Pilotos do Primeiro Grupo de Aviação de Caça encenam a Ópera do Danilo 2021

Como forma de não deixar cair no esquecimento e ao mesmo tempo, exaltar a enorme façanha realizada pelo então capitão Aviador Danilo, durante a Segunda Guerra Mundial, os pilotos do 1° Grupo de Aviação de Caça (1° GAvCa) encenaram no dia 22 de abril, mais uma “Ópera do Danilo”.

A ópera conta a trajetória de retorno para base aliada do capitão Danilo, ao escapar dos alemães e facistas italianos, após ter sido abatido pela artilharia anti-aérea, quando atacava uma locomotiva em uma estação ferroviária a leste da Cidade de Verona, no dia 4 de março de 1945.

A célebre “Opera do Danilo” se tornou praticamente a “Ópera da Caça”. Ela narra o que um homem pode fazer quanto tem vontade, perseverança, coragem, esperteza e, sobre tudo, patriotismo.

Danilo Marques de Moura por influência de seu irmão Nero Moura, que viria a ser comandante do 1º Grupo de Aviação de Caça, resolveu ser aviador. Ingressou como voluntário no Grupo como 2º Tenente.

A ópera foi composta pelo tenente Luiz Felipe Perdigão Medeiros da Fonseca, aproveitando a veia artística dos Jambocks, propôs que se fizesse uma partitura de ópera contando a extraordinária aventura do companheiro que retornava.

Colaboraram com ele o capitão Roberto Pessoa Ramos e os tenentes Rui Barbosa Moreira Lima, Fernando Correa da Rocha, Marcos Eduardo Coelho de Magalhães, Cauby de Paiva Magalhães, José Rabelo Meira de Vasconcellos e Othon Correia Netto.

Este ano obedecendo as normas sanitárias em vigor, de prevenção e distanciamento frente ao combate da Covid-19, a ópera fora encenada de forma diferente, com seus ‘atores’ atuando frente a câmeras, já que nos demais anos, a história é contada no teatro da ALA 12 (Base Aérea de Santa Cruz) com a presença do Comandante da Aeronáutica, Oficias Generais, pilotos de caça de todos os esquadrões e convidados.

A ópera é dividida em cinco atos:

 “PRIMEIRO ATO”

  • Inicia-se com o café da manhã servido aos pilotos que irão cumprir mais uma missão. Na sequência esses pilotos seguem para o jipão onde os espera o “Zé Maria” motorista mal-humorado que era responsável por levar os pilotos até o esquadrão.
  • Após o percurso com muitos trambulhões, segue-se para os aviões quando alguém grita relembrando a todos sobre os equipamentos, inclusive a fimadora K-25.
  • Com o brifim encerrado, ao som do tradicional grito de Senta a Pua, eles alçam voo sendo saudados pelo sizudo Zé Maria.

“SEGUNDO ATO”

  • Representa o ataque aéreo e a ação da artilharia anti-aérea alemã, percebe-se que um avião foi acertado e é o Danilo.
  • Este, por sua vez, se lança de pára-quedas a mais ou menos 1000 pés e, devido a isso, realiza uma aterragem sentado, vindo a ferir a língua, o que lhe ajudou ao longo da fuga já que ele não falava italiano.
  • Logo após a aterragem, Danilo é interrogado por alguns “partizans” (simpatizantes dos aliados) se é inglês ou americano, ele de pronto responde que é americano.
  • Contando com a ajuda dos partizans, Danilo pede roupas e informações da direção a ser tomada, quando então chamam o Signore (Senhor) Pascoalino, professor de geografia que mostra no mapa, a posição onde eles estavam. 

 “TERCEIRO ATO”

  • A irreverência de Danilo é o ponto forte do início deste ato quando, em certo ponto de sua caminhada, ele pede um cigarro a um tenente alemão que praticava tiro ao longo da estrada.
  • Este então não só nega, como ordena que Danilo ajude uma moça que ali passava carregando um carrinho de mão cheio de cacarecos, ele então respondia que estava cansado e que ela não queria.
  • Vale ressaltar que ao se comunicar com o oficial alemão (tedesco), Danilo dizia “Ela non quere”, frase que não faz sentido algum em italiano, que deveria ser: “Lei non vuogle”.
  • A partir de então, nosso viajante bate de porta em porta, pedindo abrigo e comida, os italianos dão-lhe algum vinho mas negam abrigo, pois Danilo não possuia carteira de identidade.
  • Até que ele encontra um Signore que diz para ele voltar caso não encontre outro lugar. Assim, Danilo decide “matar o tempo e depois retornar’, sendo acolhido pelo italiano. 

“QUARTO ATO”

  • Já próximo do Rio Pó, Danilo contou com a ajuda dos partizans para conseguir cruzá-lo. Esses simpatizantes vão conversar com os alemães que por um pouco de comida e vinho, fornecem um passe que Danilo usa para cruzar o Pó, levando consigo uma bicicleta.
  • Ao passar pela sentinela, cumprimentou-a com um sonoro “Heil, Hitler!!!” 

“QUINTO ATO”

  • Finalmente nosso herói chega ao Quartel General Partizano nos Montes Apeninos e após alguns dias de interrogatórios, retorna ao Clube Senta a Pua, onde todos esperavam-no, ansiosos.
  • Foi saudado com um vibrante “Adelphi”, homenagem raramente prestada a pilotos ainda vivos.
  • A história termina com o interrogatório do setor de inteligência da Força Aérea Brasileira.