P-47 D (B4) – A velha águia renasce

De acordo com dicionário Aurélio a palavra ‘mito’ significa: ‘relato sobre fatos e tempos heroicos que, normalmente, carregam certo teor de verdade’. Esta definição descreve à história deixada pelos P-47 durante a Segunda Guerra Mundial.

Também conhecido como “Jug” (jarro) por conta do seu formato, o P-47 foi o maior e mais pesado caça na história da aviação, a ser motorizado por um único motor de combustão interna. O protótipo XP-47B, voou pela primeira vez em maio de 1941.

Este modelo fora construído em torno do seu motor, o radial Pratt & Whitney R-2800, alimentado por um turbo compressor, que ia até quase o estabilizador vertical. Seus 18 cilindros desenvolviam 2000 HP, permitindo que o XP-47B chegasse aos incríveis, na época, 690 km/h.

A primeira versão foi o P-47C1, concluída em setembro de 1942, logo seguida pela C2, que tinha a possibilidade de levar semi-encaixado, na barriga, um tanque de combustível extra. Desde o início, ele era armado com 8 metralhadoras Browning M2 12,7mm (.50) com 2500 cartuchos, apesar do projeto original prever apenas 2 metralhadoras.

Foram construídas 55 unidades C1 e 128 unidades C2, antes da produção mudar para aprimorado P-47D. A primeira destas seria a versão D-RA, logo depois mudada para a D1-RE.  A grande diferença desta versão era um par a mais de janelas de resfriamento do óleo e o aperfeiçoado motor R-2800-21, proteção extra para o piloto, novos sistemas de combustível e oxigênio e uma sensível melhora na maneabilidade.

A versão Razorback iria até a D-23-RE, com um total deste de 889 unidades. Em julho de 1943, foi terminada a versão mais difundida do P-47, a D “bubbletop”, com a conhecia capota tipo bolha que foi da D-25-RE até a D-40-RA.

O P-47M seria uma encomenda especial de 130 aeronaves feita exclusivamente para o 56ºFG na Grã-Bretanha, que podia alcançar em voo nivelado, 760km/h. O P-47N, última versão operacional deste caça tinha um alcance de 4000 km, devido a um grande aumento no tanque de combustível. Foi apenas utilizada pelos Estados Unidos (EUA) nos últimos estágios da guerra no pacífico.

O P-47 na Força Aérea Brasileira

Há uma certa discussão em torno do número exato de caças P-47D Thunderbolt destinados à Força Aérea Brasileira (FAB). Algumas fontes muito provavelmente citarão números diferentes. É bem provável que essa diferença tenha sido gerada pelo número de aeronaves originalmente disponibilizadas para o 1º Grupo de Aviação de Caça (1º GAvCa), na Itália.

Havia um depósito em Nápoles, em que a FAB disponibilizava algumas unidades do P-47, mas que acabaram sendo destinadas à outras forças aéreas aliadas. Há casos comprovados, inclusive com fotografias, de Thunderbolts já pintados com as cores e marcas da FAB, mas que nunca chegaram às mãos desta, chegando a unidades da USAAF ainda com as mesmas insígnias.

Na relação abaixo constam não só os P-47 utilizados pelo 1º GAvCa na Itália, mas também os que originalmente lhes foi destinado. Mas por conta do desenrolar da guerra foram desviados para outros esquadrões aliados.

  • 75 P-47D que, em algum momento, lhe foram destinados;
  • 27 P-47D enviados a outras unidades aéreas aliadas;
  • 48 P-47D utilizados em combate, dos quais:
  • 16 abatidos em combate;
  • 07 perdidos em acidentes;
  • 25 trazidos para o Brasil, no pós-guerra.

Porém, ao final da guerra, o Brasil possuía ainda um crédito de 19 aeronaves no depósito em Nápoles (sendo elas trocadas por aeronaves mais novas no término da guerra), o que somado ao número de 48 utilizadas pelo grupo nos dá um total de 67 aeronaves disponibilizadas.

Essa diferença se explica porque 67 aeronaves representa o número originalmente cedidos pelos EUA ao Brasil, enquanto o número de 75 aeronaves representa o número total que, dados aos desvios e reposições, pertenceram a este conjunto em algum momento.

P-47D Thunderbolt (B4) P/N 45-49151

Em 1986, um grupo formado por veteranos do 1º GAvCa e militares de diversas seções e unidades da FAB, liderados pelo então coronel Aviador Claret Jordão, diretor do Museu Aeroespacial (Musal) no Campo dos Afonsos (RJ), deram início ao projeto nomeado ‘HERÓICA UNO’, onde desmontaram e restauraram por completo o P-47 P/N 45-49151.

O restauro se deu nos sistemas, estrutura, pintura e grupo moto propulsor (motor e hélice), este último fora todo refeito, sendo algumas peças retiradas de outros P-47 destinados à monumentos em outras partes do Brasil. Em 1995, deu-se por encerrada a operação ‘HERÓICA UNO’.

O P-47D Thunderbolt totalmente restaurado, dessa vez, ostentava em sua fuselagem uma homenagem ao último piloto brasileiro morto na Segunda Guerra, tenente aviador Luiz Lopes Dornelles, abatido dias antes do final do conflito, em 26/04/1945, com 89 missões.

O P-47D Thunderbolt, que depois de muitas identidades, recebeu a definitiva designação, sendo agora o ‘Bravo Quatro’ (B4) e através da operação ‘HERÓICA UNO’, foi colocado em condições totais de voo.

Mas por conta da portaria do Ministério da Aeronáutica de nº 881/GM3 de 20 de setembro de 1995, onde a mesma proíbe o voo de qualquer aeronave do acervo do Musal, frustrou a todos que trabalharam em prol desse voo.

Durante anos, à aeronave foi mantida em giro quinzenal de manutenção e sendo acionada e girada também em eventos aeronáuticos promovidos pelo museu até o ano de 2016, quando essa prática foi interrompida por questões de segurança.

No final de 2018, por iniciativa de alguns apaixonados pela aeronave, fora criado na internet um movimento para um financiamento coletivo, com intuito de fazer à aeronave voltar à vida, assim como uma Fênix.

O projeto, conhecido como “Quatro Setinho” teve início assim que foi feito um acordo de cooperação com a empresa Helisul, a qual forneceu mecânicos que realizaram uma inspeção minuciosa do grupo moto propulsor da aeronave, onde até um ‘Boroscópio’ (Instrumento utilizado para fazer inspeções visuais remotas, como interior de um motor e seu funcionamento é similar aos aparelhos usados em videoscopia médica) foi utilizado nesta fase.

Em 27 de fevereiro de 2019, após dias incessantes e cansativos de trabalho pesado por parte das equipes de restauro, o ronco do motor voltou a ser ouvido durante os primeiros testes. Neste dia, a comoção foi latente, sendo possível notar lágrimas nos olhos de alguns membros da equipe, dentre eles o Sr. Gilson Campos, um dos idealizadores do projeto. Era chegada a hora de pintar o avião.

Assim entre os dias 01 e 23 de março o avião começou a receber uma nova pintura. E para que o prazo do restauro não se apertasse, os trabalhos no avião se deram até mesmo durante os dias de carnaval.

Passados quatro meses, desde o início do projeto, o P-47 D B4, está em fase final de acabamento e no dia 22 de abril, dia do evento oficial do giro do motor, seu radial Pratt & Whitney R-2800 com os 18 cilindros, voltará à vida.

O projeto é coordenado pelo Srº Gilson Campos (Musal) em parceria com o Srº Fernando Crescente (Galeria Crescente) e à Associação de Amigos do Museu Aeroespacial (Amaero).

Especificações Técnicas do P-47D-25-RE Thunderbolt:

  • Motor: Um radial a pistão Pratt & Whitney R-2800-59
  • Potência: 2.600 hp (1.940 kW)
  • Comprimento: 11,02
  • Envergadura: 12,43
  • Altura: 4,45 m
  • Superfície alar: 27,69
  • Peso vazio: 4.535 kg (10.000 lb)
  • Peso carregado: 5.774 kg (12.700 lb)
    Peso máx. de decolagem: 7.938 kg (17.500 lb)
  • Velocidade máxima ao nível do mar: 563 km/h
  • Velocidade máxima a 3.000 m de altitude: 603 km/h
  • Velocidade máxima a 6.100 m de altitude: 653 km/h
  • Velocidade máxima a 9.100 m de altitude: 690 km/h
  • Taxa inicial de subida: 847 m/min
  • Taxa de subida a 9.100 m de altitude: 480 m/min
  • Teto de serviço: 200 m
  • Alcance (c/ carga máxima externa de combustível) a 3.000m de altitude e 313 km/h-1.528 km
  • Armamentos:
  • 8 metralhadoras .50 M2 BROWNING (4 em cada asa);
  • 2 bombas de 453 kg (uma em cada asa) + 1 de 226 Kg, no lugar do tanque ventral;
  • Possibilidade de lança foguetes nas asas;

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Fontes e Sites consultados: Museu Aerospacial (Musal) / Sentando a pua / Jambock / Portal da FAB / ABRA-PC / WarBird Registry

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