Os Motivos Do Reino Unido E EUA Enviarem Militares Na Ucrânia: Joint Endeavour

Airborne da 16ª Brigada de Assalto Aéreo do Reino Unido.

Em 2014, a Rússia se apropriou da maior região estratégica militar e economicamente importante da Ucrânia, a Crimeia, perdendo 80% dos depósitos de petróleo e gás no Mar Negro e uma parte significativa da infraestrutura portuária devido à anexação da península pelos russos.

Região de grande presença de Hidrocarboneto na Península da Crimeia. Google Imagem

Na ocasião, Putin utilizou meios que mais detém conhecimento como ofensiva não bélica previamente à anexação, infiltrar líderes de manobras em massa para despertar o nacionalismo e a pertença do povo sobre a região da Crimeia, para assim causar protestos, movimentos de independência e o pedido de referendo.

Um ano após a Rússia tomar a Crimeia, as principais nações do ocidente, como Canadá, EUA e Reino Unido, descontentes com a situação, elaboraram maneiras de barrar novas ofensivas russas para os próximos anos em direção à Ucrânia.

Operação Orbital conduzida pelo Reino Unido. Google Imagem

O Reino Unido criou, por meio do Ministério da Defesa em cooperação com o Ministério da Defesa Ucraniana, a Operação Orbital, que corresponde a uma demonstração do compromisso inabalável dos britânicos com a independência, integridade territorial e soberania da Ucrânia, com mais de 18.000 membros das forças armadas da Ucrânia treinadas pelas tropas britânicas ao longo dos cinco anos desde o início da missão de treinamento no país.

Apesar de todo o empenho britânico, da OTAN e dos próprios ucranianos, o conflito continua no leste da Ucrânia, na região conhecida coletivamente como Donbass, por situar as regiões ucranianas de Donetsk e Luhansk, que observam muitos grupos separatistas apoiados por Putin, conflitos ainda tensos e perigosos.

Entretanto, a maior preocupação no momento gira em torno da vizinha Bielorrússia, a Belarus, submetida a uma onda de protestos violentos e intensos contra o governo de Aleksandr Lukachenko, este apoiado por Vladimir Putin. Ambos concordaram em realizar exercícios militares conjuntos a partir de 12 de outubro para estreitar a união diplomática e a cooperação militar entre as nações, inclusive a Rússia ofereceu sua polícia nacional para coibir protestos violentos.

Diante dessas circunstâncias, não oferecer auxílio a um Parceiro OTAN seria catastrófico ao ocidente na borda estratégica Euro-Atlântica, e seria difícil conter o avanço da Rússia. Assim, a OTAN e a Ucrânia iniciará amanhã, 22 de Setembro, o Exercício Joint Endeavour em solo ucraniano, um grande exercício multinacional da OTAN que ocorre há anos, e pela primeira vez em solo ucraniano.

Como parceiro de oportunidades aprimoradas, a Ucrânia ganhará mais experiência trabalhando em estreita colaboração com os militares da OTAN, compartilhando as melhores práticas e combinando capacidades.

Cerca de 250 soldados britânicos já esticaram suas lonas e suportes para formarem abrigos de campanha na área de treinamento de Ternivsky, onde se juntaram com outros militares ucranianos da unidade especial Airborne prontos para o tão esperado Exercício.

Britânicos e Ucranianos em salto livre rumo ao acampamento para a Joint Endeavour. Gov.UK

Destes 250 militares britânicos, 200 são de operações especiais Airbornes da 16ª Brigada de Assalto Aéreo baseada em Colchester, que saltaram das aeronaves de transporte C-130 Hércules a 600 pés de altitude, entrando para a história ao saltarem para o sul da Ucrânia pela primeira vez. Ao todo, a comitiva operacional militar britânica é composta por contingente dos Royal Engineers, Royal Horse Artillery, Royal Signals, Airbornes da 16ª Brigada de Assalto Aérea e entre outras unidades de intendência e engenharia.

Airbornes americanos do Comando Europeu Americano saltando com ucranianos do CV-22B Osprey perto de Vinnytsia, na Ucrânia. Cortesia US SOCEUR

E, pela primeira vez na história, um grupo tático Airborne das Forças de Operações Especiais das Forças Armadas dos Estados Unidos que opera na Europa também saltou em alta altitude de uma aeronave americana CV-22B Osprey perto de Vinnytsia no território da Ucrânia.

Área de tensão na Ucrânia. Ao leste a região de Donbass, ao norte a região de fronteira com a Belarus. Encyclopaedia Britannica, Inc Adaptado.

Ao todo, o Exercício Joint Endeavour totalizará aproximadamente 8.000 militares, civis e colaboradores, e a presença dos EUA com seu grupo tático Airborne sediado nas proximidades de Stuttgart, na Alemanha, fortalecerá as capacidades e experiências dos grupos de operações especiais ucranianos que lidam com ameaça real e emergente ao norte, com Belarus, e na faixa já conhecida e em conflito de Donbass, ao leste.

Segundo o governo britânico, o secretário de Defesa, Ben Wallace, no mês passado aumentou ainda mais o apoio à Ucrânia, anunciando que o Reino Unido lideraria uma Iniciativa de Treinamento Marítimo multinacional para a Marinha Ucraniana. Os cursos serão ministrados pela Marinha Real e pessoal naval da Suécia, Canadá e Dinamarca em uma variedade de áreas.

O serviço de operações especiais aerotransportados ucranianos receberá em breve um reforço em peso na modernização da aeronave AN-26. A empresa Antonov recebeu o contrato para atualizar todo o sistema do avião de transporte para o sistema de paraquedas moderno já em operação pelos EUA e Canadá, o sistema americano T-11.

Salto britânico de um Hércules C-130 sobre os ares ucranianos. Gov.UK

Por ser um exercício multinacional e em solo ucraniano, o que confere aos aliados ocidentais atender às demandas do anfitrião e conferir as dificuldades e sistemas bélicos ativos, mostra aos já conhecidos beligerantes locais que a Ucrânia não está sozinha, e fazer parte da OTAN é estar preparada e atualizada frente a qualquer ameaça em qualquer ponto do planeta mantendo a dissuasão frente ao inimigo.

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