Os Pioneiros Brasileiros na Antártica em homenagem a Roald Amudsen 107o Aniversário da conquista do Pólo Sul

Na imagem: Dr Durval Sarmento da Rosa, Dr Rubens Junqueira Vilella, CC Fuzileiro Naval José Elkyfury e Marinheiro da MB. Todos envolvidos na conquista brasileira da Antàrtica no século XX.

No dia 14 de dezembro de 1911 o norueguês Roald Engelbregt Gravning Amundsen  foi o primeiro homem a chegar ao Pólo Sul Geográfico liderando uma equipe de exploradores que eram um mixto de Marinheiros e cientistas noruegueses.

O Comandante Roald Amudsen também foi o possível conquistador do Pólo Norte geográfico apesar da controvérsia quanto à conquista Àrtica por Frederick Cook e depois Robert Peary. Pesquisas e estudos recentes apontam Roald Amundsen e o seu companheiro de explorações Oscar Wisting, como os primeiros a alcançar os dois polos da terra.

Nascido no município de Borge, localizado entre as cidades de Fredrikstad e Sarpsborg, próximo da capital da Noruega, Cristiania (atual Oslo), foi o quarto filho do capitão da Real Marinha Norueguesa e proprietário de navio, Jens Amundsen. Sua mãe, Gustava Sahlquist, tentou mantê-lo longe do mar e queria que o filho seguisse a carreira de médico. Quando do retorno triunfal do Fridtjof Nansen, que atravessou no ano de 1889 a Groenlândia em esquis, Amundsen, então com 18 anos, decidiu tornar-se um explorador polar. Em 1890, entretanto, ele começou a estudar medicina atendendo o desejo materno. Após a morte da mãe em 1893, perdeu os exames escolares e abandonou a Universidade.[2][6] Com a idade de 21 anos embarcou em um navio caça focas, continuando a sua aprendizagem como marinheiro, chegando ao posto de 1o Oficial de Marinha Mercante.

Os feitos de Roald Amudsen, Robert Peary, Robert Falcon Scott, Jean Baptiste Charcot, Paul Émile Vitoire e muitos outros, serviram de inspiração para muitos brasileiros que deram os primeiros passos para a presença brasileira na Antártica, presença essa que se consolida em breve nesse verão antártico com a reinauguração da EACF- Estaçã Antártica Comandante Ferraz, a Estação Antártica brasileira que é uma conquista de décadas de estudos e esforços conjuntos de nossa Marinha do Brasil e a comunidade científica brasileira. Por isso em homenagem ao feito do Comandante Roald Amudsen relembramos os feitos dos primeiros brasileiros no Continente Antártico desde então.

 

Pioneiros brasileiros na Antártica Parte ll

O ano de 2017 será um marco importante para o PROANTAR, o Programa Antártico Brasileiro, que está em vias de concluir a construção da nova base brasileira no Continente Antártico, a conhecida EACF – Estação Antártica Comandante Ferraz, prevista para o verão de 2018.

Com o reaquecimento das atividades de desenvolvimentos e pesquisas científicas no continente, o assunto volta a ganhar a devida importância nos meios tecnológicos & acadêmicos, civis e militares, pois muito pouco seria possivel sem a cooperação de instituições de pesquisas civis e das Forças Armadas, em especial da Marinha do Brasil, que sempre muito empenhou de seus meios humanos e materiais para o desenvolvimento do PROANTAR. É importante citar que desde a década de 60, diversos oficiais da Marinha do Brasil já participavam de expedições polares como observadores, inicialmente à bordo de navios do Chile, e, posteriormente, à bordo de navios argentinos, ingleses, russos, alemães e franceses.

Na imagem; CC(FN) José H. Elkyfury com outros Fuzileiros Navais e Oficiais
da Marinha do Chile, durante a 1a invernada antártica na EACF Cmdte Ferraz. 

Na primeira parte da série sobre os pioneiros brasileiros na Antártica, destacamos a participação de um grupo de 12 Fuzileiros Navais da  Marinha do Brasil (comandados pelo então CC (FN) José Henrique Elkyfury, atualmente Contra-Almirante (FN)) , que foram os primeiros a efetuar uma “Invernada” na EACF no ano de 1986, justamente devido ao aniversário do feito no mês de Abril desse ano. Missão essa de evidente dificuldade, devido aos fatores mais diversos para a permanência em relativo isolamento, em um dos meio ambiêntes mais inóspitos e perigosos do planeta. Porém para uma ilustração mais detalhada do “Hall de pioneiros”, falaremos um pouco dos primeiros brasileiros que efetivamente pisaram no Continênte Antártico e dos navios que mais tarde lá completariam a missão de transporte de uma diversidade de pessoal e material que permitiu a faina da instalação da EACF e seu crescimento.

Única imagem do Dr. Durval Sarmento da Rosa Borges diponível, o primeiro brasileiro 
a pisar no Continente Antártico em 1958, participando como jornalista para a 
revista Visão e para a SGB-Sociedade Geográfica Brasileira, 
nas atividades do Ano Geofísico Internacional (1957/1958).

O primeiro brasileiro a pisar na Antártica foi o médico e escritor Durval Sarmento da Rosa Borges (1912-1999) em 1958. Durval Borges era editor de Ciência e Saúde da extinta revista Visão e membro da SGB – Sociedade Geográfica Brasileira, e foi fazer uma matéria sobre o encontro dos exploradores Hillary e Fucs, que estavam na época efetuando a expedição transantártica para o Ano Geofísico Internacional (1957/1958). Publicou, em 1959, o livro Um brasileiro na Antártica. O filho dele, Durval Rosa Borges, escreveu como se deu a ida do pai à Antártica: “Ele tinha espírito aventureiro, e decidiu que ia para a Antártica, só que do Brasil para a Antártica não existia a disposição de meios para tal viagem, então ele escreveu para o governo americano, perguntando como podia ir para a Antártica, pedido esse que foi ignorado em primeira instância, pois julgaram que no mínimo ele era maluco… E ele escreveu uma segunda vez, mas para a Marinha dos Estados Unidos, e responderam que se no dia tal, no mês tal, ele estivesse na Nova Zelândia, partiria um navio para a base americana na Antártica, e ele poderia ir junto, e foi…

Durval Sarmento da Rosa Borges nasceu em Recife em 18 de agosto de 1912, graduou-se em 1933 no Rio de Janeiro pela Faculdade Nacional de Medicina. Infelizmente pouco se encontra de sua biografia pessoal e o livro escrito pelo seu filho, relatando suas aventuras, é inexistente no comércio brasileiro, assim como a matéria de autoria do mesmo na revista Visão.

Dr. Rubens Junqueira Villela, o primeiro brasileiro na Antártica como jornalista e pesquisador pelo CNPq e IAG-USP, também foi o 1o brasileiro a chegar ao Pólo Sul Geográfico.  Imagem de autor desconhecido gentileza do IAG-USP.

O primeiro brasileiro a fazer parte de uma expedição científica para a Antártida, com desembarque no continente, foi o meteorologista Rubens Junqueira Villela, muito antes da primeira expedição oficial brasileira. A bordo do navio quebra gelo da U.S. Navy “USS Glacier”(AGB-4), Villela embarcou em sua primeira viagem em novembro de 1961, inicialmente  como jornalista e pesquisador pela Universidade da Flórida -USA (aonde o mesmo se formou em meteorologia), indo até a Base americana de Mc Murdo e ao Pólo Sul geográfico, chegando lá em 16 de novembro do mesmo ano (sendo também o 1o brasileiro a efetuar tal proeza*). Apenas quando já havia embarcado, recebeu do CNPq o título de observador científico, o que lhe deu a condição de ser o primeiro brasileiro a fazer parte de um grupo científico no continente.

Entretanto, Villela considera de maior relevância a sua participação na primeira expedição brasileira. O meteorologista participou de toda a preparação do Navio Oceanográfico da USP Noc “W. Besnard”,  e, foi um dos 12 pesquisadores que, juntamente com 24 tripulantes, todos homens, desbravou os mares e garantiu uma posição inédita para o Brasil ante a comunidade internacional. Além de promover pesquisas meteorológicas, Villela foi o responsável por garantir a segurança da viagem do Noc “W. Besnard” à Antártica, através de previsões de tempo e elaboração de cartas sinóticas, que confeccionava uma espécie de mapeamento da região por meio de informações recebidas via rádio.

Villela participou de outras cinco expedições à Antártida com o Noc “W. Besnard” e em outras embarcações, em um total de 12 expedições. Contudo, ele ressalta as dificuldades daquela primeira expedição brasileira, que eram desde o próprio navio, considerado inadequado para enfrentar o percurso, às condições climáticas desfavoráveis, e até os incidentes diplomáticos na Argentina, onde todos os presentes no W. Besnard foram obrigados a subir ao convés, durante a madrugada, para preenchimento de formulários e outras burocracias. 

Na época, a Argentina fazia campanha contra a presença brasileira na região, e a incorporação do Brasil enquanto membro consultivo do Tratado Antártico. É formado na Universidade Estadual da Flórida, nos EUA. É professor aposentado do IAG-USP, atual Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas e um dos mais notáveis meteorologistas brasileiros além de piloto amador de planador. O professor Villela também é muito conhecido no meio paracientífico pelas pesquisas envolvendo fenômenos aéreos inexplicados e pela colaboração nas preparações das expedições do navegador Amyr Klink.

Ambos os feitos do Dr. Durval  e do Dr. Villela foram de grande importância para a história do pioneirismo brasileiro no Continente Antártico, pois ambos chegaram ao Continente Antártico quase que por inciativas próprias e sem o apoio do Governo do Brasil, pois na época dos feitos, ainda não existia a consciência estratégica sobre os assutos antárticos, que hoje possuímos em conjunto de nossas Forças Armadas e Instituições Científicas Acadêmicas do Brasil. Porém é inegável que a continuidade das expedições nas quais o Dr. Villela teve oportunidade de participar, ajudaram não só a fomentar como também a contribuir para a inspiração do interesse dos assuntos antárticos por diversas novas gerações de pesquisadores brasileiros, enquanto, o trabalho do Dr. Durval deu o exemplo da coragem para os jornalistas mais técnicos sobre o tema das explorações do “continente gelado” e sua importância de divulgação no  Brasil e em outras nações.

O Pólo sul só teria a presença de  outros brasileiros em 30 de novembro de 2004, com a chegada do gaúcho Jefferson Cardia Simões, professor da UFRGS, tornou-se o primeiro brasileiro a percorrer o manto de gelo antártico e a atingir o Pólo Sul Geográfico (90 graus Sul) por terra às 21:30 horas da Terça-feira 30 de Novembro de 2004. O feito, realizado no âmbito da Travessia Científica Chileno-Brasileira da Antártica (a primeira por países latino-americanos) percorreu no total 1.140 quilômetros em 16 dias a partir da Estação Polar chilena em Patriot Hills. E em 2009, em uma quinta feira, dia 13 de novembro, com a chegada do paulista Júlio Fiadi, que junto com outros cientistas chegaram a Antártida através da ALE (Antarctic Expeditions & Logistics) em uma expedição particular utilizando trenós experimentais. 

Nota do Autor:  Até o momento da finalização dessa matéria, o autor desconhece se outros brasileiros também estiveram no Pólo Sul Geográfico. Caso novas informações cheguem, o mesmo se compromete a publicar uma errata sobre o assunto.

Referências bibliográficas:

Publicações Marinha do Brasil, 

PROANTAR, 

Instituto Astronômico e Geofísico da USP, 

Habitat científico, 

Projeto Inclusão Antártica da ESG, 

Projeto Ambiênte Brasil.

Noc H-40 Barão de Teffé e o Noc Prof W. Besnard lado a lado na Antártica. 
Imagem de autor desconhecido, gentileza do IOUSP.

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