O sucateamento das Forças Armadas pode fazer o Brasil perder sua hegemonia na América Latina

Que as forças armadas a tempos vem sendo sucateadas, é algo latente aos olhos de todos. Incidentes com equipamentos tem-se ocorrido com uma grande frequência. Mas então, qual seria o motivo que está levando nossos equipamentos a tais falhas? Manutenção? Mão de Obra? Envelhecimento dos meios? Sim. A resposta mais plausível é esta. Em um episódio recente, a Fragata Niterói sofreu um alagamento que ocorreu proveniente de uma avaria em rede de água salgada, um local vital do navio. Como isso aconteceu? Fadiga de Material!!

A “Niterói”, fora a primeira das 6 Fragatas encomendadas em 1970 como parte do Programa de Renovação e Ampliação de Meios Flutuantes da Marinha. Teve a sua quilha batida em junho de 72 e batizada em fevereiro de 74. Sendo aceita e incorporada em novembro de 76. Assim, com este breve resumo observa-se que a mesma já esta em serviço à 42 anos, mesmo ela tendo passado por um reforma total a 13 anos a tendencia de envelhecimento é natural. Hoje a Marinha do Brasil, conta em seu inventário com navios de mais de 40 anos que mesmo tendo a espertice e profissionalismo dos militares que cuidam de cada detalhe, a fadiga de material, é algo que não tem como se prever.

Baseado nesta premissa que a Marinha, tem procurado rejuvenescer a sua força de superfície com novos submarinos, navios de escoltas e os recém chegados navios Multipropósitos (Bahia e Atlântico). Somos uma Marinha de atividades e missões multipropositais, diferentemente da Marinha dos EUA que é conhecida como “warfighting navy”. A Marinha americana faz guerra, e nós temos várias outras tarefas como: Segurança da navegação, hidrografia, cartografia náutica, apoio logístico para a pesquisa na Antártida. Navios de assistência hospitalar na Amazônia e no Pantanal…dentre inúmeras outras.

Recentemente o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna, durante audiência pública realizada na Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, admitiu a possibilidade das Forças Armadas terem que interromper projetos prioritários devido à falta de recursos. “Mantida a perspectiva de redução da ordem de 23% do nosso orçamento, os projetos estratégicos correm, sim, o risco de ser descontinuados”. Entre os projetos considerados prioritários, estão a construção dos quatro submarinos convencionais e o de propulsão nuclear, a aquisição de viaturas blindadas e dotadas de sistemas de armas e proteção e a compra dos caças Gripen.

Ainda durante a audiência Silva e Luna informou que, o orçamento usado para despesas não obrigatórias das Forças Armadas foi de apenas R$ 13,3 bilhões em 2018, e que o montante vem caindo ano a ano. Segundo ele, há risco de redução das atividades nas áreas de fronteiras, na Antártica e até em horas de voo caso não sejam aportados mais R$ 5 bilhões em 2019. A falta de recursos coloca em risco a execução dos Projetos Estratégicos das Forças Armadas. Para 2019, o governo apresentou uma proposta para redução em 23% do orçamento da Defesa.

As Forças Armadas têm feito um esforço muito grande para reduzir as despesas. Não há mais espaço para cortes, ou se faz ou se abandonam os projetos. A Defesa necessita, para 2019, de R$ 18,3 bilhões, sendo que R$ 7,6 bilhões deste montante irá para manutenção, aprestamento, horas de voo, fiscalização de fronteiras, serviço militar, Projeto Antártico e demais ações da pasta. Outros R$ 9,2 bilhões, correspondem a obrigações contratuais, inclusive com governos estrangeiros e a manutenção dos Projetos Estratégicos. Onde cerca de R$ 1,5 bilhões será para capitalizar a EMGEPRON e a construção das quatro corvetas Classe Tamandaré.

O próximo Presidente que assumir em 2019, terá que repensar sobre o reaparelhamento de nossas Força Armadas para que possamos continuar soberanos. Lembrem-se que hoje possuímos duas áreas que despertam a cobiça mundial: as Amazônias Verde e Azul. Monitorar e garantir a segurança destas duas áreas sem os sistemas e meios adequados, se torna algo quase que impossível de se fazer, mas mesmo assim à duras penas tem-se realizados operações, as quais tem dado resultado. Se hoje temos uma entrada enorme de armas e drogas pelas “áreas cegas” destas fronteiras, devem-se em parte pela falta de recursos destinado as Forças Armadas e também à Polícia Federal. 

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