrogando pessoas suspeitas de crimes relacionados à segurança.

Embora tenha recebido seu nome atual após a queda do Talibã em 2001, é uma das instituições mais duradouras do Estado, com muitas de suas estruturas institucionais, pessoais, instalações e regulamentos legais que datam do período comunista soviético.

Muitos funcionários, políticas e práticas do Serviço Secreto Afegão mudaram ao longo dos anos, mas a agência permaneceu viva. O NDS deriva seu mandato da Lei de Segurança Nacional que rege suas funções, conduta e atividades, que incluem garantir a segurança nacional e lutar contra o terrorismo.

Chefiado pelo Diretor de Segurança Nacional, que se reporta diretamente ao Presidente do Afeganistão, o Serviço é responsável por toda a inteligência e coleta de informações, incluindo inteligência estrangeira, contra-espionagem, terrorismo e todas as outras questões relacionadas à segurança nacional e relações exteriores. Ao coletar e analisar informações, no entanto, os funcionários da agência têm o dever de manter um equilíbrio entre “obter informações essenciais e proteger a liberdade dos indivíduos”, uma ação muito difícil em qualquer agência pelo mundo.

Comportando-se como o principal órgão de inteligência do Afeganistão, o NDS compartilha informações com as autoridades locais anexadas nas provinciais, e coopera intimamente com a CIA, o RAW indiano, o ISI do Paquistão e outras agências de inteligência da OTAN.

O atual presidente afegão, Ashraf Ghani, declarou que há 20 grupos terroristas operando no país, e de acordo com os departamentos de segurança, esses grupos têm bases principalmente no Paquistão, e o Talibã, mesmo que enfraquecido após o movimento de Guerra ao Terror dos EUA após 2001, segue vivo e busca expandir suas atividades terroristas em estabelecer um Emirado Islâmico no Afeganistão.

A Lei sobre Crimes contra a Segurança Interna e Externa da República Democrática do Afeganistão lista as categorias de crimes que a NDS investiga. Eles incluem traição nacional, espionagem, terrorismo, sabotagem, propaganda contra o governo, guerra de informação, assistência às forças inimigas e atividade organizada contra a segurança interna e externa. O Diretor do NDS pode oferecer bônus monetários especiais aos funcionários do NDS por atividades de inteligência, um dos motivos do alto desempenho dos agentes.

Os funcionários da NDS estão sujeitos a ações disciplinares de acordo com o Código de Disciplina Militar por violações das leis da NDS. As informações sobre o orçamento anual e outras despesas operacionais do NDS são classificadas conforme o número de funcionários estimado entre 15.000 e 30.000, de acordo com um relatório publicado em outubro de 2011 da Missão de Assistência das Nações Unidas no Afeganistão.

O relatório apontou também indícios de torturas e mortes suspeitas contra indivíduos detidos pelo Serviço Secreto, e forneceu “melhorias” na atuação para se evitar crimes contra os direitos humanos.

Uma operação recente e bem-sucedida do serviço secreto afegão foi a missão contra Mohammad Hanif, também conhecido como Abdullah, um líder sênior da Al-Qaeda no Subcontinente Indiano (AQIS), morto durante a operação em Bakwa, na província de Farah, onde estava alocado recebendo proteção e cuidados para tratar da tuberculose.

Hanif, de Karachi, no Paquistão, era um assessor muito próximo do líder da AQIS, Asim Omar, e era mestre na fabricação de carros-bombas e artefatos explosivos improvisados (IEDs) e costumava treinar terroristas do Talibã em Helmand.

Apesar das muitas mudanças de nomes e regramentos do Serviço Secreto Afegão durante os anos, a égide está em proteger os interesses nacionais, consolidar a estabilidade e a segurança e proteger as leis, a integridade territorial e a independência do país.

Os corajosos e bravos soldados anônimos da NDS defendem e protegem com todo o poder o país, o povo, as honras e interesses nacionais.

  • Para mais conteúdos como este assine a Newsletter do site e acompanhe os artigos do colunista Felipe Moretti.