O triste fim do Navio Aeródromo São Paulo

Triste fim do NAE São Paulo, um resumo do descaso com nossas Forças Armadas, nos últimos trinta e quatro anos. Sempre buscando obter o máximo resultado com as parcos recursos que lhe são destinados, o NAE São Paulo, foi mais uma das vítimas. Sim, sai governo, entra governo o procedimento é o mesmo, precisamos fazer cortes nos recursos repassados aos ministérios? Ok, vamos cortar das Forças Armadas, tradicionalmente as Equipes Econômicas, sempre materializaram o desrespeito e desprezo das esquerdas pelas Forças Armadas. 

Na atual Administração essa realidade não vem apresentando perspectivas reais de mudança. Em falas públicas, o Novo Presidente, chamou a atenção repetidas vezes em que falou diretamente ao Ministro da Economia, a necessidade de mais recursos para as Forças Armadas. 


Não há como esquecer que em menos de doze meses nossa soberania foi desafiada duas vezes, afinal uma País de dimensões Continentais que não dispõe dos meios necessários para compor o Poder de Dissuasão, adequado e compatível com sua estatura e peso específico na economia e cenário mundial, bem como sua importância regional, sempre estará vulnerável. Nos foi possível protestar, por intermédio da mídia e só. Esses dois eventos de desafio a nossa soberania nacional, protagonizados pelo governo usurpador da Venezuela e desafio público promovido pelo Presidente da França, são exemplos claros que não existe amizade entre países, apenas interesses. 


A ilusão de que o Brasil é um País pacífico e que por esse motivo não possui inimigos, e, sendo assim, por esse motivo não necessitando de investimentos robustos nas Forças Armadas, são pura falácia. Neste caso, teremos a continuidade de uma política de redução de recursos e descaso continuados ao arrepio da vontade Presidencial que ficou bem clara ainda durante campanha eleitoral onde demonstrou suas preocupações e determinação pessoal em reverter o já observado descaso/ desprezo aplicado pelas equipes econômicas no que se refere às Forças armadas ao longo dos anos. 


Temos desafios que já estão dimensionados, as ameaças visualizadas para um futuro não muito distante, visíveis num horizonte. Hoje a situação de ausência de Poder de Dissuasão, favorece que aventureiros entendam que seus interesses possam vir a ser atendidos em detrimento do respeito a nossa Soberania Nacional. 

Nesse momento onde vivemos uma condição de incapacidade material , que por sua vez, configura a ausência de Um Real Poder de Dissuasão. Perante esse quadro, sem alarmismo a equipe econômica deveria rever sua prioridade em abater valores da nossa absurda dívida pública. 


A sugestão é que os valores anunciados recentemente que são vultosos, sejam necessariamente em boa parte destinados a um rápido aparelhamento de nossas Forças Armadas, priorizando as Aquisições de Oportunidade, bem como aquisições de “Prateleira”, que contenham a chamada “tecnologia de transição”, e que esta seja totalmente transferida por ocasião da ratificação dos contratos de aquisição. Obviamente que sem prejuízo para os Projetos Estratégicos desenvolvidos pelas nossas Forças Armadas. É imperioso que o Aparelhamento Emergencial, não seja visto equivocadamente como motivo para que os Projetos Estratégicos sejam descontinuados por ausência dos recursos necessários. Chegou o momento do Brasil assumir sua vocação natural, até mesmo um destino manifesto. A índole do brasileiro favorece que tenhamos Forças Armadas poderosas sem que sejam motivo para desestabilizar a região. 

Quando falei em triste fim do NAE São Paulo, tentava dizer que ele é o somatório de tudo que foi comentado anteriormente, no tocante ao descaso com as Forças Armadas. Outros países mantém uma frota reserva, não seria o caso do Brasil ao invés de vender o casco como sucata, o manter guardado em reserva? Lembrando que nossa Marinha de Guerra trabalha sempre no limite, talvez esse tipo de armazenagem seja inviável economicamente. 


Num entendimento que passa superficialmente sobre as prioridades de ordem exclusivamente militares, viemos aqui propor que o NAE São Paulo seja uma grande (literalmente) escola para aprendizados diversos para nossa indústria naval, recuperar, reformar, e modernizar um Porta-aviões, uma embarcação com a complexidade estrutural do São Paulo, seria um desafio ímpar. A aquisição de tecnologias, diversas, desenvolvimento de soluções e inovações para os problemas que surgirão ao longo da execução do Projeto. Além dessas possibilidades é indispensável entender que olhando a grosso modo, um posto de trabalho tradicional, na indústria, tem um custo aproximado de um milhão de reais. Uma obra das dimensões das que são necessárias a recuperação do São Paulo, absorverá muita mão de obra. Temos aí já uma enorme vantagem, pois não serão empregados menos do que quatro mil trabalhadores, são ao menos quatro mil postos de trabalho diretos, sem nem tentar fazer um cálculo superficial sobre os empregos indiretos. Garantidos ao longo da execução do projeto. As vantagens desse tipo de projeto numa economia carente em geração de empregos, será motivo de aquecimento de diversos setores da economia, além da aquisição de tecnologias já comentado.


Teríamos os milhares de empregos garantidos ao longo do processo de reforma e modernização, e um detalhe que não pode ser ignorado, milhares de trabalhadores aptos a executar a construção ou reforma de Porta-Aviões, e/ou outros tipos de embarcações de grande porte. A nossa Marinha de Guerra, receberá um NAe, totalmente reformado e modernizado, apto ser empregado operacionalmente por ao menos vinte anos antes que necessite entrar em dique seco, poderá manter o elevado adestramento de uma Força Aeronaval, desenvolvimento de doutrina, a disponibilidade de um NAE possuidor de catapulta para lançamento de suas aeronaves, dentre outras vantagens. 


Poderá ser um avanço no processo de escolha de projetos de outros NAE, para substituir os que venham a ser adquiridos por Oportunidade. Entendemos que não necessitamos de Forças Armadas a semelhança dos EUA, mas não há justificativa econômica real para o Brasil manter suas Forças Armadas à míngua, enquanto a Rússia que vive sob vários tipos e sanções econômicas e possui um PIB ( Produto Interno Bruto), muito menor que o brasileiro, não abra mão de ser uma potência mundial. Não temos essa necessidade, mas algo que seja próximo do que a Rússia é hoje, e com uma Marinha de Guerra maior. Uma nova Constituição permitirá que o Brasil aumente seu leque de opções para prover sua defesa. 


Voltando ao assunto, o NAE São Paulo, é velho, longe de o ideal para uma Marinha que diariamente necessita apertar o cinto, para preservar o mínimo de meios para sua operacionalidade. Entendemos que é de interesse geral, fomentar nossa indústria naval de diversas formas, a nossa Marinha de Guerra deverá ser a beneficiária principal, lembrando a enorme capacidade de gerar postos de trabalho. O São Paulo é na verdade uma oportunidade real de ser uma Escola, um vetor para aquecimento da economia, geração de milhares de empregos por projeto a um baixo custo, quase irrisório. A nossa Marinha receberá um vetor de importância em condições de operar por volta de vinte anos. 

A primeira decisão é a suspensão do edital de Leilão do casco do (Ex) São Paulo, um planejamento urgente para o desembolso dos recursos necessários para a execução das obras de reforma e modernização do São Paulo. Não estamos inventando, sem ir muito longe, temos o Porta-aviões Liaoning que teve sua origem no casco enferrujado do Varyag pertencente a Classe Kuznetsov. A diferença entre eles é a vida útil , mas a missão de ESCOLA deverá ser cumprida. 

  • Por: Lopes de Albuquerque, Analista de Sistemas, em Rio de Janeiro, 13 de novembro de 2019.