Operação Caesar: A história do submarino alemão que foi enviado ao Japão na tentativa de mudar a Guerra do Pacífico

Em 5 de dezembro de 1944, o U-864 deixou Kiel zarpou em direção ao Mar do Norte levando uma carga de 65 toneladas de Mercúrio

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No final de 1944, a Alemanha nazista procurou enviar a seu aliado japonês suas últimas descobertas militares e tecnológicas. O objetivo era uma tentativa de mudar o curso da guerra no Pacífico e assim forçar os Aliados a despojarem a frente europeia.

Assim sendo o Terceiro Reich, enviou para tal missão o submarino U-864, que recebeu à árdua tarefa de transportar, reatores do primeiro caça a jato Messerschmitt Me 262; cientistas alemães e japoneses; além de 65 toneladas de mercúrio para o Japão.

O codinome para esta missão secreta foi, Operação Caesar. Em 5 de dezembro de 1944, o U-864 deixou Kiel zarpou em direção ao Mar do Norte. Para tal, ele teve de contornar as Ilhas Britânicas e, em seguida, a África através do Cabo da Boa Esperança, antes de chegar ao Japão.

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Tripulação do U-864

Em 9 de fevereiro de 1945, o U-864 estava se esgueirando entre as ilhas costeiras de Hordaland, na costa da Noruega, quando o submarino britânico HMS Venturer o avistou.

Os torpedos do submarino britânico afundaram o submersível alemão na ilha de Fedje, junto com seus 73 tripulantes e carga valiosa. A Operação foi, portanto, um fracasso, prejudicando ainda mais os alemães e privando o Japão dessas tecnologias avançadas.

O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro também estando no fundo do mar.

‘Legado mortífero’

A BBC News em 2018, publicou matéria falando sobre o perigo deste naufrágio para natureza. O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está rachado em duas partes – na proa e na popa -, e diversos fragmentos da embarcação repousam ao redor.

As autoridades norueguesas discutem qual ser, a melhor maneira de lidar com o risco de contaminação, trazido pela carga de mercúrio que ainda está dentro do submarino, onde estudos indicaram que a concentração de mercúrio estavam acima de limites aceitáveis nos arredores do submarino.

blankEm 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que haviam sido expostos a sedimentos da área do submarino tinham níveis mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse.

blankPara evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços cerca de 100 mil metros cúbicos de areia e rochas, para estabilizar a área. Depois as autoridades norueguesas decidiram que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correta.

Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços um tipo de “cobertor” sobre uma área de 47 mil metros quadrados. Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, para proteger “os destroços em si, os sedimentos contaminados e uma zona de transição limpa de 17 mil metros quadrados”.

  • Nota do Editor: Devido a pandemia não conseguimos apurar se o “cobertor”, já foi feito. A matéria publicada, busca apresentar o lado histórico da situação, já que o naufrágio está completando 76 anos.


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