Piloto da Força Aérea Brasileira sobrevive a incidente graças ao assento ejetável

Segundo a Força Aérea Brasileira o incidente foi classificado como “uma ejeção bem-sucedida que salvou a vida de um piloto de A-29 Super Tucano"

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Nesta segunda feira (13) um piloto da Força Aérea Brasileira (FAB) sobreviveu a um incidente quando, ele detectou uma falha técnica e se ejetou da aeronave A-29 Super Tucano, a qual ele pilotava durante um voo de treinamento, nas proximidades de Campo Grande (MS).

A aeronave foi direcionada a uma região desabitada, onde colidiu com o solo. O piloto foi resgatado por um helicóptero H-60 Black Hawk do Esquadrão Pelicano (2º/10° GAV), onde integrantes da equipe de resgata, lhe prestaram atendimento médico.

Mas o que salvou a vida deste piloto? Foi seu treinamento árduo e exaustivo que lhe é dado desde seu primeiro voo solo na Academia da Força Aérea (AFA), ou seria o material que é instalado com propósito de salvar vidas, em todas aeronaves que possuem assento em tandem¹?

blankPodemos chegar a conclusão que o material, no caso assento ejetável, aliado ao adestramento continuo de uma piloto de primeira linha da FAB, foi o que fez a diferença, salvando assim a vida dele.

A FAB, classificou o incidente como “uma ejeção bem-sucedida que salvou a vida de um piloto de A-29 Super Tucano em Campo Grande/MS”. Ela explica ainda que, a manutenção dos assentos ejetáveis Martin-Baker das aeronaves da Base Aérea de Campo Grande é feita por militares da Seção de Armamento Aéreo do Grupo Logístico.

Mas você sabe como surgiu o assento ejetável, e de como ele funciona? Então, vamos descobri juntos agora.

O assento nasce de uma morte

No final da década de 30, os alemães começaram a desenvolver um método seguro de abandonar um avião em queda, mas com o advento da Segunda Guerra Mundial, esse novo item ficou meio esquecido, mas mesmo assim ao término da guerra descobriu-se que, eles chegaram a realizar testes em aviões de combate. Mas, quem realmente conseguiu construir o primeiro sistema de escape, no entanto, foi o engenheiro inglês James Martin.

blankA ideia veio em consequência da morte de seu sócio e amigo, o capitão Valentine Baker, num acidente aéreo em 1942, justamente porque ele não teve como sair da aeronave antes que ela se espatifasse. Até o advento das cabines fechadas e pressurizadas, a única esperança do piloto equipado de paraquedas estava em pular do avião na hora do aperto e torcer pelo melhor.

A partir de 1944, à medida que aumentava a velocidade dos caças, aumentavam também as dificuldades de salvamento. O problema é que a pressão exercida pelo ar sobre o piloto cresce de acordo com o quadrado da velocidade do avião – o motorista de um carro, ao dobrar uma esquina a baixa velocidade, não tem problema em pôr o braço para fora, mas fazer isso a mais de 100 Km/h não é a mesma coisa.

Como funciona o assento

Todos esses conhecimentos o levaram finalmente ao sistema mais apropriado: um assento de dupla expulsão, composto por dois dispositivos pirotécnicos, o primeiro liberava o assento dos fixa dores que o prendiam ao piso da cabine. O segundo, mediante uma combustão gradual, se encarregava de elevá-lo de forma menos brusca a uma distância suficiente para evitar um choque com o corpo do avião.

blankOs assentos mais modernos, como o modelo MK-10 da pioneira Martin-Baker é uma bem-montada estrutura que reúne mais de oitenta peças. Ao puxar a alça de ignição que fica no assento entre suas pernas (em alguns modelos existem duas alças logo acima do capacete), o piloto põe em funcionamento um aparato mecânico que funciona com a precisão de um relógio suíço.

Dois décimos de segundo depois do início da operação, duas pequenas cintas, presas ao redor dos tornozelos, empurram as pernas contra o assento, para impedir que elas se choquem com o painel durante a ejeção. Os cintos que descem dos ombros e ajudam a manter o piloto seguro no assento também se contraem, forçando-o a uma posição ereta – se estiver ligeiramente inclinado pode se partir em dois, tal a força empuxo que ele experimenta.

Quase simultaneamente, dois canhões de ar comprimido fazem com que o assento corra disparado para cima sobre dois trilhos. Na parte superior do assento, um par de pequenos chifres feitos de uma liga especial de alumínio rompe com um forte impacto a capota do jato. Em alguns aviões de combate a capota é expelida intacta.

Quando o piloto já está quase inteiramente fora da cabine, a um quarto de segundo, são acionados os foguetes instalados debaixo do assento, ao mesmo tempo em que começa a funcionar o suprimento de oxigênio de emergência. A velocidade de ejeção chega a 21 m/s. Na marca de meio segundo, os foguetes terminam sua descarga e é inflado o pequeno paraquedas de estabilização, chamado drogue (biruta, em inglês) que impede que o assento fique dando cambalhotas no ar.

O paraquedas principal só será liberado se o altímetro instalado no assento, a que os aviadores se referem como barostática, registrar altitude inferior a 2 133 metros (ou 7 mil pés, na unidade usada internacionalmente), pois acima disso não há oxigênio suficiente para a sobrevivência do piloto.

blankO próprio paraquedas de estabilização extrai depois o paraquedas principal de dentro do apertado compartimento que fica atrás da cabeça do piloto. Em 1,5 segundo o oxigênio é desligado e o piloto é liberado do assento. Completados 2,65 segundos desde a ignição, o paraquedas está completamente inflado, conduzindo suavemente o aviador até o chão – ou à água, caso em que um sensor faz inflar um colete salva-vidas assim que ocorre o contato.

Por isso, nos modernos caças e bombardeiros supersônicos, a cabina funciona como uma cápsula isolada e pressurizada, podendo, numa emergência, ser separada do avião através de um ferrolho explosivo e de foguetes. É equipada com paraquedas para reduzir sua velocidade e estabilizá-la, e com assentos de ejeção: dessa forma, seus ocupantes podem abandoná-la quando a velocidade e a altitude convenientes são atingidas.

  • (1)Conjunto formado por duas unidadesgeralmente uma atrás da outra (ex.: assentos em tandem). “tandem”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2021, https://dicionario.priberam.org/tandem