Os grandes rivais vão manter a restrição de armas nucleares: New Start

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Em 8 de abril de 2010, Obama e Medvedev assinaram o Novo Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas, entrando em vigor em 5 de fevereiro de 2011.

Sob o Tratado, os Estados Unidos e a Rússia têm a flexibilidade de determinar por si mesmos a estrutura de suas forças estratégicas dentro dos limites agregados do Tratado. Esses limites são baseados na análise rigorosa conduzida pelos planejadores do Departamento de Defesa Americano e do Ministério da Defesa russo.

Os requisitos centrais estão nas restrições de 700 mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs), mísseis balísticos lançados por submarinos (SLBMs) e bombardeiros pesados equipados com armamentos nucleares; bem como a 1.550 ogivas nucleares acoplados em ICBMs, em submarinos e em bombardeiros pesados, sendo que cada bombardeiro é contado como uma ogiva para esse limite, e o limite estipulado de 800 lançadores de mísseis.

O Tratado tem um regime de verificação que combina elementos apropriados do Tratado START de 1991 com novos elementos adaptados às limitações e estrutura deste Tratado. As medidas de verificação ao abrigo do Tratado incluem inspeções e exposições no local, intercâmbio de dados e notificações relacionadas com armas e instalações estratégicas ofensivas abrangidas pelo Tratado e disposições para facilitar a utilização de meios técnicos nacionais para a monitorização do acordo.

Para aumentar a confiança e a transparência, o Tratado também prevê um intercâmbio anual de telemetria em um número acordado de lançamentos ICBM e SLBM, ou seja, para onde for um míssil, o comitê criado saberá o seu caminho, mas não o local implantado.

O ex-presidente Trump estava resistente em continuar a restrição nuclear com a Rússia, inclusive Putin se manifestou de forma ácida sublinhando que aumentaria sua força de dissuasão, caso o tratado caia terra abaixo.

Com a ascensão de Biden, os fervorosos “pacificadores globais”, que na verdade amam guerras como às elevadas no governo Obama, sentiram que o tratado fosse perdurar por mais cinco anos, o limite estipulado nas cláusulas do New Start, que expira em 5 de fevereiro. Tais estimativas dos especialistas se confirmaram ontem, 26 de janeiro, através do entendimento mútuo entre Joseph Biden e Vladimir Putin, por meio do setor de relações externas e de defesa em ligações telefônicas e representantes oficiais, inclusive a Duma, a Câmara Baixa do Parlamento russo, ratificou hoje, 27 de janeiro, a extensão por um prazo de cinco anos do New Start.

A extensão do Tratado sobre Medidas para a Redução e Limitação de Armas Ofensivas Estratégicas permitirá que o novo presidente dos Estados Unidos demonstre sua “moderação” em comparação com a administração de seu antecessor Donald Trump, que buscava retomar a seriedade dos EUA na dissuasão nuclear e fiscalização global, após constatar que os russos haviam burlado o acordo INF assinado em 1987.

Segundo o especialista Tiberio Graziani, a questão da extensão do New START é de alta prioridade do ponto de vista da política de segurança internacional para o presidente Joseph Biden.

Em sua opinião, a discussão de novos passos para expandir a estratégia de redução de armas, que poderia ter parecido um alicerce para uma possível melhoria das relações entre Moscou e Washington, será usada por Biden de “modo anti-chinês”, apesar da Administração Biden mostrar que a Rússia e a China são os principais rivais.

O que assusta os grandes especialistas sérios não gravita em estender o acordo New Start ou Biden negociando com os russos ou vice-versa, mas a capacidade de Vladimir Putin cumprir suas obrigações e restrições dispostas no acordo, pois em 2018, por meio da inteligência americana e regional euroásia, Trump acusou a Rússia de descumprimento do acordo INF, aquele acordo que restringe o avanço de armas nucleares de Alcance Intermediário, que variam de 500 a 5.500 Km, destacando que o novo míssil russo 9M729 violava o acordo, assim, Moscou rebateu as acusações, e salientou, na época, que o alcance máximo do míssil operava apenas 480 quilômetros.

A confiança dos americanos na Era Trump estava no vermelho frente à capacidade da Rússia em cumprir suas obrigações internacionais sobre restrições nucleares, desconfiança que permitiu a saída dos EUA do INF em 2019, e complicaria o New Start que expira em 5 de fevereiro, caso Trump continuasse no poder.

De certo modo, o New Start é bem-vindo na teoria, no papel, porém é preciso que ambos os lados mantenham as cláusulas e não busquem o desenvolvimento secreto de meios nucleares como ao realizado pela Rússia. Como dizia Ronald Reagan: “Confie, mas Verifique”.

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