Para lidar com a China, Austrália reforça despesa militar e exercícios com EUA

Sem se referir às tensões persistentes com a China, o primeiro-ministro australiano anunciou melhorias substanciais em quatro bases no Norte e a ampliação dos exercícios militares com os EUA.

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O primeiro-ministro australiano, Scott Morrison, evitou mencionar as disputas comerciais e diplomáticas crescentes com a China, mas afirmou que a Austrália precisa expandir os seus recursos militares no Território do Norte para ser capaz de responder a tensões (não especificadas) na região da Ásia-Pacífico.

“O nosso objetivo é um Indo-Pacífico livre e aberto, para assegurar uma região de paz, uma região em que, ao mesmo tempo, a Austrália esteja sempre em condições de proteger os seus interesses”, disse Morrison à imprensa esta quarta-feira (28), em Darwin, citado pela Reuters.

Na ocasião, o político conservador anunciou um orçamento de US$ 580 milhões destinados a modernizar quatro bases militares no Território do Norte – entre 2021 e 2026 – e a expandir os exercícios militares conjuntos com as tropas norte-americanas.

A verba agora anunciada, refere a agência, faz parte de um plano de investimentos militares mais amplos do país austral, de acordo com o qual Canberra deve gastar US$ 270 mil milhões na próxima década para melhorar a sua capacidade de ataque de longo alcance.

Especialistas militares chegaram inclusive a sugerir que a Austrália ponderasse o desenvolvimento do potencial nuclear, refere a AFP. No entanto, os críticos de Morrison acusam-no de apostar no militarismo e de encenar uma crise para desviar as atenções da situação parada na vacinação contra a Covid-19 e da queda nas sondagens.

O ex-primeiro-ministro, Kevin Rudd, disse à AFP que Morrison, Peter Dutton, e Rupert Murdoch, (os dois últimos magnatas da imprensa), “estavam tentando desesperadamente virar a agenda política doméstica para longe do desastre das vacinas, do fiasco da mudança climática e dos escândalos de abusos em Canberra”.

Democracias liberais têm de se preparar para a guerra

Já Morrison justificou a despesa com o fato de a região da Ásia-Pacífico estar vivendo o maior nível de incerteza económica e estratégica desde a Segunda Guerra Mundial. Daí, em seu entender, a necessidade de reforçar os exercícios militares com os Estados Unidos, que vê com bons olhos a política agressiva de Canberra.

“Os EUA e a Austrália têm estado profundamente envolvidos na cooperação defensiva há mais de meio século”, disse o encarregado de negócios na Embaixada norte-americana em Canberra, Michael Goldman, que também não se referiu à China.

Mais de 2000 fuzileiros dos EUA encontram-se no Norte da Austrália para participar de atividades militares conjuntas. Os dois aliados costumam realizar exercícios militares de dois em dois anos, e habitualmente com uma participação superior a 30 mil militares. O próximo deve começar em Agosto.

O anúncio de Morrison ocorre poucos dias depois de o Secretário do Departamento de Assuntos Internos, Mike Pezzullo, ter afirmado que as democracias liberais têm de se preparar para a guerra.

Pezzullo não especificou a razão de ser para este alerta, mas, de acordo com a Reuters, as suas afirmações inserem-se no contexto da deterioração das relações com a China. No domingo, o ministro australiano da Defesa também se referiu à possibilidade de um conflito entre a China continental e Taiwan.

  • Com agências internacionais


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