Os Estados Unidos e seu arsenal nuclear

Após a recentemente saída dos EUA do tratado de desarmamento nuclear (INF) muito especula-se que o governo dos EUA deseja aumentar o seu arsenal nuclear. Mas o que realmente há de verdade por detrás de tais especulações?

Atualmente, os Estados Unidos têm cerca de 4.000 ogivas nucleares prontas para uso em suas reservas militares, de acordo com a Federação dos Cientistas Americanos. O boato era de que ele teria dito a assessores de segurança nacional em julho que queria aumentar o arsenal nuclear do país em quase dez vezes.

De pronto quem tem conhecimento de assuntos militares sabe que tal acréscimo é inviável a curto prazo. Mas a noticia deve também ser analisada por outro ponto de vista.

O governo norte-americano mantém o seu arsenal nuclear dividido em uma tríade: bombardeiros, submarinos e mísseis balísticos intercontinentais instalados em terra.

A Força Aérea tem 20 bombardeiros B-2 e 54 bombardeiros B-52, com capacidade nuclear, segundo relatório do Congresso divulgado em fevereiro.

A Marinha possui 14 submarinos nucleares, e cada um deles podem levar 24 mísseis Trident II. Existem ainda 414 mísseis intercontinentais Minuteman III.

Ocorre que tais armas foram quase todas fabricadas durante o período do governo Reagan nos anos 80, com isto o arsenal já conta com mais de 35 anos, quando naquela época entraram em operação os Minuteman III e os Pershing II.

O arsenal completo passaria por uma caríssima modernização, estimada em US$ 1 trilhão nos próximos 30 anos. À primeira vista muitos podem se indagar se há esta necessidade de modernização, se os atuais cumprem seu objetivo, mas vamos pensar em termos de evolução e miniaturização de armamentos.

Recentemente a Rússia apresentou o seu míssil SATAN II – ele tem uma autonomia de até 10 mil Km e será capaz de viajar tanto sobre o polo sul como o Norte para atingir alvos a partir de direções inesperadas.

Além disso, o míssil poderá atingir velocidades de até Mach 20 — ou míseros 24,5 mil Km/h — e transportar uma carga de até 10 toneladas.

Isso significa que o míssil poderá levar até 10 ogivas termonucleares e ir carregado com avançados dispositivos defensivos para evitar que ele seja interceptado pelos sistemas antimíssil, garantindo que ele atinja (e pulverize) seu alvo.

Tais sistemas de auto-defesa não existem nos armamentos dos EUA, o que por si só justificariam a modernização de sua frota balística.

No caso do SATAN II, ele foi projetado para penetrar os sistemas de defesa antimíssil norte-americanos — e teria sido desenvolvido em resposta ao programa Prompt Global Strike criado pelo Exército dos EUA.

Esse programa, caso não saibam, dá aos militares a capacidade de organizar e lançar ataques com mísseis (não nucleares) a qualquer parte do mundo no período de apenas uma hora.

Um dos documentos mais recentes sobre o arsenal de ogivas nucleares, divulgado em 2015, afirma que os EUA possuem 4.717 ogivas ativas, ainda que existam milhares delas que foram aposentadas, mas não desmanteladas; estima-se que, no total, o número de ogivas entre ativadas e aposentadas chegue a 6.800.

Além disso, os EUA historicamente mantêm armas táticas nucleares em vários países da Otan. Número não oficiais dão conta de pelo menos 200 armas nucleares táticas em países como Bélgica, Alemanha, Itália, Holanda e Turquia, estas geralmente baseadas em lançadores de mísseis Pershing, que também já apresentam sinais de fadiga e de serem vulneráveis contra medidas a este armamento.

Alem disso, falar em aumentar arsenal há que se lembrar que o governo americano é signatário não só do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mas também do Start (Tratado Estratégico de Redução de Armas), firmado com a Rússia em 2010.

Segundo o Start, ambos os países deveriam reduzir seus arsenais estratégicos nucleares para 1.550 ogivas e 700 veículos. Segundo a última troca de dados do Start, os EUA mantêm hoje 1.411 ogivas instaladas em 673 veículos. Mas estima-se que o número de ogivas instaladas atualmente pelos EUA seja de 1.740.

Desrespeitar estes tratados unilateralmente iria causar uma enorme corrida armamentista nuclear, pois sem qualquer freio de limitação logo não só os EUA e Rússia, mas uma serie de países, como Índia, Irã Coréia do Norte e outros, iriam buscariam o aumento quantitativo e qualitativo de seus arsenais de mísseis.

O governo americano investe pesado em sistema de defesa antimíssil, projetados para interceptação em todas as fases de voo. Um exemplo é o THAAD (Terminal de Defesa Aérea para Grandes Altitudes), sistema instalado na Coreia do Sul para conter a ameaça de mísseis de curto alcance norte-coreanos.

A Marinha dos EUA hoje opera 33 navios equipados com o sistema de defesa antimísseis Aegis na Europa.

Deve-se levar em conta também que mesmo desde o governo Obama os EUA estarem saindo da crise, ainda não é o momento de criar uma controvérsia sobre rearmamento e seus proibitivos custos em caso de corrida as armas, e Trump apesar de ser um polemizador com suas declarações, ainda não se mostrou um imprevidente no quesito econômico.

Assim bravatas a parte, o que devemos ver a longo prazo será uma completa substituição do arsenal nuclear, com equipamentos mais modernos eficientes e menos vulneráveis a contra medidas de defesa. Os próximos anos vão mostrar que direção a defesa americana irá tomar. Quem sobreviver verá.

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1 COMENTÁRIO

  1. Tenho fé que os estados unidos irão perder a corrida armamentista dessa vez, depois desse presidente Donald Trump eu passei a não gostar dos estados unidos por ele ser insuportável

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